Parashat Balak

A força de uma maldição  – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Vemos que Bilam está muito interessado em amaldiçoar o povo de Israel.

De’s impede-lho, mas, apesar disso, Bilam continua a tentar e a insistir, até ao ponto de que, seja consciente ou inconscientemente, parece-lhe entender que De’s lhe ordena ir.

O que é óbvio é que nada pode suceder sem que De’s assim o queira. Portanto, se De’s não quer amaldiçoar o povo de Israel, por mais que apareçam mil pseudoprofetas, bruxos, ou as pessoas mais importantes a tentar amaldiçoá-lo, não vão ter sucesso nem vão modificar a vontade de De’s. Não existe nenhuma força física, cósmica ou mística que possa limitar ou influenciar De’s.

Então a pergunta que surge é: Porque De’s interfere para impedir Bilam de amaldiçoar, se de todas as maneiras essa maldição não vai ter nenhum efeito?

De’s não quer que Bilam amaldiçoe o povo, não porque isso possa ter algum efeito, mas sim pelos seguintes motivos:

1) De’s ama o povo de Israel, tal como um pai ama os seus filhos. Assim como um pai não gosta que ninguém amaldiçoe o seu filho, nem sequer uma pessoa ordinária da rua, do mesmo modo, De’s também não quer que ninguém amaldiçoe Israel, não porque essa maldição possa ter algum efeito, mas sim porque Ele ama o Seu filho e não quer que ninguém fale mal dele.

2) A estratégia de Balac era amaldiçoar o povo e assim poder atacá-los e ganhar-lhes. Se De’s permitisse que Bilam amaldiçoasse o povo de Israel, isso iria ocasionar que Balac e o seu povo se entusiasmassem, tomassem coragem e saíssem em guerra contra Israel. Por um lado, De’s não quer que ninguém lute contra Israel, e, por outro, também não quer que o povo de Israel lute contra Moav, pois são os descendentes de Abraão, e se Balac atacasse Israel, Israel ver-se-ia obrigado a defender-se e iria ter que aniquilar Balac e Moav. Portanto, De’s impede isto desde o princípio.

3) Outro motivo é que, se permitisse que Bilam amaldiçoasse o povo de Israel, talvez este ficasse a saber e pudesse decair na sua autoestima e acreditar que já estava amaldiçoado, o que não seria conveniente logo antes de começar a conquista da terra de Israel. Neste momento mais do que nunca, o povo de Israel deve ter a confiança e a autoestima em alta.

Em resumo: 1. Não quer que ninguém fale mal de Israel. 2. Quer evitar uma guerra desnecessária e 3. Não quer que a autoestima de Israel seja prejudicada.

O motivo pelo qual De’s permite a Bilam ir, é para Balac escutar que não são amaldiçoados mas sim o contrário, são abençoados. Isto vai desanimá-lo e ele não vai querer sair para a guerra contra Israel.

Por outro lado, o motivo pelo qual o deixa ir é para demonstrar a todo o mundo que não se pode mudar a vontade de De’s. Nem sequer Bilam, com toda a grandeza que os povos lhe conferiam, e com todos os atributos do que ele mesmo se vangloriava, pode interceder para mencionar nem uma só palavra contra o que De’s decretou.

Isto fica mais satiricamente marcado quando o próprio Bilam, que está a caminho para ir amaldicoar o povo, ao zangar-se com o seu burro porque este se afasta do caminho, lhe diz que se tivesse ali uma espada o mataria imediatamente. O que é sarcástico é que, por um lado, ele pensa que pode destruir um povo inteiro com a força das suas palavras, mas para matar um burro precisa de uma espada e não pode matar com a sua palavra…

A lição é clara: O que De’s diz ou faz é absoluto, e não importa o que façam ou digam os demais povos ou bruxos. Devemos depositar a nossa confiança em De’s e saber que o que Ele diz é o que sucederá, e não prestar atenção a nenhum tipo de feitiçarias, bruxarias, o conjuras.

