EXPOSIÇÃO DE FOTOGRAFIA BNEI MENASHE EM SAFED

A nossa fotógrafa, Laura Ben David, tem tirado milhares de fotografias aos Bnei Menashe, desde a Índia a Israel, e tem-nas apresentado a públicos de todo o mundo. A sua exposição mais recente, que conta a história dos Bnei Menashe, esteve patente no lançamento do GATI (Festival de Artes de Safed) neste Pesach.

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Parashá Behar

Retirado do livro Ideas de Vaikra, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Rambam menciona mais de 13 preceitos que têm a ver com o servo hebreu. Não o maltratar, não o vender nos mercados de escravos, não lhe dar tarefas que se dão a um escravo, libertá-lo no ano sabático, quando sair em liberdade não sai com as mãos vazias, resgatar a serva hebreia que foi tomada prisioneira, etc.

O primeiro assunto de que a Torá nos fala, a seguir aos 10 mandamentos, é o assunto dos servos. É a primeira ordem que a lei hebraica dá aos juízes: como deve ser a lei do servo hebreu. E só depois virão os casos mais graves, como aqueles que levam à pena de morte.

De acordo com os historiadores, deixou de haver escravos hebreus no fim da época do Segundo Templo (em Roma, que foi posterior ao segundo templo, 80% da população eram escravos e apenas 20% eram cidadãos do império) e, apesar de ser difícil de acreditar, ainda hoje em dia há sociedades onde existem escravos.

O Profeta Jeremias conta-nos que logo após a saída do Egito já havia entre o povo de Israel indivíduos que eram escravos de outros israelitas.

Temos que saber que na antiguidade a escravidão era algo muito aceitável.

Há quem defenda que as tribos de Ruben, Simeão e Levi não foram escravizadas pelos egípcios. É por isso que quando a Torá nos relata em Shemot a lista dos cabeças de família traz Ruben, Simão e Levi, e nada mais. Meshech Chochmá, um comentarista bíblico, diz que este foi o motivo pelo qual estas três tribos não tiveram parte na terra de Israel, já que eles não foram escravos no Egito e, para além disso, tomaram escravos para eles de entre os filhos de Israel.

Na Bíblia, apenas uma vez aparece o termo “servo hebreu” (fora do contexto desta parashá), e é com Yosef, mais precisamente com a esposa de Putifar, que o chama assim. É como se a Torá não quisesse aceitar esta condição, não desejando que existam servos hebreus, e é por isso que não os menciona tanto.

Mas se a Torá não está de acordo, então, porque não os proibiu definitivamente? Porque não abolir a escravidão?

A Torá não pede coisas que os homens não possam fazer. Por exemplo, a Torá não nos obriga a jejuar durante três dias, etc. E apesar de poder ser possível, da mesma maneira, não nos ordenou anular a escravidão, mas sim impôs-lhe muitos limites.

Mais à frente, em Devarim 15:18, vemos que o motivo dos seis anos é que o servo trabalhe apenas seis anos, quer dizer, a Torá não quer que ele trabalhe mais de seis anos com a mesma pessoa, porque depois de tanto tempo o servo habitua-se a ser dependente de outros para toda a vida. Mais para a frente vamos ver que mal tem isso.

Rambam, em Mishneh Torá, explica-nos como se adquiria um servo hebreu: não era adquirido no mercado de escravos normal, mas sim era o tribunal rabínico quem autorizava a venda de um escravo, e isso acontecia quando o indivíduo se tornava demasiado pobre e não se conseguia sustentar, ou quando um ladrão não tinha posses para repor os danos causados.

A mulher não poderia vender-se como escrava, pelo perigo de os homens se aproveitarem da sua condição, prostituindo-a ou abusando dela.

A mulher, aos 12 anos de idade sai em liberdade, quer o dono queira ou não queira, a não ser que ela própria escolha ficar com ele. Quer dizer, na idade em que se começa a desenvolver e se torna atraente fisicamente, é nessa altura que ela corre o risco de abuso sexual, e é por isso que é posta em liberdade.

Porque não se dá o mesmo tratamento ao servo não judeu? Se a Torá está em desacordo com a escravidão, então, porque não colocar também muitos limites no caso de escravos não judeus?

