FAZENDO CHALÁ EM CALI, COLÔMBIA

Esta semana, mulheres e meninas da comunidade Bnei Anussim de Cali, na Colômbia, prepararam-se para o Shabat participando de um evento especial da Shavei Israel de elaboração de Chalá.

Sob a supervisão e orientação do rabino Shimon Yehoshua, emissário da Shavei Israel na região, o grupo aproveitou a oportunidade para mergulhar na significativa experiência da confeção da chalá. As mulheres e as meninas aprenderam sobre o significado espiritual de cada ingrediente, cumpriram o mandamento de hafrashat chalá (separação de uma porção de massa antes de assar) e rezaram por si e pelos seus entes queridos.

Maguen Abraham, a nossa comunidade em Cali, é apenas uma das 12 comunidades judaicas colombianas que pertencem à ACIC – Asociación de Comunidades Israelitas de Colombia. Hoje em dia, tem mais de 100 membros e três rolos de Torá.

NOVO ERUV EM BELMONTE

A vila portuguesa de Belmonte, tão significativa no mundo judaico pela presença dos Bnei Anussim, conta agora com um Eruv para a comunidade judaica.

Para quem não sabe, um Eruv é um dispositivo que permite transformar simbolicamente um determinado espaço público, como um bairro ou uma cidade, num recinto comum, de forma a que os judeus praticantes possam transportar objetos no Shabat, o dia sagrado semanal judaico,  pois, em áreas onde não existe Eruv, é proibido transportar objetos em locais públicos ou entre locais públicos e privados no Shabat. O estabelecimento de um Eruv vem permitir então esse mesmo transporte, facilitando a vivência prática do Shabat, ao possibilitar o transporte de artigos necessários, como carrinhos de bebé, livros de oração ou alimentos, por exemplo. 

O estabelecimento do Eruv em Belmonte, que contou com a colaboração e financiamento da Câmara Municipal de Belmonte, foi iniciativa do rabino Avraham Franco, atual rabino da Comunidade Judaica de Belmonte.

«Quando cheguei à comunidade, perguntei a mim mesmo o que estava faltando, e que ferramentas adicionais eu poderia dar à comunidade judaica para torná-la mais ativa e vibrante», contou o rabino Avraham Franco ao jornal israelita The Jerusalem Post, numa entrevista recente sobre o assunto. 

O rabino responsável pela elaboração do Eruv em Belmonte e pelo cumprimento das especificações da lei judaica na sua instalação foi o rabino Boaz Pash, rabino chefe do Kolel Torat Yosef em Israel, que viajou para Belmonte especialmente para o efeito.

O Eruv foi formalmente apresentado num evento oficial no passado dia 29 de Outubro, dia 30 do mês judaico de Tishrei, no auditório do Museu Judaico de Belmonte, com a presença do presidente da Câmara Municipal de Belmonte, o Dr. António Rocha.

Congratulamos a Comunidade Judaica de Belmonte e o rabino Avraham Franco, que com tanto entusiasmo têm divulgado o novo Eruv! Fazemos eco do seu entusiasmo, certos de que o Eruv será uma mais valia, não só para a comunidade judaica local como também para os inúmeros turistas judeus que visitam Belmonte.

Aqui podem ver algumas fotos e um pequeno vídeo do evento da apresentação formal do Eruv:

[Foto: Dr. António Rocha, presidente da Câmara Municipal de Belmonte, sr. Pedro Diogo, presidente da Comunidade Judaica de Belmonte, e rabino Avraham Franco, rabino da Comunidade Judaica de Belmonte]

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HOMENAGEM AO RAV NISSIM KARELITZ

O Rav Nissim Karelitz emitiu um parecer histórico sobre os Chuetas.