Quando os idosos revelam que são judeus nos seus leitos de morte, os filhos frequentemente retornam ao judaísmo

Mariusz Robert Opałko, segurando um pergaminho da Torá, e Michael Freund, no Muro das Lamentações, em Jerusalém, Israel, dia 9 de junho de 2013. A mãe de Opałko disse-lhe que era judia durante os seus últimos momentos de vida. (Cortesia de Shavei Israel)

De CNAAN LIPHSHIZ

(JTA) – Em poucos meses, Simone Azoubel vai realizar o sonho de se mudar para Israel com o marido.

Azoubel, judia de 56 anos, do Recife, no norte do Brasil, está a estudar vocabulário hebraico enquanto se prepara para a sua aliá, a palavra hebraica para designar a imigração de judeus a Israel.

Os preparativos são agitados, mas Azoubel encontra tempo para refletir sobre quanto da sua identidade e trajetória de vida deve à sua avó – designadamente, a revelação feita pela idosa no seu leito de morte sobre a sua ascendência judaica após décadas de indiferença e perseguição.

– A minha avó materna, Raquel, disse-me que queria ser enterrada com o seu povo, em vez de com o seu marido não-judeu, e que não queria flores na lápide – disse Azoubel, recordando o diálogo de 1999.

O incomum pedido colocou Simone, educada no cristianismo, no caminho de se conectar com o judaísmo, e levou-a, junto com vários outros membros da família, a tornar-se membro da comunidade judaica do Recife.

Esse abraçar do judaísmo no seu leito de morte por parte de Raquel, descendente de judeus sefarditas que tinham fugido da Inquisição Espanhola para a Turquia e depois se mudaram para o Brasil, não é único. E eventos como esse influenciaram o que significa ser judeu para inúmeras pessoas em lugares onde a identificação como judeu era perigosa.

O rabino-chefe holandês Binyomin Jacobs, educador e conselheiro de saúde mental, disse que falou com vários sobreviventes do Holocausto que revelaram as suas origens judaicas à medida que se aproximavam dos seus últimos dias de vida.

Para alguns daqueles que estão no seu leito de morte, a necessidade de se reunir ao judaísmo é interna, impulsionada pelo seu próprio sentido de pertença.

– Aproximando-se da morte, a pessoa concentra-se no que é realmente importante para ela, que geralmente é a sua identidade –  disse Jacobs. – [E enquanto morrer é]  assustador para muitas pessoas, ao mesmo tempo, é também uma libertação de outros medos, de coisas que já não a podem magoar –  acrescentou.

Um sobrevivente holandês do Holocausto que faleceu em 2014 acrescentou «Cohen» ao seu sobrenome pouco antes de morrer. – Foi uma bomba para a sua esposa e filhos não-judeus – disse Jacobs. Esse sobrevivente contou a Jacobs que manteve a sua identidade judaica escondida durante anos para os proteger.

Para outras pessoas que fazem confissões no seu leito de morte sobre o facto de serem judias, a motivação está enraizada no desejo de se aliviarem do fardo de carregar um segredo, ou consiste no desejo de orientar os seus descendentes na direção do retorno ao judaísmo.

Mariusz Robert Opałko, um advogado de 70 anos de Cracóvia, Polónia, também é Cohen, um descendente da casta sacerdotal, embora tenha descoberto isso há apenas 20 anos. Em 1999, no hospital, poucos dias antes da morte, a sua mãe Halina disse-lhe que ela e o pai de Mariusz eram ambos sobreviventes do Holocausto, cujas famílias tinham sido quase exterminadas. Halina revelou a Mariusz que o seu pai era Cohen e que o seu verdadeiro sobrenome é Lederman.