O objetivo ou plano da Torá não é consertar toda a humanidade de uma só vez; o método é conseguir uma sociedade boa, que neste caso serão os judeus. Então, quando os demais povos virem como funciona uma sociedade boa, inspirar-se-ão e quererão fazer parte desta boa sociedade; a decisão depende deles.

Algo similar ocorre com a cobrança de juros nas dívidas. O não-judeu, quando me empresta dinheiro, cobra juros. Então, quando eu lhe empresto a ele, porque tenho que perder?

Não se pode dar ao servo hebreu trabalhos que não são necessários ou tarefas que apenas lhe são dadas para não estar sem fazer nada. No entanto, esta atitude é permitida para com o escravo não-judeu. Isto é assim porque se o escravo não-judeu estiver sem fazer nada, corremos o risco de ele se dedicar a seduzir mulheres judias, pois, como dizem os sábios, a ociosidade conduz à promiscuidade.

Este é um assunto mais profundo, mas, para o abordar brevemente, recordemos que o judeu se diferencia dos demais povos, entre outras coisas porque não se conduz de acordo com as suas paixões, enquanto que os demais povos querem ser “livres“ e correm atrás dos seus impulsos, defendendo que para serem felizes devem poder fazer o que quiserem (ou, melhor dito, o que apetece aos seus instintos). É por isso que os sábios decretaram: Torat goim, araiot. A ética ou moral dos não-judeus está minada de perversão sexual.

Outro dos motivos pelo qual a Torá se opõe à existência de servos hebreus é porque a Torá não quer que o judeu tenha outro senhor que não seja De’s. Para que desta maneira não se sinta aprisionado e possa então servir a De’s. É por isso que no tempo do Profeta Jeremias, quando o povo não quis libertar os servos judeus, De’s disse-lhes: Vós não quereis receber o jugo de De’s, então ficareis expostos ao jugo deste mundo (guerras, epidemias, conquistas, etc.)

E porquê o escravo que quisesse continuar a ser escravo devia furar a orelha? Porquê precisamente nesse local do corpo?

Um dos motivos é para que seja algo bem visível, para que ele se envergonhe e então não queira ficar como escravo. Outro motivo é porque essa orelha não ouviu bem o que De’s disse no monte Sinai: Meus são os filhos de Israel. Este escravo está a colocar sobre si outro senhor fora de De’s.

Porque deve furar a orelha na porta? No Egito, o povo de Israel, ao colocar o sangue do cordeiro nas ombreiras das suas portas, demonstrou dessa maneira que era livre; fez algo contra os seus senhores, exatamente contrário à cultura e aos deuses dos seus amos, sem os temer nem se submeter a eles. Agora este escravo, ao escolher ficar com o seu patrão, está a fazer precisamente o contrário. É por isso que ele é levado à porta, para recordar esta mensagem.

Poderíamos perguntar: Que diferença há entre ser servo de De’s ou ser servo de outra pessoa? Ao fim e ao cabo, continuamos a ser servos.

A realidade é ao contrário. Aquele que é servo de De’s, é na verdade livre, e apenas é chamado servo porque queremos dizer que ele faz o que De’s lhe ordena, e De’s ordena coisas que são para o nosso bem, não se trata de caprichos de algum homem. É algo a que os sábios se referem quando dizem que as tábuas da lei estavam talhadas (em hebraico diz-se “charut”) e os sábios dizem que em vez de talhadas pode ler-se “cherut”, que quer dizer liberdade (em hebraico diz-se “cherut”, que é muito parecido com “charut”). Quer dizer, as tábuas da lei dão-nos a verdadeira liberdade.

A sociedade liberal, ao contrário, apregoa que cada um faça o que bem lhe apetecer, sendo a única limitação o não prejudicar os outros (e, mesmo isto, não é por uma questão ética, mas sim para que o outro não me prejudique a mim). Não pensa no último bem do indivíduo, ou de quê é que aquele indivíduo precisa para se realizar e crescer; responde apenas a um padrão egocentrista.