De Miquel Segura Aguiló

No passado dia 21 de outubro, o povo de Israel sofreu a perda do importante rabino e posek, Shmaryahu Yosef Nissim Karelitz. Apesar das notícias publicadas pela imprensa internacional, poucas pessoas em Espanha mencionaram o seu desaparecimento. Entre nós, o seu nome deveria ficar inscrito num lugar de honra, porque Karelitz decretou, em julho de 2011, que «Todos os descendentes de conversos de Maiorca (Chuetas) que possam demonstrar que a sua avó materna, antes da segunda guerra mundial, tinha como segundo sobrenome um dos 15 considerados xuetes, devem ser considerados judeus, filhos de Israel

O mencionado rav, dirigente de um dos principais tribunais rabínicos do mundo, enviou a Maiorca uma delegação que, com discrição e silêncio, levou a cabo uma profunda investigação nos âmbitos históricos e genealógicos. O cronista teve o prazer e a honra de o acompanhar nas suas diligências. Poucos meses depois, chegava-nos o seu parecer, hoje conhecido e aceite pela generalidade do mundo judaico. Que o De’s de Abraão tenha acolhido a sua alma, e que a sua memória permaneça.

Leia mais sobre os judeus chuetas:

A Shavei Israel publica o primeiro birkon em chinês

Os judeus Kaifeng são uma antiga comunidade judaica com uma história rica e dramática.  Hoje, cada vez mais dos seus descendentes estão interessados ​​em aprender sobre a sua herança cultural e espiritual.  Como parte dos seus esforços para preservar essa comunidade e fortalecer os seus laços com o judaísmo e o Estado Judaico, a Shavei Israel publicou o primeiro birkon (livro de bênçãos) em chinês mandarim.  O birkon inclui kiddush de Shabat, bênçãos e canções, e ajudará as comunidades judaicas de língua chinesa a manter a sua ligação com a tradição judaica.

A introdução do birkon foi preparada pelo presidente e fundador da Shavei Israel, Michael Freund, e pelo rabino Chanoch Avitzedek, e concentra-se no significado e na importância de guardar o Shabat.  A tradução para o chinês foi efetuada pelo coordenador da Shavei Israel para os judeus Kaifeng, Eran Barzilay, com a ajuda dos representantes da comunidade que passaram pelo processo de conversão formal e fizeram Aliyah para Israel.

Se fala chinês e deseja adquirir um exemplar, pode fazer o seu pedido na livraria da Shavei.

O DIREITO DE RETORNO (PARTE 3)

Na semana passada, publicámos uma nova parte da entrevista concedida pelo presidente e fundador da Shavei Israel, Michael Freund, à revista פנימה עלמה sobre os descendentes dos convertidos à força pela Inquisição. Aqui está a continuação deste artigo.

Um novo mundo

O México tornou-se o lar de muitos anussim que iam parar às costas do Novo Mundo na esperança de ficarem longe da Inquisição. Miriam, ou, como era conhecida anteriormente, Cindy Montiel Tepoz, é membro de uma destas famílias. Há apenas dois anos, aos 42 de idade, Miriam imigrou para Israel com o seu marido, um antigo pastor, e a sua filha de sete anos, Leah. Concluíram o processo de conversão recentemente, retornando oficialmente ao judaísmo. — Vimos de uma família muito coesa e muitos deles já se converteram. Alguns deles estão há muito tempo em Israel — diz Miriam. A sua avó materna chamava-se Salomé, uma forma do nome Shlomit, e o seu sobrenome era Del Toro Valencia. Linhagens de séculos anteriores mostram que esses nomes são característicos de Anussim. — A minha avó veio para o México, de Espanha, com os pais, em 1912, quando era bebé. Casou com o meu avô, chamado Roberto Tapuz Mani. Mani também é um nome associado a anussim. Juntos, criaram os seus 11 filhos. A casa da minha avó não tinha estátuas nem imagens, o que é muito raro no México, onde todas as casas têm estátuas e imagens de variadíssimos santos cristãos. Ela criou todos os filhos na fé em um D’us único. Quando eu tinha sete anos, a avó Salomé ensinou-nos a rezar, enfatizando que havia apenas um D’us em quem deveríamos acreditar. Todas essas práticas não tinham explicação.

