O Sentido do Sacrifício

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Vaikrá

Estamos iniciando a leitura do Livro Levítico (Vaikrá), o terceiro do Pentateuco. O Livro Levítico nos transporta a um mundo novo: o dos sacrifícios, tema principal que aparece em forma explícita e detalhada ao longo do Livro.

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O Sangue é a Vida

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá de Tzav

 

“E sangue não comerei em todas as vossas moradas, da ave e do quadrúpede. Toda alma que comer algum sangue, será banida de seu povo”. (Vaicrá 7, 26-27)

 

A Torá destaca várias vezes nesta parashá e em outros capítulos, a proibição de comer o sangue dos animais. A retórica desse preceito acentua a sua importância no judaísmo.

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As duas faces da vida humana

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Vayakhel e Pekudei

Retirado do livro “La Tora no esta en el cielo”, do Rabino Eliahu Birnbaum

 

Esta Parashá começa com um resumo das regras inerentes da construção do Mishkán, o santuário hebreu no deserto. E, surpreende o fato de que a primeira mitzvá mencionada seja, nada menos que, a de cuidar o Shabat, a proibição do trabalho em um dia semanal de contenção.

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Quando o “seguro” é confundido com o inerte

Comentário sobre a Porção Semanal de Ki Tissá

Extraído do livro “La Tora no esta en el cielo” do Rabino Eliahu Birnbaum 

Antes de subir ao Monte Sinai, Moshe adverte o Povo de Israel que permanecerá no alto do monte por quarenta dias e quarenta noites. Tempo este no qual o Criador lhe entregaria a Torá que deveria ser ensinada ao povo.

“E Moshe se atraso….”, diz a Torá, e o Talmud interpreta que o atraso não doi mais de 6 horas. De acordo com o cálculo do povo, Moshe devia ter descido com o amanhecer e não apareceu até o meio-dia.

Foram suficiente seis horas fugazes para que se cosumar uma das maiores tragédias espirituais da história do Povo de Israel. Carente de segurança, um povo que mantinha sua identidade de escravo dependente teve que materializar uma divinidade sem vontade própria, que se encontrasse abaixo do arbítrio de seus próprios criadores simulando orientar e governar. Frente a ausência de Moshe, carentes de seu carisma, a angústia não admite opções intermediárias. O povo, então, se dirige a Aharon e exige a construção de um bezerro de ouro que ocupe a posição de divindade de aí em diante.

A ansiedade resulta, normalmente, em atitudes radicais.

Frente a um atraso de seis horas, em meio a desesperação, ninguém pensou em uma solução transitória, tão próxima a eles. O próprio Aharon, irmão de Moshe, e sacerdote escolhido pelo Criador, tinha por sua vez preparação suficiente para assumir interinamente a liderança do povo até a volta de Moshe. Mas ninguém pediu tal coisa. Ao contrário, lhe exigiram que assuma a responsabilidade de construir o ídolo que suplementaria não somente a Moshe, mas também ao próprio D’s.

Acontece que, na desesperação, tanto antigamente quanto agora, tendem a não ver as soluções mais próximas. O povo inteiro deixa de olhar a sua volta e, olhando para horizontes afastados de outros povos inimigos tomam a decisão de imitá-los.

E é o que os deuses deles, dos outros, estão sempre aí, não nos abandonam, não se movem, não têm vontade. De maneira definitiva: não representam nenhum risco.

É necessário aprender algum ensinamento desta atitude, tão frequente, mesmo em nossos dias. Em busca de espiritualidade, muitos integrantes do nosso povo abandonam implicítamente a tradição que herdaram, mesmo quando nunca a hajam praticado sozinhos. Não lhe concedem, nem mesmo, o benefício da dúvida e se deixam seduzir por dezenas de outras doutrinas estranhas e afastadas, das quais a principal característica é o “exotismo”, a “distância” que representam  e a efetividade que possuem no contexto de suas próprias culturas.

Efetividade não maior do que, no decorrer de milhares de anos, tiveram o “corpus” normativo da Torá e toda nossa tradição para manter unido todo o Povo de Israel em suas relações particulares com outros povos e com o Criador. E segue germinando, adaptando-se ao contexto das novas formas de vida e projetando ao futuro a herança que desde tempos longíquos nos identifica.