A Torá é o sistema mais completo e perfeito, que pensa em todos os aspetos e não só em alguns. (Quer dizer, não pensa apenas nos aspetos mais prazerosos ou momentâneos e não nos outros). É por isso que a Torá permite que uma pessoa se venda como escravo quando é pobre, apesar de hoje em dia isso estar mal visto, mas, por acaso a alternativa moderna é melhor? Que a pessoa se rebaixe mais? Que viva a mendigar nas esquinas ou dormindo na rua? Ou talvez é melhor recorrer ao roubo ou às drogas?

Esta é a diferença entre o empregado e o escravo. O empregado pode ser obrigado durante mais de três anos (contrato?) E depois, se quiser, pode continuar ou ir embora, mas o escravo tem seis anos, porque precisa de mais tempo, já que tem menos recursos que o assalariado.

A Torá definitivamente não quer que o Homem se rebaixe tanto e se escravize, mas, perante casos extremos, essa opção é melhor que a outra.

Apesar de passados seis anos o escravo sair livre gratuitamente, porque é dada opção ao escravo de ficar até ao Jubileu? A Torá vela pelo bem-estar do servo, e é por isso que impõe limites ao patrão, mas não ao servo. Se o servo quiser, pode abrir mão do seu direito de sair em liberdade. No entanto, a Torá não lhe permite ficar nessa situação eternamente, mas sim apenas até ao Jubileu. No entanto, o servo tem que fazer tudo isto perante os juízes, para não correr o risco de ser pressionado pelo seu amo a ficar.

A Torá dá o direito ao servo de ter a sua família, que é uma necessidade básica. Assim, se o servo vier com uma boa esposa, ao sair em liberdade, a sua esposa sai com ele, para não acontecer que o dono o liberte apenas a ele só para ficar com a esposa.

No caso de um homem querer vender a sua filha como escrava, (porque não tem os meios para a sustentar ou para lhe dar um bom lar ou educação) nesse caso há mais limitações, já que se corre o risco de ela ser prostituída. É por isso que logo a seguir a tê-la vendido, já recai sobre ele ou sobre os seus familiares obrigação de a redimir.

Por outro lado, também existe um ponto positivo: é possível que aquela menina acabe por casar com algum membro da família à qual foi vendida. É por isso que a Torá deve manter o equilíbrio entre dar um bom futuro a essa jovem que nasceu no seio de uma família sem os mais básicos recursos e o perigo de ser abusada.

Até ao ponto de que a Torá obriga quem adquirir uma escrava hebreia, ele próprio ou o seu filho, a casar com ela, ou, senão, deve libertá-la. Assim, ao ter um marido, os outros escravos não abusarão dela (entre os escravos existe muita promiscuidade). Deste modo, praticamente não existe a serva hebreia, pois passado pouco tempo transforma-se na esposa do seu senhor.

Os sábios obrigam a que o servo coma da mesma comida que o senhor. Se existir apenas uma almofada na casa, e temos que decidir para quem será, se para o dono ou para o servo, o servo tem prioridade. O dono tem que cobrir todas as necessidades do servo, mesmo à custa das suas próprias necessidades. E no caso de não as poder cobrir, o escravo deve libertado.

Portanto, se o indivíduo for sábio e souber isto, facilmente comprovará que não é conveniente ter servos hebreus, e é exatamente isto o que a Torá pretende.

Por outro lado, se era roubado algo alguém e o ladrão já gastou o produto do roubo, o facto de o ladrão ir para a prisão, não serve para nada a quem foi prejudicado; ninguém devolve a sua perda.

Para além disso, na maior parte dos casos, o ladrão, na prisão, não deixa de ser ladrão. Ao contrário, aperfeiçoa ainda mais a arte de roubar, pois está rodeado de gente muito baixa e por isso corrompe-se mais ainda.

Para o conjunto da sociedade, isso também não é bom, porque agora este ladrão, que na maior parte dos casos não se corrige na prisão, ainda tem que ser sustentado com o dinheiro dos impostos dos contribuintes.

Em síntese, não é justo nem para o prejudicado, nem para o ladrão, nem para a sociedade.

Pelo contrário, para a Torá, quando alguém rouba e não tem bens para reparar o dano causado, é vendido como escravo até que possa pagar com o seu trabalho ao prejudicado, os danos estipulados pelo juiz.