Que outras práticas estranhas despertaram a sua curiosidade?

– A casa da minha avó tinha uma panela especial para o leite, que era para ser usada só para cozinhar os produtos lácteos. Todos os outros utensílios da cozinha eram destinados à carne. Nós não tínhamos ouvido nada nem sabíamos nada sobre o mundo kosher judaico. Sabíamos que o dia de descanso não era o domingo, mas que começava na sexta-feira ao pôr do sol. A avó também evitava celebrar os feriados locais e religiosos.

O pai de Miriam veio de uma família católica, mas a sua mãe, que depois de um tempo também se converteu ao judaísmo, educou os filhos no monoteísmo e não nos valores cristãos. – O meu pai não interferiu na educação que a minha mãe nos dava, apesar de a sua família nunca nos ter aceite ou entendido. Quando criança, eu também não entendia o cristianismo: Por que devo procurar o filho quando posso falar diretamente com o Pai? Sempre senti que não havia ali nada que satisfizesse a minha necessidade espiritual. Só encontrei significado mais tarde, na Torá.

Quando a sua avó faleceu, surgiu um vazio emocional e espiritual que levou a um processo de busca para grande parte da família. – Sempre houve uma busca espiritual na família, e sempre houve a questão do porquê  de não nos comportamos como cristãos, como todos os que nos rodeavam. Sabíamos que isso vinha da avó, mas não sabíamos porquê nem qual a fonte de todas essas práticas. De onde viemos, quase não existe um discurso assim. O cristianismo no México é muito dominante e não havia respostas para as perguntas que fazíamos. Não nos identificávamos com a atmosfera e a cultura local e, por outro lado, não tínhamos bases para os princípios em que fomos educados.

Quando Miriam tinha 12 anos, aconteceu a primeira mudança na vida da família: – A minha tia e o seu marido começaram a estudar judaísmo. Converteram-se há 35 anos e imigraram imediatamente para Israel. Através deles, fui exposta ao judaísmo, e a minha fé começou a tornar-se cada vez mais clara. Sempre quis entender por que temos práticas familiares diferentes e, de repente, eles vieram com um conhecimento claro e ensinaram-nos exatamente o que é o sábado e os 13 princípios de fé de Maimonides. Durante esse período, tudo começou a tornar-se mais claro e mais lógico para mim.

Da igreja ao Beit Midrash

Miriam conheceu o seu marido, Daniel Fuentes, de 45 anos, no seu trabalho. Daniel, então conhecido como Federico Fernando, era um cristão devoto, e foi até pastor. Casaram há cerca de nove anos, enquanto Miriam continuava a estudar judaísmo. Quatro anos após o casamento, em 2015, o seu marido também começou a estudar Torá, por sua própria vontade. – Ele já sabia o que era o sábado e conhecia o judaísmo, mas de longe.

Com o passar do tempo, os dois aprenderam a rezar e a guardar o Shabat e a alimentação kosher. – Poderíamos ter ficado no México. Eu trabalhava como advogada num local conhecido e estávamos em boa situação financeira. Mas quanto mais aprendemos, mais percebemos que não poderíamos realizar todo o nosso potencial lá. A nossa vida no México era boa, mas morar em Israel, e, especialmente, em Jerusalém, está a preencher-me e a fazer-me sentir como se tivesse voltado para casa. O judaísmo deu-me significado. Embora eu já conhecesse o meu marido antes e houvesse amor entre nós, o nosso relacionamento se tornou muito mais significativo depois de termos começado a estudar. A consciência da necessidade de manter a paz no lar muda a sua vida. Você vê a mudança na atmosfera em casa: Há mais santidade e calma. Também viemos para Israel por causa da educação judaica para a nossa filha, admite Miriam. – Já há 20 anos percebi que o judaísmo era a verdade, mas não avancei.