Numa entrevista ao o jornal israelita Makor Rishon, Mariusz Opałko recordou as suas palavras: – Eu sou judia e tu também. Se quiseres ser judeu, sê judeu. E senão, não. Ser judeu na Polónia é muito difícil. –

Halina tinha dito ao seu irmão, também sobrevivente, para contar a verdade a Mariusz se ela morresse antes de conseguir fazê-lo.

A descoberta teve um efeito tão profundo em Mariusz que ele começou a praticar o judaísmo. Em 2013, a Shavei Israel, organização baseada em Jerusalém dedicada a ajudar judeus como Mariusz a regressar ao judaísmo, organizou um bar mitzvah atrasado para Mariusz em Jerusalém, no Muro Ocidental.

– Primeiro pediu-me para eu me sentar, depois disse-me quem eu sou –  recordou ele, secando as lágrimas de emoção, numa entrevista em vídeo para a Shavei Israel depois da cerimónia. Mariusz participou de um curso sobre judaísmo organizado pela Shavei Israel.

O que resta dos judeus polacos pode estar prosperando hoje, mas os judeus da Polónia sofreram perseguição mesmo após o Holocausto, sob o regime comunista. O pai de Mariusz foi demitido do seu emprego em 1956, talvez porque era conhecido por ser judeu.

Somente depois da confissão de Halina, é que Mariusz (que adotou o nome judaico de Moshe) começou a reunir várias peças da história da sua família.

Lembrou-se de que, quando era criança, dois tios visitavam a sua casa todos os anos em dezembro e falavam alemão com os seus pais durante um jantar à luz de velas. Apenas em retrospetiva percebeu que as visitas eram celebrações secretas de Hanukkah e que a língua falada era Ídiche.

Mas o que a mãe de Mariusz lhe disse depois foi uma descoberta ainda mais surpreendente: A sua esposa, Maria, também era judia e também desconhecia as suas origens. Maria, que faleceu em 2003, confirmou isso com a sua própria família imediatamente após Mariusz lhe ter contado sobre a revelação da sua mãe. Mariusz e Maria tiveram um filho, Radek, que foi circuncidado quando tinha 25 anos, após a descoberta de ser judeu.

– Estou muito emocionado, –  disse Mariusz Opałko na sua cerimónia de bar mitzvah, que também foi a sua primeira visita a Israel – porque, durante toda a vida, os meus pais tiveram medo de me dizer quem eram. –

– Quando a revelação é feita perto da morte, muitas vezes é porque o revelador não quer ser o último elemento de ligação com o judaísmo. – Disse Michael Freund, fundador da Shavei Israel. – As últimas palavras podem servir como uma espécie de última vontade e testamento, e podem causar mudanças profundas nas vidas dos descendentes dos falecidos. – Explicou. A sua organização tem trabalhado com dezenas de pessoas, a maioria delas na Europa Oriental, que souberam do seu judaísmo através de um pai ou avô no seu leito de morte.

Ainda assim, Freund viu inúmeros casos em que apenas alguns dos descendentes são afetados de qualquer maneira discernível pelas revelações no leito de morte, enquanto os seus irmãos permanecem indiferentes.

Para Freund, isto sublinha como a revelação no leito de morte é, para os descendentes, apenas o começo de uma jornada cuja trajetória depende de circunstâncias individuais – incluindo como outros judeus reagem à descoberta.

– Mesmo após o Holocausto e décadas de repressão comunista, a centelha judaica recusa-se a morrer –  disse Freund. – Partilhar essas descobertas e revelar-se para o mundo pode ser intimidante, num momento em que o antissemitismo está em ascensão. O nosso trabalho é estender a mão e ajudar.

Parashat Chucat

A guerra com o rei de Arad  – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

O mais provável é que tudo isto tenha acontecido aos quarenta anos da saída do Egito. Quer dizer, depois do povo já ter sofrido vários golpes, das abundantes queixas do povo, do pedido de carne, dos espiões, de Corach, etc. Toda aquela geração de escravos que saiu do Egito já morreu. Também morreu Miriam, houve falta de água, morre Aarão e já tinha sido decretada a morte de Moisés.

