PERFIS DA SHAVEI ISRAEL: MIQUEL SEGURA AGUILO DE MALLORCA

Continuamos a partilhar convosco as histórias de pessoas sem as quais as atividades da Shavei Israel com a intenção de reconectar judeus e descendentes de judeus às suas raízes não seriam tão eficazes e bem-sucedidas: os nossos representantes e líderes comunitários em todo o mundo. Um deles é Miquel Segura Aguilo de Mallorca, um Chueta que retornou ao judaísmo, jornalista e vice-presidente da Comunidade Judaica das Ilhas Baleares. Além dos seus esforços regulares para fortalecer, apoiar e desenvolver a sua comunidade, Miquel também investiu o seu tempo e o seu conhecimento na preservação da sua herança histórica, tendo publicado um livro emocionante que conta a história dos Chuetas.

A apresentação do livro “Os Chuetas: Uma História Inacabada” aconteceu na semana passada na sinagoga de Palma de Mallorca e atraiu mais de 60 visitantes. A maioria deles sentiu uma conexão pessoal com o assunto: a comunidade de Chuetas manteve as tradições judaicas em segredo por muitos anos e está numa etapa de crescente interesse em estudar a história dos seus antepassados.

O editor notou que a história moderna de Chuetas se divide em duas partes, como se pode ler no livro: a primeira é de 1994 a 2003, quando Miquel conheceu Michael Freund e se familiarizou com as atividades de Shavei, e a segunda é de 2003 até o presente, quando muitas pessoas mencionadas nesta história e o próprio autor iniciaram o seu processo formal de conversão e retornaram ao judaísmo.

Miquel explicou a sua escolha da Shavei Israel como o local da apresentação da seguinte forma: sem uma sinagoga, uma comunidade judaica e judaísmo, nada do que ele descreveu neste livro e nos anteriores faria sentido. Miquel reconhece o papel que a Shavei Israel desempenhou na sua vida e diz que para ele, a organização se tornou a porta para retornar à sua herança e ao seu povo.

Parasha da Semana – Corach

Aarão e o Ketoret – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

O texto conta-nos que todo o povo de Israel se queixou. Quer dizer, todos os representantes do povo vieram queixar-se de Moisés e Aarão. Vemos o que é algo muito grave.
A acusação é muito grave e drástica: Moisés e Aarão mataram o povo de De’s.
O povo atribui a Moisés e Aarão a morte destas pessoas. Não foi De’s que os matou, foram Moisés e Aarão.
Quando dizem que mataram o povo de De’s, não se estão a referir a Corach nem a Datan e Aviram, mas sim aos 250, pois os anteriores eram indivíduos, não eram «o povo». Além disso, entre os 250 havia representantes de todo povo. Eram pessoas de renome…
O que os levou a pensar assim foi o facto de terem sido Aarão e Moisés a sugerirem a prova do incenso. Eles pensaram que Moisés e Aarão os levaram a fazer algo que sabiam que os ia matar, de propósito, como aconteceu com os filhos de Aarão, quando um fogo de De’s e os matou. Eles pensaram que Moisés e Aarão os fizeram cair na armadilha para morrerem.
São vários os pecados destas pessoas:

  1. A queixa em si. Acusam diretamente. Não vêm perguntar ou investigar, o que mostra falta de confiança nos seus líderes e sentimento de zanga para com eles.
  2. Acusam-nos de terem matado o povo de De’s. Sugerem que Moisés e Aarão são injustos e que mataram pessoas inocentes.
  3. Dizem que mataram «o povo de De’s». Isto não é assim, eles não eram o povo de De’s. Povo de De’s são aqueles que são fiéis a De’s. Estas pessoas, tal como os 250 anteriores que se congregaram contra Moisés e Aarão, estão a revoltar-se contra De’s, portanto, não se podem denominar povo de De’s.
  4. Congregaram-se contra Moisés e Aarão. São insolentes e agressivos. Isto também denota uma falta de respeito perante os seus mestres e líderes.
  5. Estão a renegar de todo o bem que Moisés e Aarão fizeram por todo o povo desde que saíram do Egito.
  6. Põem em dúvida que aquilo que Moisés faz é por ordem de De’s.
    Esta acusação é muito grave, mas não suficientemente grave para causar a praga. Depois diz que «se congregaram», o mesmo termo utilizado para explicar o que fez Corach, que congregou o povo contra Moisés e Aarão, o que quer dizer que o assunto já está tomar um ar de rebelião popular. Antes tinha sido apenas uma queixa, agora já é mais desafiador, enfrentam-se a Moisés e Aarão e gritam-lhes que mataram o povo de De’s. Isto também mostra uma falta de respeito para com Moisés e Aarão.
    Perante esta situação, Moisés e Aarão dirigem os seus olhares para o santuário, como querendo aconselhar-se com De’s para saber o que fazer. É então que vêem que a Glória Divina se revela com fumo e fogo sobre o santuário.
    De’s diz-lhes que se afastem para poder destruir a congregação. Isto insinua que enquanto Moisés e Aarão estiverem entre eles, não haverá morte. São Moisés e Aarão que impedem a praga de começar, praga essa que matará o povo. Moisés e Aarão estão a salvar o povo, exatamente o contrário do que a congregação dizia sobre eles, que tinham matado o povo de De’s.
    Porque não pede e não intervém Moisés por eles para os salvar, tal como tinha feito em outras situações, quando a ira de De’s se acendeu contra o povo? O motivo é que Moisés não encontra nenhum argumento para poder defendê-los perante De’s. Nos outros casos havia argumentos válidos, e Moisés utilizou-os, mas aqui, Moisés vê que não tem nenhum fundamento para pedir por eles. É por isso que não reza por eles.
    O motivo pelo qual a salvação vai ser através do incenso é porque o povo pensava erradamente que o incenso era algo que matava, tal como aconteceu aos filhos de Aarão e agora aos 250 que também morrem perante De’s por um fogo, por oferecer incenso.
    Para tirar esta ideia errada do povo é que De’s vai utilizar precisamente o incenso para deter a morte. Para lhes demonstrar que não é o incenso que mata, pois aqui utiliza-se o incenso para salvar a vida.
    O que realmente mata é o pecado. Com os filhos de Aarão ou os 250, o que os matou não foi a oferta de incenso, como se este fosse algum “material radioativo“, cujo mero contacto produzisse a morte. O que acontece é que oferecê-lo fora do momento estipulado, isso é pecado, e por causa disso foram castigados com a morte. No entanto agora, Aarão, utilizando o incenso corretamente, vai salvá-los precisamente através dele.
    Porque é Aarão que vai com o incenso e não Moisés? Moisés quer limpar o nome de Aarão. Não quer que o povo pense mal dele. Não quer que o continuem a acusar. Moisés não se importa que sujem o seu próprio nome. O que quer é deixar limpo o nome de Aarão.
    A Torá diz que Aarão vai rapidamente deter a praga; exatamente o contrário daquilo de que o povo os tinha acusado: eles não matam o povo; pelo contrário, apressam-se a salvá-lo.
    Um ponto importante que é necessário sublinhar é que quando a Torá diz que Aarão ficou com o incenso entre os vivos e os mortos e a praga se deteve, diz-nos que Aarão fez Capará (Expiação) pelo povo com o incenso. Que quer dizer que fez Capará pelo povo?
    Este termo utiliza-se quando a Torá nos descreve o serviço de Yom Kipur, quando o sumo-sacerdote está frente ao cordeiro e faz Capará pela sua família e por todo o povo, e aí refere-se a que faz vidui, que quer dizer confessar todos os seus erros e arrepender-se.
    Portanto, aqui não se trata de Aarão colocar incenso e de repente a epidemia acabar; ele faz também vidui por eles, e agora que existe arrependimento e confissão do erro, então De’s perdoa-os e a praga detém-se. Com isto fica demonstrado que não são Moisés e Aarão nem nenhuma magia do incenso que mata; o pecado é que mata.
    Esta será também a mensagem da prova das varas. A vara de Aarão é a que vai florescer e dar frutos, enquanto as outras não. A vara representa a liderança. Normalmente, com a vara demonstra-se o poder; castiga-se, bate-se com ela. Mas no caso de Aarão, a sua liderança é justa, ao contrário das acusações do povo. Não só não é uma vara usada para bater ou castigar, mas é uma vara que chega a dar flores e frutos, quer dizer, uma liderança que é boa, suave e com frutos.