Apenas há dois meses, Miriam, Daniel e a sua filha Leah concluíram finalmente o processo de conversão. Eles agora vivem em Jerusalém e estão a aguardar receber o status oficial de imigração, para poderem estabelecer-se permanentemente no país. A organização Shavei Israel ajudou-os ao longo do caminho. – Tenho muita gratidão pelas pessoas da organização que nos apoiaram, – diz Miriam animadamente.

Saber que é Bnei Anussim influenciou-a?

– Saber que tenho raízes judaicas fortalece ainda mais a minha conexão com o judaísmo. Fortalece-me na adoração a D’us e no conhecimento de que Moisés é verdadeiro e de que os seus ensinamentos são verdadeiros. O facto de a nossa família ter de alguma forma conseguido transmitir tantos costumes antigos, originários do sofrimento da Inquisição, sublinha o poder do espírito judaico: A sarça ardente e a falta de comida, e a dedicação dos judeus nas condições mais difíceis.

Quais os principais desafios que enfrenta hoje?

– O idioma. Embora desejemos muito aprender hebraico, não é simples. Obviamente, há também a situação económica, que não pode ser ignorada. Israel é um país muito mais caro que o México, e ainda não temos ingressos. A minha principal preocupação é a nossa Leah, que ela se adapte facilmente à nova situação.

– Muitas vezes sinto-me perdida, – admite Miriam, – mas, ao mesmo tempo, sei que todos os desafios são temporários e que a terra de Israel é comprada com sofrimento, e com a ajuda de D’us tempos mais fáceis virão. Saber que a minha família e eu estamos na Terra Santa, que fazemos parte de uma comunidade, que tenho um lugar para rezar, que tudo ao meu redor é kosher e que há aqui pessoas boas, isso é uma bênção para mim. Agradeço a D’us que me deu a oportunidade de dar este passo.

O DIREITO DE RETORNO (PARTE 2)

Na semana passada, publicámos a primeira parte da entrevista dada pelo presidente e fundador da Shavei Israel, Michael Freund, à revista פנימה עלמה, sobre os descendentes dos convertidos à força pela Inquisição. Veja a segunda parte deste artigo:

Aconteceu há 500 anos. As pessoas estão a começar a procurar as suas raízes agora?

– Nos últimos 20 anos, assistimos a um crescente fenómeno de descendentes de anussim que procuram retornar às nossas raízes. Podemos ver isso desde Portugal e Espanha até ao Brasil ou ao Peru. Atravessa setores e estratos socioeconómicos.

Como explica o fenómeno?

– É difícil explicá-lo racionalmente. Abarbanel, que viveu na época da expulsão e foi ministro das Finanças do rei de Espanha, descreve a expulsão de Espanha no seu comentário ao livro de Deuteronómio e também de Isaías, e escreve que, no final dos dias, os anussim retornarão ao povo de Israel. Abarbanel escreve que, inicialmente, apenas retornarão nos seus corações, porque terão medo de se revelar como judeus, mas chegará o momento em que dirão abertamente «Queremos voltar». Penso que estamos a viver esse momento. As pessoas estão constantemente a aproximar-se de nós, contando-nos sobre o  seu passado familiar e as suas tradições judaicas.

Existem costumes que caracterizam os descendentes de anussim?

– Muitos se recordam das suas avós irem na sexta-feira até à cave, acenderem duas velas e dizerem algumas palavras que provavelmente nem entendiam. Conheci um professor universitário do norte de Portugal que  me disse que, quando era criança, os seus pais o proibiam de sair de casa à noite e contar estrelas porque era perigoso, e que isso era uma prática antiga da família. Os anussim saíam e contavam estrelas no céu para saber se o Shabat tinha acabado. Em algum momento, alguns deles foram capturados pela Inquisição. É por isso que a sua família adotou esse costume.

