Mercado Kosher na vila Monte Do Bispo, Portugal

No mês passado, o Rabino Elisha Salas, emissário da Shavei Israel em Portugal, visitou a aldeia de Monte do Bispo.

O rabino deu uma conferência sobre kashrut (a dieta alimentar judaica), inserida no Mercadinho do Festival de Outono de Monte Do Bispo.

Monte Do Bispo é uma aldeia a 12 km de Belmonte, em Castelo Branco, perto da Guarda e de Coimbra, locais que contam com um rico passado judaico.

O festival contou com diversos eventos culturais e com uma feira de produtos locais das áreas vizinhas, no qual participaram o rabino e os seus alunos. Continue reading “Mercado Kosher na vila Monte Do Bispo, Portugal”

Aterrou o segundo voo da Operação Menashe

As últimas semanas têm sido EM GRANDE para os Bnei Menashe. 162 novos imigrantes da Índia aterraram no aeroporto Ben Gurion em dois voos. Já partilhámos fotografias do primeiro voo da Operação Menashe, mas este voo foi ainda mais emotivo, com vários reencontros de famílias que estiveram separadas durante anos e mesmo décadas.

Todos os principais meios de comunicação judaicos e israelitas fizeram a cobertura desta aliá, de entre os quais, para nomear apenas alguns:

The Jerusalem Post
The Times of Israel
The World News
Israel National News
The Jewish Press
Hamodia
Voz is Neias?
Algemeiner

A Shavei Israel já ajudou mais de 3.000 Bnei Menashe a fazer aliá. Mas mais do dobro deste número estão ainda na Índia e “muitos estão há décadas à espera de vir”, explicou o presidente da Shavei Israel, Michael Freund. Continue reading “Aterrou o segundo voo da Operação Menashe”

Já chegaram! – O primeiro voo da Operação Menashe aterrou, com 82 imigrantes da Índia.

Já chegaram!

O primeiro de dois voos de imigrantes Bnei Menashe chegou ao aeroporto israelita Ben Gurion na semana passada. Oitenta e dois membros da comunidade Bnei Menashe chegaram a Israel provenientes do estado indiano de Manipur, depois de uma viagem extenuante de vários dias, de carro, de comboio e de avião.

À espera do grupo no aeroporto encontravam-se membros da equipa da Shavei Israel, que tornou possível esta viagem de aliá, bem como jornalistas, estudantes da ieshiva Ma’alot (onde muitos Bnei Menashe já estudam e servem no IDF) e o grupo Keep Olim in Israel. Continue reading “Já chegaram! – O primeiro voo da Operação Menashe aterrou, com 82 imigrantes da Índia.”

Cura para os habitantes de Belmonte

Introdução

Citarei as palavras dos nossos sábios, que são sempre corretas: “Mesmo nas brincadeiras, o coração estará dorido, e a alegria afligir-se-á.” (Provérbios, 14:13)

A tristeza não é diferente da alegria; está ao seu lado. As chuvas, que são uma bênção, também geram lama e sujidade, e, do mesmo modo, a alegria no mundo está sempre misturada com tristeza.

O Rabino Shmuel Hanagid, que viveu na Era Dourada, trouxe-nos uma metáfora do mundo animal: “O pastor leva a ovelha a pastar contra a sua vontade, mas quando se trata de a trazer de volta do campo, também é contra a sua vontade.”

Um evento incrível atravessou-se no meu caminho

Em junho e julho de 2017, a Comunidade de Belmonte (Portugal) convidou-me para ensinar hebraico através da organização Shavei Israel. Continue reading “Cura para os habitantes de Belmonte”

O Ano Sabático

A “Shmitá”descarga-2

Iniciamos o ano sabático que, como o próprio nome diz, ocorre a cada sete anos. Com o início do ano de 5775, que aconteceu no último dia 25 de setembro de 2014, entramos no ano de Shmitá, o Ano Sabático.

O que isso quer dizer?

A diferença existe, principalmente, para aqueles que habitam a Terra da Profecia, no Estado de Israel. A Torá, no capítulo 25 do Livro de Levítico, indica que este país, a terra que havia prometido aos patriarcas e neste momento a outorgava ao povo de Israel, possui ‘condições’ especiais e, portanto, também ‘necessidades’ especiais.

Poderiamos resumir este ano em uma frase curta: a terra deve descansar de qualquer trabalho agrícola ao longo do ano. Não se pode semear e nem colher o produto do campo, ao longo deste ano, tudo que nascer na terra pertence a todos. Tanto o proprietário registrado quanto os seus vizinhos, quanto estranhos e até mesmo animais, domésticos ou selvagens, pode usufruir deste produto.