Para além disso, não era vendido a uma família qualquer, mas sim a alguma família na qual o escravo se possa corrigir. Ao viver entre gente boa, o ladrão tinha mais possibilidade de se corrigir, de os querer imitar e constituir um lar como esse.

Por outro lado, a sociedade não tem que o sustentar, mas sim ele sustenta-se a si próprio com o seu próprio trabalho.

Para aprofundar mais ainda sobre como a Torá se ocupa também dos transtornos psicológicos que os escravos podem sofrer, ver Mishne Torá Hilchot Avadim, Cap 1 Halachot 5,6, 7 e 8.

AS COMUNIDADES DA SHAVEI ISRAEL CELEBRAM PESACH

Comunidades judaicas de todo o mundo partilharam connosco mais fotografias dos seus preparativos para o seder de Pesach e das suas férias de Col HaMoed (dias intermédios entre os dias festivos). Aqui ficam alguns momentos da festa de Pesach de diferentes países e continentes.

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Não deixem o Ladino morrer!

Pensando racionalmente, o legado da judiaria medieval espanhola já deveria ter desaparecido há muito tempo. A comunidade judaica espanhola, a maior e mais influente da Europa daquele tempo, foi expulsa em 1492 e dispersa aos quatro ventos, distribuindo-se ao longo do Médio Oriente, dos Balcãs e do Norte de África. Poucas culturas podem ter esperança de sobreviver a um trauma coletivo tão catastrófico, tendo sido os seus membros obrigados a reconstruir as suas vidas em terras estrangeiras.

No entanto, e contra todas as probabilidades, as tradições culturais linguísticas e religiosas únicas dos judeus espanhóis continuam vivas, e Israel e o povo judaico deveriam fazer mais para proteger e desenvolver esta parte tão importante do património do nosso povo.

Pude vislumbrar um pouco deste valioso legado no seder deste ano, quando me juntei à minha nora e à sua família, parte da qual é de origem judaico-turca, para celebrar a narração  anual do êxodo do Egito.

Subitamente, quase sem aviso, fui exposto a novas canções, diferentes melodias e até excertos de leitura em ladino, ou judaico-espanhol, um dialeto emotivo onde se misturam termos em espanhol antigo, hebraico e aramaico.

Tendo crescido com os costumes e melodias asquenazitas habituais, foi enriquecedor poder conhecer outras tradições judaicas, vividas com brio, e tão autênticas e legítimas como as nossas. Com um pouco de imaginação, podemos até visualizar um grupo de judeus espanhóis exilados sentados à mesa do seder em Izmir, Nápoles ou Serajevo nos séculos XVI ou XVII, a entoar algumas das mesmas melodias. A história do Ladino reflete de muitas maneiras a história dos últimos seis séculos do povo judaico, que sobreviveu à expulsão, à assimilação e ao genocídio.

Tal como o Ídiche, a língua franca de muitos judeus asquenazitas ao longo de muitas gerações, o Ladino serviu como tela cultural, uma tela utilizada por muitos judeus sefarditas para compor poesia, dissertar sobre a Torá e  debater questões de importância cultural e mística, bem como para divulgar investigações nos domínios da História, da Matemática ou da Astronomia.

Talvez a mais conhecida obra escrita em ladino seja o Meam Loez, um comentário sobre a Bíblia que combina exposições talmúdicas, midráshicas e haláchicas, iniciada pelo rabino Yaakov Culi em 1730 em Constantinopla e continuada por outros depois da sua morte. A obra, que está traduzida ao hebraico e ao inglês [e também ao espanhol], tem ganho cada vez mais popularidade, tanto entre sefarditas como entre asquenazitas.

Durante centenas de anos, até ao Holocausto, o ladino era a primeira língua para muitos judeus sefarditas na região do Mediterrâneo. Mas o assassinato de grandes números de judeus falantes de ladino, em locais tais como a Grécia e a Bósnia, por parte dos alemães e seus cúmplices na época da 2ª Guerra Mundial, colocou em perigo o bem-estar e o futuro deste idioma.

As estatísticas sobre o número de falantes de ladino que existem no mundo hoje em dia variam entre apenas dezenas de milhares a duzentas mil. Mas como a NBC News comentou há dois meses numa reportagem, “O que é indiscutível é que a maior parte dos falantes nativos de ladino são pessoas mais velhas, e a maior parte dos seus filhos cresceu a falar outra língua”. Por outras palavras, a riqueza desta língua e cultura está em perigo de extinção se não forem empregues maiores esforços para a preservar.