Há alguns anos conheci um diplomata da embaixada brasileira em Israel. Contou-me que vinha de uma família de anussim do norte do Brasil, onde muitas famílias tinham uma mesa de jantar com uma gaveta escondida no lugar do chefe de família. Nessa gaveta havia sempre um prato de carne de porco, de modo que, se um dos vizinhos viesse visitá-los de repente, tiravam imediatamente o prato com a carne de porco e colocavam-no no centro da mesa, para que ninguém desconfiasse que eles eram ainda judeus ou que tinham costumes judaicos.

Depois dele me contar isso, visitei o norte do Brasil, e pedi a quem me acompanhava que me levasse a uma loja de antiguidades, onde vi com os meus próprios olhos aquelas mesas com a gaveta oculta –, conta Freund com entusiasmo. – Até hoje existem famílias que não comem carne e leite juntos. Em alguns lugares, Purim, ou, como eles o chamavam, «Festival de Santa Esterica», tornou-se um dia festivo central para os anussim. Sentiam-se solidários com a figura de Ester, que também foi mantida à força no palácio do rei Achashverosh. Durante o festival as mulheres jejuavam, acendiam velas em homenagem à santa fictícia e preparavam com as suas filhas pratos kosher para o banquete de Purim.

O fechar de um ciclo Histórico

Nos séculos XVI e XVII, os anussim começaram a fugir também para Amsterdão. Nesse período, houve uma atitude muito positiva em relação aos anussim que queriam regressar ao judaísmo, e a comunidade de Amsterdão até imprimiu livros de oração para eles, traduzidos para o português. Há 200 anos, era muito mais fácil provar o judaísmo dos anussim. Hoje, 500 anos depois da expulsão e das conversões forçadas, a prova é cada vez mais difícil, e a maioria dos descendentes que desejam retornar ao judaísmo tem que ser convertida por um tribunal rabínico. – É uma situação empolgante –, partilha Freund, acrescentando que, em muitas dessas conversões, – quase se pode sentir a presença dos seus antepassados, a assistirem do céu e a ficarem felizes com o facto de, passados 500 anos, o ciclo histórico estar a ser fechado e os seus descendentes retornarem ao povo de Israel.

Hoje, muitos países têm comunidades inteiras de Bnei Anussim. Só na Colômbia, por exemplo, existem doze dessas comunidades. Cada comunidade inclui uma sinagoga, mikve, e, às vezes, até organizações específicas para a educação das crianças. Muitos dos descendentes de anussim tentam integrar-se nas comunidades judaicas existentes, que muitas vezes hesitam em aceitá-los. Mas em vez de baixarem os braços e desistirem, eles decidem criar comunidades independentes e converterem-se. Alguns querem imigrar para Israel e alguns preferem permanecer onde estão, a viver uma vida religiosa judaica.

– Muitas vezes as pessoas perguntam-se sobre qual é o seu motivo –, lembra Freund. – Que talvez eles estejam apenas à procura de fugir do seu país e queiram ir para o Estado de Israel? Mas essas pessoas estão a esquecer que não é fácil passar por uma conversão ortodoxa, com todos os requisitos que esta exige. Quando vemos os esforços que algumas destas pessoas fazem ao longo da vida para levar um estilo de vida judaico religioso, sem recursos e sem o apoio de uma comunidade judaica, apercebemo-nos de que são sinceros.

– Em El Salvador, onde há salários de cerca de um dólar por dia, há pessoas que economizaram de forma independente para comprar tefilin kosher, que custam várias centenas de shekels. Conseguir obter tefilin em tais condições é dedicação. Prevemos uma revolução espiritual que está a chegar, e está a crescer em intensidade. Cada vez mais pessoas estão a encontrar a verdade no judaísmo, o que é algo que não deveria assustar-nos, mas sim, pelo contrário, inspirar-nos.