A custódia pessoal que exerce D’s sobre cada um de nós

Comentário sobre a Porção Semanal da Torá – Itró

 

Nos deparamos nesta Parashá com um dos legados mais importates que o judaísmo brindou a humanidade. Na Parashá de Itró são apresentados os dez mandamentos ao Povo de Israel. Continue reading “A custódia pessoal que exerce D’s sobre cada um de nós”

Para governar é necessário compreender e guiar cada um dos governados

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Pinchas

 

A sucessão de Moshe na liderança de Israel é o tema central desta Parashá. Moshe sabe que morrerá e reza a D’us para que escolha um bom líder para guiar o povo quando ele não esteja mais.

“Então falou Moisés ao Senhor, dizendo: O Senhor, D’us dos espíritos de toda a carne, ponha um homem sobre esta congregação, Que saia diante deles, e que entre diante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar; para que a congregação do Senhor não seja como ovelhas que não têm pastor.”

Moshe não se preocupa por ele mesmo e sim, pelo povo. Se angustia com a possibilidade de que o povo se encontre sem um líder que lhes possa guiar.

Moshe conhece o povo, lhes serviu como um líder por quarenta anos. Neste momento roga a D’us que escolha, quando ainda esteja vivo, uma pessoa para sucedê-lo nesta dfícil missão.

Moshe quer participar da eleição do novo líder, quer assegurar-se que seja alguém que entenda as necessidade do povo. Ele deseja poder instruir este sucessor e treiná-lo para que, assim, possa adquirir a convicção de que todo o esforço que foi investido durante tantos anos não tenha sido em vão e não se perca pela falta de alguém que continue este trabalho.

Moshe especifica as qualidades que seu sucessor deve possuir. Antes de tudo deve ser “um homem sobre a congregação”, que atenda e entenda as necessidades do povo. Deve ser um homem sensível as expressões e ao que acontece com as pessoas. Deve ser sincero e possuir uma profunda vontade em ajudar ao próximo, a qualquer momento.

“Um homem que possa orientar e dirigir o povo, de acordo com suas necessidades”. Aquele que suceder Moshe na liderança do povo deve possuir uma linha e objetivos claros, porém deve também levar em consideração e saber canalizar as necessidades e inquietudes daqueles que são liderados.

Rashi em sua análise, indica que a pessoa que Moshe está buscando deve ser capaz de demonstrar sensibilidade com cada indivíduo. “D’us Você conhece o caráter de cada pessoa e Sabe que um não é igual ao outro. Escolha um pastor que saiba compreender e conceder a cada um deles de maneira individual”. Assim revela Moshe seu desejo, sentindo, por experiência própria, que um lider somente terá sucesso com o coletivo se souber alcançar cada indivíduo separadamente.

Moshe também exige para a congregação um homem “que saia diante deles, e que entre diante deles, e que os faça sair, e que os faça entrar”, em outras palavras, que seja um dirigente que acompanhe seu povo, “saindo e entrando com eles”. Não um dirigente como aqueles que os outros povos possuem, que enviam seus exércitos as guerras enquanto permanece no conforto de seus palácios. No povo de Israel, o rei, ou aquele que ocupa o papel de líder, sai a guerra encabeçando seu exército. Mesmo hoje, ao sair para o campo de batalha, os oficias do exército de Israel dizem “Acharai” (atrás de mim), e saem, com o oficial encabeçando o batalhão.

Contudo não se trata somente de “conduzir-los”, e sim, também, de trazê-los. Levar um povo a guerra é relativamente fácil. Aonde a maioria fracassa é em trazer o povo de volta a sua vida normal, tanto física como psicológica e, com certeza, espiritual.

O homem que Moshe busca como sucessor deve ser o protótipo do líder autêntico, realmente comprometido com a sorte daqueles que depositam nele, seus destinos. Deve ser, sempre, consciente dos objetivos dos quais deve dirigir e capaz de projetar e se responsabilizar pelas consequências de cada empreendimento que pretenda envolver sua comunidade.

Retirado do livro “La Tora no Esta en El Cielo”