Felizmente, estão a ser postas em prática algumas medidas para impedir que isto aconteça. Este ano, pela segunda vez, teve lugar no Centro de História Judaica, em Nova Iorque, o Dia Internacional do Ladino, um dia anual organizado pela Federação Sefardita Americana e outras entidades, que incluiu um festival dedicado à música e cultura ladinas. Também houve eventos similares em outras cidades.

O Ministério da Cultura Israelita tem a Autoridade Nacional para a Cultura Ladina, estabelecida pelo Knesset

em 1996, que concede bolsas para encorajar os estudantes a aprender a língua, patrocina traduções e produz livros e CDs com histórias e canções em ladino.

Alguns especialistas, tais como o Dr. Eliezer Papo, da universidade de Ben-Gurion, e o Prof. David Blunis, que lidera o programa de estudos ladinos na Universidade Hebraica de Jerusalém, têm estado a trabalhar há anos para aumentar o conhecimento da população geral acerca do ladino, dando cursos e escrevendo artigos e livros.

E os alunos mais corajosos até podem encontrar vídeos com aulas para aprender ladino no YouTube!

Mas por várias razões, este idioma não tem conseguido a atenção merecida, recebendo menos recursos e fundos que outros programas similares que têm por objetivo reviver o Ídiche. Chegou a hora de mudarmos isto e de a cultura e tradições sefarditas e ladinas serem salvas e fortalecidas com o mesmo ardor investido na preservação do património cultural asquenazita.

As organizações judaicas norte-americanas, em conjunto com o governo israelita, deveriam estar a fazer mais para manter o ladino e a sua cultura vivos e de boa saúde – porque o ladino e tudo o que ele engloba são parte integrante da longa e sinuosa passagem do nosso povo pelo palco da História. Permitir que ele desapareça ou se transforme num fóssil seria uma afronta à história judaica e uma perda cultural insubstituível.

Há mais de sete décadas, os nazis desferiram sobre o Ladino e a sua cultura um golpe quase mortal. Através da indiferença e da apatia, corremos o risco de que o golpe se revele fatal, o que não podemos permitir que aconteça. 

Duas toneladas de matzá enviadas de Israel para a Comunidade Judaica da Polónia

Publicamos a tradução do artigo publicado esta semana em Arutz Sheva.

A organização Shavei Israel envia duas toneladas de matzá para fornecer a pequena comunidade judaica da Polónia durante este Pesach.

A comunidade judaica da Polónia recebeu esta semana uma encomenda especial mesmo a tempo de Pesach: Duas toneladas de matzá de Israel. 1.692 caixas  de matzot Aviv, mais 90 caixas de matzá shmurá (“guardada”) feita à máquina e 45 caixas de matzá shmurá feita à mão, graças à organização Shavei Israel e ao seu diretor e fundador, Michael Freund.

Como a preparação da matzá exige uma supervisão muito rigorosa e a comunidade judaica da Polónia ainda é demasiado pequena para a poder efetuar,  costumam recorrer à matzá importada para a festa de Pesach, que, este ano, será a 19 de abril. A pedido do rabino máximo da Polónia, Michael Schudrich, o diretor da Shavei Israel, Michael Freund, concordou em patrocinar a compra e envio da matzá de Israel, que vai ser distribuída por cerca de uma dezena de famílias de toda a Polónia, incluindo Bielsko-Biala, Danzigue, Katowice, Cracóvia, Legnica, Lodz, Lublin, Poznan, Szczerczin, Varsovia e Breslávia.

A matzá, que os judeus comem em memória da pressa com que saíram do Egito durante o êxodo, vai ser usada em seders comunitários por toda a Polónia, e vai ser oferecida gratuitamente aos mais necessitados, como os idosos e pessoas doentes que não podem sair de casa, muitos dos quais são sobreviventes do Holocausto.

“Estamos muito gratos à Shavei Israel e a Michael Freund, que nos ajudam há muitos anos na educação judaica, por esta generosa oferta”, disse Monika Krawczyk, presidente da União das Comunidades Judaicas da Polónia.