HISTÓRIAS PESSOAIS DE BNEI ANUSSIM: UM NOVO PROJETO DO CENTRO MA’ANI.

Esta semana, o Centro Ma’ani da Shavei Israel lançou uma nova série de conferências para os Bnei Anussim e para todos os que estiverem interessados na sua fascinante história. Nos encontros mensais, os participantes vão partilhar as suas experiências pessoais, descrevendo o seu retorno às suas raízes judaicas e o seu caminho de volta ao judaísmo e ao Estado Judaico.

O primeiro evento da série atraiu tanto os estudantes do ulpan Machon Miriam, da Shavei Israel, quanto o público em geral. O orador convidado foi Leya Chaya Israel, que fez aliá há 5 anos e meio, de Espanha. Nascida em Alicante, interessou-se pela tradição judaica depois de participar num seminário da Shavei Israel em Barcelona, e continuou a estudar com o rabino Nissan ben Abraham, o nosso emissário em Palma de Mallorca.

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É possível regressar às origens do judaísmo?

Como podemos distinguir entre o que é divino e o que foi gerado pelos sábios? O que é original e o que evoluiu depois?

Artigo de MISHAEL DICKMAN, fotografias de LAURA BEN-DAVID

Jovens BNEI MENASHE em Manipur, Índia, vestindo trajes tradicionais. Observe as suas franjas tradicionais misturadas com as franjas modernas de seus tzitzit.

O judaísmo é uma tradição ligada diretamente à Bíblia, que nos leva de volta ao Monte Sinai, ou seja, a palavra original de De’s? Ou é um código legislativo geral que evoluiu lentamente ao longo dos anos até ao que é hoje?

Se nos aprofundarmos no Talmud, provavelmente perder-nos-emos rapidamente, devido à sua grande riqueza de ensinamentos e explicações e, sobretudo, pela existência de debates sobre quase tudo o que existe à face da Terra. Como podemos distinguir entre o que é divino e o que foi gerado pelos sábios? O que é original e o que evoluiu depois?

Muitos historiadores tentaram responder a estas questões. Para cada historiador, temos uma teoria diferente (e às vezes até mais do que uma), o que nos deixa onde começámos.

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AS COMUNIDADES DA SHAVEI ISRAEL CELEBRAM PESACH

Comunidades judaicas de todo o mundo partilharam connosco mais fotografias dos seus preparativos para o seder de Pesach e das suas férias de Col HaMoed (dias intermédios entre os dias festivos). Aqui ficam alguns momentos da festa de Pesach de diferentes países e continentes.

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Emissário da Shavei Israel visita a comunidade Beit Toldot, do Equador

A comunidade Beit Toldot está localizada na cidade de Guaiaquil, no Equador, e está composta por aproximadamente dez famílias que decidiram reaproximar-se das suas raízes judaicas sob supervisão do rabino Shimon Yehoshua, emissário da Shavei Israel na Colômbia. Este recente Shabat foi muito especial para eles graças à visita pessoal do rabino ao Equador, numa altura em que os judeus de todo o mundo se começam a preparar para Pesach. 

Os Bnei Anussim de Guaiaquil vivem uma vida tradicional judaica e empregam todos os esforços para cumprir a Torá e os mandamentos, para aprender o Talmud e outros textos sagrados, celebrar as festividades judaicas e fortalecer a sua ligação com a Terra de Israel. Durante a visita do rabino Yehoshua, foram colocadas mezuzot em várias casas. 

Os membros da comunidade Beit Toldot reunem-se regularmente para realizar orações comunitárias, Shabat, festividades, celebrações e também aulas semanais. Temos muito gosto em partilhar consigo alguns momentos de uma visita recente do rabino Yehoshua a Guaiaquil, bem como momentos na vida nesta florescente comunidade.