Como se tudo isto fosse pouco, Edom, seus irmãos, comportam-se de maneira muito hostil e não os querem deixar passar pelo seu território para poderem entrar na Terra Prometida para finalmente se poderem instalar e deixarem de viver em tendas errantes. Edom desafia-os, mas Moisés, por ordem de De’s, comporta-se com Edom com fraternidade. Israel não vai começar uma guerra contra os seus irmãos.

Esta negativa de Edom faz com que o povo de Israel tenha que contornar todo território de Edom e dirigir-se a Moav (hoje em dia é a zona das montanhas do sul da Jordânia, em frente ao mar morto), um território muito quente, árido e montanhoso.

O rei de Arad toma coragem para lutar contra Israel, porque interpretou que o motivo pelo qual Israel não lutou contra Edom e se retirou foi porque o povo estava atemorizado, quer dizer, o que lhe dá força para lutar é supor que o povo de Israel está atemorizado e se sente débil.

Perante a ameaça do rei de Arad, o povo reage com elevação. Não acontece como nas vezes anteriores, em que se queixaram perante Moisés ou perante De’s. Não entram em pânico nem reagem hostilmente, quer dizer, não agem confiando na sua própria força.

Desta vez agem com muita emuná — fé em De’s. –  Não fazem apenas uma simples promessa, mas sim uma «promessa a De’s». É importante notar que não se trata de uma promessa comum. Pelos detalhes que se dizem na promessa vê-se que não foram impulsados por algo material, e que também já não têm a mentalidade de escravos que tinham ao sair do Egito. Falam com De’s na segunda pessoa: Se entregares, os entregares nas nossas mãos… quer dizer, sentem-se próximos de De’s. Também não se dirigem a Moisés para reclamar, mas sim sabem e são conscientes de que tudo depende de De’s.

E repetem o verbo duas vezes: Se entregares, os entregares nas nossas mãos. Quer dizer, «tu e só tu». Confiam em De’s e só em De’s.

Também notamos que tudo está escrito no singular, quer dizer, que todo o povo está unido.

Eles pediram a De’s que entregasse o rei de Arad nas suas mãos. De’s entregou-lho, mas não diz «nas suas mãos». Vemos que essa vitória não chegou de cima sem terem que fazer nenhum esforço. O povo esteve disposto a fazer a sua parte. Não pretendia que tudo lhe caísse no colo gratuitamente. O que está a acontecer agora é exatamente o contrário do que aconteceu com a geração dos espiões. Aqui eles estão dispostos a lutar e confiam em De’s.

Não estão a fazer uma guerra por interesse próprio. Estão dispostos a entregar todos os despojos de guerra a De’s, quer dizer, para eles é uma guerra em nome de De’s e pela honra de De’s.

Este é o motivo pelo qual, uma vez que ganharam a guerra, não entraram na terra de Israel. Com esta atitude conseguem mudar uma ideia que tinha começado a popularizar-se entre os povos de Canãa, pois já duas vezes o povo não guerreara, e os cananeus pensavam que era porque não podiam ou porque tinham medo. Aqui, com esta atitude, fica demonstrado a todos os povos que o motivo pelo qual eles não lutam é porque ainda não vão entrar na Terra Prometida. Quer dizer, santificam o nome de De’s, pois anteriormente, com o pensamento que reinava entre os cananeus, tinha-se profanado o nome de De’s, pois os cananeus supunham que De’s não podia contra eles.

Já houve um precedente de algo parecido com Abraão, quando ele foi resgatar o seu sobrinho Lot. Apesar de Lot não ser tão idealista nem seguir os caminhos de Abraão, vemos que Abraão saiu na mesma atrás dele e o resgatou. Os filhos de Abraão agem agora do mesmo modo. O rei de Arad tomou alguns cativos de entre o povo de Israel, e, do mesmo modo, o povo sai para os resgatar.