Existem aproximadamente 4.000 judeus registados na Polónia hoje em dia, e há peritos que sugerem que pode haver mais dezenas de milhares por todo o país que até hoje ocultam as suas identidades ou que simplesmente desconhecem as suas origens familiares. Recentemente, um número cada vez maior dos chamados “judeus ocultos” tem vindo a retornar ao judaísmo e ao povo judeu. A Shavei Israel tem trabalhado ativamente na Polónia há mais de uma década, trabalhando em colaboração com o rabino máximo da Polónia, Michael Schudrich, e com os próprios “judeus ocultos”. 

“Pesach é uma festividade especial para todos os judeus do mundo. Aqui, onde a nossa comunidade passou por uma verdadeira libertação há 74 anos, da Alemanha nazi, e, depois, há 30 anos, por uma libertação menor mas igualmente verdadeira, da União Soviética, tem um significado particularmente especial. A matzá é o nosso símbolo destas libertações, tanto da antiga como das modernas. Graças à Shavei Israel, muitos judeus polacos vão poder contar com este símbolo da libertação neste Pesach”, explica o rabino Schudrich. 

“Para o número cada vez maior de polacos que descobrem as suas raízes judaicas”, disse o rabino Schudrich, “Pesach representa algo muito especial sobre a celebração da liberdade e o fim da escravidão ou da ocupação. A matzá representa essa liberdade, e cada judeu quer ter a sua caixa de matzá para Pesach. Graças à Shavei Israel, muitos judeus vão ter matzá este Pesach. Obrigado, Shavei Israel.”

“Temos muito gosto em fazer esta parceria com o rabino máximo da Polónia, o rabino Michael Schudrich, e com a Comunidade Judaica da Polónia, para ajudar a que todos os judeus da Polónia tenham matzá”, disse o diretor e fundador da Shavei Israel, Michael Freund. “Quase 75 anos depois de os alemães terem aniquilado mais de 90% dos judeus da Polónia”, nota Freund, “milhares de judeus em toda a Polónia vão juntar-se este ano para celebrar Pesach e comer a matzá, que simboliza a libertação e a determinação. Temos essa dívida para com os judeus polacos e para com o número crescente de polacos que estão a descobrir as suas raízes judaicas: estender-lhes a mão e ajudá-los.”

Uma nação, Diversas faces

Um despertar sem precedentes está ocorrendo em todo o mundo. Em diferentes áreas, os descendentes de judeus buscam retornar às suas raízes e abraçar sua herança. Durante os últimos 15 anos, através da Shavei Israel, a organização que lidero, cheguei à conclusão de que há multidões de pessoas cujos antepassados faziam parte do nosso povo e que agora retornam. Consequentemente, haverá uma mudança em vários aspetos, como o caráter, o contorno e até mesmo a cor do bairro judeu.

Desde os judeus de Kaifeng na China, cujos antepassados sefarditas viajaram ao longo da Rota da Seda, passando pelos Bnei Menashe do nordeste da Índia, que reivindicam a proveniência de uma tribo perdida de Israel, até aos “judeus escondidos” da Polónia do tempo do Holocausto, há multidões com uma conexão histórica com o povo judeu. Talvez o maior grupo de todos é o Bnei Anussim, a quem alguns historiadores se referem pelo termo depreciativo Marranos e cujos antepassados eram judeus espanhóis e portugueses forçados a converterem-se ao catolicismo nos séculos XIV e XV.

Académicos estimam que seu número em todo o mundo chega a milhões, e um recente estudo genético publicado em dezembro de 2018 revelou que 23% dos latino-americanos têm raízes judaicas.
Se formos sábios o suficiente para aproveitar a oportunidade e estender a mão a essas comunidades e fortalecer nossa conexão com elas, nas próximas décadas testemunharemos o retorno de centenas de milhares, e possivelmente mais, às nossas fileiras.

Os historiadores estimam que, durante o período herodiano, há 2.000 anos, havia aproximadamente 8 milhões de judeus em todo o mundo. Ao mesmo tempo, a dinastia Han realizou um censo no ano 2 C.E, através do qual se descobriu que havia 57,5 milhões de chineses da etnia Han, e, se formos até o presente, encontramos números bem diferentes, com a China a abrigar 1,1 bilião de pessoas, enquanto o mundo judaico tem pouco mais de 14 milhões.

Durante os últimos 2.000 anos de exílio, perdemos incontáveis números de judeus, seja por assimilação ou por opressão. Muitos de seus descendentes agora choram por retorno. Este desenvolvimento é um testemunho do poder da história judaica e do triunfo do destino dos judeus.

“Precisamos começar a considerar a diversidade como algo que não é apenas bom em termos financeiros, mas também nacionalmente”

Diz-se que o mundo está ficando cada vez menor graças aos processos de globalização e crescente interdependência económica e estratégica. Para prosperar nesta aldeia global, o povo judeu precisará de judeus chineses e judeus indianos tanto quanto de judeus americanos e britânicos.

Isso significa que não só devemos fazer mais para manter os judeus judeus, mas também devemos começar a pensar em como aumentar nossos números, porque precisamos de mais judeus. Por que não retornar ao nosso passado coletivo e reivindicar aqueles que nos foram retirados por causa do exílio e perseguição? Muitos descendentes de judeus já estão batendo à nossa porta, então o que precisamos fazer é abri-la, para que eles possam voltar.

Para dizer a verdade, esse processo já está em operação. Com a aprovação do governo israelita, a Shavei Israel trouxe para Jerusalém mais de 4.000 Bnei Menashe, que fizeram Alia da Índia, bem como uma dúzia de jovens judeus chineses.

Quando olhamos para o futuro, à medida que essa tendência ganha força, fica claro que o povo judeu será uma nação mais numerosa e diversificada do que se poderia imaginar no início do século XXI.
Não devemos temer esta previsão, pelo contrário, devemos acolhê-la, porque, demográfica e espiritualmente, o povo judeu ficará mais forte por causa disso.

Esta não é uma forma de “atividade missionária”. Afinal, a ideia não é sair e convencer quem não está convencido; a ideia é abrir a porta para quem já está no processo de busca. Obviamente, nem todos irão escolher fazê-lo. Mas, ao criar um compromisso com essas pessoas, uma maior afinidade será criada por elas em relação a Israel e às causas judaicas, mesmo que prefiram permanecer católicas em Madrid ou orgulhosos protestantes no Novo México.

Cultivando sua identificação com as raízes judaicas, seja de um modo cultural, intelectual ou espiritual, o mínimo que será alcançado é expandir o número daqueles que olham com afeto e simpatia para os judeus e para Israel.

Mas podemos e devemos visar o mais alto. E já que os números contam, seja no basquetebol, nos negócios ou na diplomacia, para fazer a diferença no mundo e viver de acordo com nossa missão nacional como judeus, precisamos de uma equipa muito maior e mais diversificada.

Um “time” à nossa disposição, com grandes jogadores e um banco forte. Em outras palavras, precisamos de mais judeus.

Então, devemos começar a considerar a diversidade como algo bom, não apenas em termos financeiros, mas também nacionais. O facto de nem todos sermos parecidos, pensarmos o mesmo ou termos o mesmo passado ou a mesma cor de pele é um sinal de força para o povo judeu.

Então, à medida que um número crescente de descendentes de judeus em todo o mundo faz a longa jornada de volta para casa, recebamo-los de braços abertos, pois isso só enriquecerá ainda mais a intrincada tapeçaria de nosso povo.

FUNDAMENTALMENTE FREUND: CONSTRUAM UM MUSEU DA ALIÁ

MICHAEL FREUND

De fato, se olharmos para os últimos 70 anos, fica evidente que alguns dos momentos mais emocionantes de nossa nação foram aqueles que envolveram o resgate das comunidades judaicas da diáspora.

Nos anais da história judaica moderna, poucas histórias são tão épicas ou tão inspiradoras como a da reunião dos exilados dos quatro cantos da terra.

Desde o renascimento do Estado de Israel em 1948, mais de 3,2 milhões de imigrantes chegaram às praias da Terra Santa, de mais de 100 países de todo o mundo. Alguns vieram para cá fugindo da perseguição. Outros vieram motivados pelo sonho sionista ou convicção religiosa, ou animados pela esperança de criar uma vida melhor para si e suas famílias.

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