Por tudo isto é que De’s escutou a voz do povo. Israel lutou, destruiu-os e aniquilou-os a todos.

O lugar chamou-se Chormá – destruição – que era precisamente onde tinham caído os da geração dos espiões, que teimaram em ir à luta contra os cananeus, apesar de De’s ter decretado que não o fizessem, e ali nos diz a Torá que foram perseguidos pelos seus inimigos até Chormá. Isto mostra que se trata de uma geração diferente da anterior. Esta geração não teme, não se queixa perante Moisés, não esperam milagres, não se comportam como crianças, mas sim como pessoas com maturidade, e estão dispostos a entrar na Terra apenas quando De’s assim o determinar.

Vemos que os quarenta anos que De’s conduziu o povo pelo deserto serviram para acabar com todo esse povo queixoso e temeroso, a quem não importava tanto o caminho de De’s nem a sua vontade, e que preferiam comer carne e voltar para o Egito. Agora surge outra geração que é digna de entrar na Terra Prometida.

PERFIS DA SHAVEI ISRAEL: MIQUEL SEGURA AGUILO DE MALLORCA

Continuamos a partilhar convosco as histórias de pessoas sem as quais as atividades da Shavei Israel com a intenção de reconectar judeus e descendentes de judeus às suas raízes não seriam tão eficazes e bem-sucedidas: os nossos representantes e líderes comunitários em todo o mundo. Um deles é Miquel Segura Aguilo de Mallorca, um Chueta que retornou ao judaísmo, jornalista e vice-presidente da Comunidade Judaica das Ilhas Baleares. Além dos seus esforços regulares para fortalecer, apoiar e desenvolver a sua comunidade, Miquel também investiu o seu tempo e o seu conhecimento na preservação da sua herança histórica, tendo publicado um livro emocionante que conta a história dos Chuetas.

A apresentação do livro “Os Chuetas: Uma História Inacabada” aconteceu na semana passada na sinagoga de Palma de Mallorca e atraiu mais de 60 visitantes. A maioria deles sentiu uma conexão pessoal com o assunto: a comunidade de Chuetas manteve as tradições judaicas em segredo por muitos anos e está numa etapa de crescente interesse em estudar a história dos seus antepassados.

O editor notou que a história moderna de Chuetas se divide em duas partes, como se pode ler no livro: a primeira é de 1994 a 2003, quando Miquel conheceu Michael Freund e se familiarizou com as atividades de Shavei, e a segunda é de 2003 até o presente, quando muitas pessoas mencionadas nesta história e o próprio autor iniciaram o seu processo formal de conversão e retornaram ao judaísmo.

Miquel explicou a sua escolha da Shavei Israel como o local da apresentação da seguinte forma: sem uma sinagoga, uma comunidade judaica e judaísmo, nada do que ele descreveu neste livro e nos anteriores faria sentido. Miquel reconhece o papel que a Shavei Israel desempenhou na sua vida e diz que para ele, a organização se tornou a porta para retornar à sua herança e ao seu povo.

Parasha da Semana – Corach

Aarão e o Ketoret – Retirado do livro Ideas de Bamidbar, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

O texto conta-nos que todo o povo de Israel se queixou. Quer dizer, todos os representantes do povo vieram queixar-se de Moisés e Aarão. Vemos o que é algo muito grave.
A acusação é muito grave e drástica: Moisés e Aarão mataram o povo de De’s.
O povo atribui a Moisés e Aarão a morte destas pessoas. Não foi De’s que os matou, foram Moisés e Aarão.
Quando dizem que mataram o povo de De’s, não se estão a referir a Corach nem a Datan e Aviram, mas sim aos 250, pois os anteriores eram indivíduos, não eram «o povo». Além disso, entre os 250 havia representantes de todo povo. Eram pessoas de renome…
O que os levou a pensar assim foi o facto de terem sido Aarão e Moisés a sugerirem a prova do incenso. Eles pensaram que Moisés e Aarão os levaram a fazer algo que sabiam que os ia matar, de propósito, como aconteceu com os filhos de Aarão, quando um fogo de De’s e os matou. Eles pensaram que Moisés e Aarão os fizeram cair na armadilha para morrerem.
São vários os pecados destas pessoas:

  1. A queixa em si. Acusam diretamente. Não vêm perguntar ou investigar, o que mostra falta de confiança nos seus líderes e sentimento de zanga para com eles.
  2. Acusam-nos de terem matado o povo de De’s. Sugerem que Moisés e Aarão são injustos e que mataram pessoas inocentes.
  3. Dizem que mataram «o povo de De’s». Isto não é assim, eles não eram o povo de De’s. Povo de De’s são aqueles que são fiéis a De’s. Estas pessoas, tal como os 250 anteriores que se congregaram contra Moisés e Aarão, estão a revoltar-se contra De’s, portanto, não se podem denominar povo de De’s.
  4. Congregaram-se contra Moisés e Aarão. São insolentes e agressivos. Isto também denota uma falta de respeito perante os seus mestres e líderes.
  5. Estão a renegar de todo o bem que Moisés e Aarão fizeram por todo o povo desde que saíram do Egito.
  6. Põem em dúvida que aquilo que Moisés faz é por ordem de De’s.
    Esta acusação é muito grave, mas não suficientemente grave para causar a praga. Depois diz que «se congregaram», o mesmo termo utilizado para explicar o que fez Corach, que congregou o povo contra Moisés e Aarão, o que quer dizer que o assunto já está tomar um ar de rebelião popular. Antes tinha sido apenas uma queixa, agora já é mais desafiador, enfrentam-se a Moisés e Aarão e gritam-lhes que mataram o povo de De’s. Isto também mostra uma falta de respeito para com Moisés e Aarão.
    Perante esta situação, Moisés e Aarão dirigem os seus olhares para o santuário, como querendo aconselhar-se com De’s para saber o que fazer. É então que vêem que a Glória Divina se revela com fumo e fogo sobre o santuário.
    De’s diz-lhes que se afastem para poder destruir a congregação. Isto insinua que enquanto Moisés e Aarão estiverem entre eles, não haverá morte. São Moisés e Aarão que impedem a praga de começar, praga essa que matará o povo. Moisés e Aarão estão a salvar o povo, exatamente o contrário do que a congregação dizia sobre eles, que tinham matado o povo de De’s.
    Porque não pede e não intervém Moisés por eles para os salvar, tal como tinha feito em outras situações, quando a ira de De’s se acendeu contra o povo? O motivo é que Moisés não encontra nenhum argumento para poder defendê-los perante De’s. Nos outros casos havia argumentos válidos, e Moisés utilizou-os, mas aqui, Moisés vê que não tem nenhum fundamento para pedir por eles. É por isso que não reza por eles.
    O motivo pelo qual a salvação vai ser através do incenso é porque o povo pensava erradamente que o incenso era algo que matava, tal como aconteceu aos filhos de Aarão e agora aos 250 que também morrem perante De’s por um fogo, por oferecer incenso.
    Para tirar esta ideia errada do povo é que De’s vai utilizar precisamente o incenso para deter a morte. Para lhes demonstrar que não é o incenso que mata, pois aqui utiliza-se o incenso para salvar a vida.
    O que realmente mata é o pecado. Com os filhos de Aarão ou os 250, o que os matou não foi a oferta de incenso, como se este fosse algum “material radioativo“, cujo mero contacto produzisse a morte. O que acontece é que oferecê-lo fora do momento estipulado, isso é pecado, e por causa disso foram castigados com a morte. No entanto agora, Aarão, utilizando o incenso corretamente, vai salvá-los precisamente através dele.
    Porque é Aarão que vai com o incenso e não Moisés? Moisés quer limpar o nome de Aarão. Não quer que o povo pense mal dele. Não quer que o continuem a acusar. Moisés não se importa que sujem o seu próprio nome. O que quer é deixar limpo o nome de Aarão.
    A Torá diz que Aarão vai rapidamente deter a praga; exatamente o contrário daquilo de que o povo os tinha acusado: eles não matam o povo; pelo contrário, apressam-se a salvá-lo.
    Um ponto importante que é necessário sublinhar é que quando a Torá diz que Aarão ficou com o incenso entre os vivos e os mortos e a praga se deteve, diz-nos que Aarão fez Capará (Expiação) pelo povo com o incenso. Que quer dizer que fez Capará pelo povo?
    Este termo utiliza-se quando a Torá nos descreve o serviço de Yom Kipur, quando o sumo-sacerdote está frente ao cordeiro e faz Capará pela sua família e por todo o povo, e aí refere-se a que faz vidui, que quer dizer confessar todos os seus erros e arrepender-se.
    Portanto, aqui não se trata de Aarão colocar incenso e de repente a epidemia acabar; ele faz também vidui por eles, e agora que existe arrependimento e confissão do erro, então De’s perdoa-os e a praga detém-se. Com isto fica demonstrado que não são Moisés e Aarão nem nenhuma magia do incenso que mata; o pecado é que mata.
    Esta será também a mensagem da prova das varas. A vara de Aarão é a que vai florescer e dar frutos, enquanto as outras não. A vara representa a liderança. Normalmente, com a vara demonstra-se o poder; castiga-se, bate-se com ela. Mas no caso de Aarão, a sua liderança é justa, ao contrário das acusações do povo. Não só não é uma vara usada para bater ou castigar, mas é uma vara que chega a dar flores e frutos, quer dizer, uma liderança que é boa, suave e com frutos.

HISTÓRIAS PESSOAIS DE BNEI ANUSSIM: UM NOVO PROJETO DO CENTRO MA’ANI.

Esta semana, o Centro Ma’ani da Shavei Israel lançou uma nova série de conferências para os Bnei Anussim e para todos os que estiverem interessados na sua fascinante história. Nos encontros mensais, os participantes vão partilhar as suas experiências pessoais, descrevendo o seu retorno às suas raízes judaicas e o seu caminho de volta ao judaísmo e ao Estado Judaico.

O primeiro evento da série atraiu tanto os estudantes do ulpan Machon Miriam, da Shavei Israel, quanto o público em geral. O orador convidado foi Leya Chaya Israel, que fez aliá há 5 anos e meio, de Espanha. Nascida em Alicante, interessou-se pela tradição judaica depois de participar num seminário da Shavei Israel em Barcelona, e continuou a estudar com o rabino Nissan ben Abraham, o nosso emissário em Palma de Mallorca.

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É possível regressar às origens do judaísmo?

Como podemos distinguir entre o que é divino e o que foi gerado pelos sábios? O que é original e o que evoluiu depois?

Artigo de MISHAEL DICKMAN, fotografias de LAURA BEN-DAVID

Jovens BNEI MENASHE em Manipur, Índia, vestindo trajes tradicionais. Observe as suas franjas tradicionais misturadas com as franjas modernas de seus tzitzit.

O judaísmo é uma tradição ligada diretamente à Bíblia, que nos leva de volta ao Monte Sinai, ou seja, a palavra original de De’s? Ou é um código legislativo geral que evoluiu lentamente ao longo dos anos até ao que é hoje?

Se nos aprofundarmos no Talmud, provavelmente perder-nos-emos rapidamente, devido à sua grande riqueza de ensinamentos e explicações e, sobretudo, pela existência de debates sobre quase tudo o que existe à face da Terra. Como podemos distinguir entre o que é divino e o que foi gerado pelos sábios? O que é original e o que evoluiu depois?

Muitos historiadores tentaram responder a estas questões. Para cada historiador, temos uma teoria diferente (e às vezes até mais do que uma), o que nos deixa onde começámos.

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