Além disso, os frutos que nascem este ano possuem “virtudes espirituais” especiais, ou seja, são frutos de uma “santidade” especial, e assim sendo, só podem servir para a alimentação humana e não para outras necessidades. Por exemplo, não podem ser exportados. E a sua venda deve ser feita em condições especiais para evitar lucros na comercialização. Esta santidade permite que aqueles que a consomem abram, ainda mais, suas almas para o verdadeiro entendimento, compreendendo o Criador em níveis sem precedentes. Não é um “arrebatamento”, em que perdemos a nossa conexão com o mundo que nos rodeia, mas justamente o contrário, se trata de uma visão extraordinária que nos permite compreender melhor a presença divina neste mundo.

O Jubileu

Com certeza não para por aí. Vamos expandir nosso conhecimento através de outro mandamento que está intimamente ligado à Shmita: o Jubileu. Conhecemos este conceito em relação a nossa vida profissional, quando, em uma certa idade nos aposentamos de nosso trabalho. Em outras culturas foi atribuído outros significados religiosos que não nos dizem respeito. O significado deste conceito na Torá é que, a cada 50 anos nossa “ficha se limpa” em relação a dois temas principais: o patrimônio e a liberdade.

Quando o povo de Israel chegou à Terra da Aliança, o país que O Criador havia prometido para Avraham, nosso Patriarca, e depois para seus filhos, Itschac (Isaac) e Ya’akov (Jacó), cada tribo e cada família de Israel recebaram sua parcela de terra, como lemos em vários capítulos da Torá e do Livro de Yehoshua (Josué). Esta porção de terra foi transmitida por herança aos seus descendentes, geração após geração. Era responsabilidade de todos preservar esta herança, cultivar a terra e, assim, nos conectar ao Criador através da Aliança que Ele fez com nossos Patriarcas.

A Perda de Herança

Através da Venda

Por empecilhos da vida, nem sempre se conseguia manter a herança. Alguns agricultores não conseguiam extrair o melhor de sua terra e, com o tempo, foram forçados a vendê-la, total ou parcialmente. O comando indica que quando o ano do Jubileu chega, a herança deve ser devolvido a seus proprietários originais. Desta maneira, o comprador é, na verdade, um mero usufrutuário desde o momento da compra até o qüinquagésimo ano, o ano do Jubileu. No ano do Jubileu, tudo começa novamente. Uma nova oportunidade é dada ao herdeiro para refazer suas vidas na porção de terra da Terra Santa dada a seus ancestrais.

O Escravo

Em paralelo, haviam indivíduos que não conseguiam viver de forma independente, cultivando sua terra e fazendo o seu próprio negócio. Muitas vezes entravam em dívidas e tentando resolvê-las, poderiam, de maneira negativa, terminar roubando, acreditando que desta maneira resolveriam seus problemas econômicos. Quando o ladrão se apresentava no tribunal e alegava não ser capaz de reembolsar o montante roubado, ou quando um devedor declara não ser capaz de reembolsar os empréstimos que realizou, poderiam chegar a um acordo indicado na Torá: a escravidão. Não se trata do tipo de escravidão que existia com os africanos nas Américas, ou a atual escravidão ‘branca’. Nem mesmo era uma escravidão econômica, no sentido de que o empregado estava vinculado permanentemente ao seu trabalho, sem qualquer possibilidade real de se sair dele ao longo de sua vida. A Torá fala de um conceito do qual alguém está disposto a pagar suas dívidas através de seu serviço por seis anos. A Torá obriga o ‘mestre’ do devedor reabilitá-lo por seis anos, ensiná-lo a ser produtivo e gerir adequadamente os seus ativos, de modo que quando seja libertado ao final dos seis anos, possa saber administrar uma vida honesta, sem precisar se meter em problemas novamente.

Esta condição de “escravidão” era tão boa que a Torá prevê a possibilidade de que, após seis anos, o escravo não queira deixar seu mestre, porque está “satisfeito”. Pois não apenas resolvie todas suas dívidas, mas também vive uma vida sem responsabilidades financeiras, uma vez que o mestre lhe fornece comida e abrigo, tanto para ele quanto para sua esposa e filhos. A Torá diz, então, que o escravo pode optar por ficar neste estado até o ano do jubileu. E então no Jubileu, um novo começo toma lugar. O escravo deve sair, já não é mais uma opção, e assim, reconstruir sua vida em liberdade. O mestre fornece um fundo que lhe permite começar com o pé direito e o escravo, como pessoa livre, retorna à sua herança.

A Shmitá Atual

Vemos, portanto, que o Jubileu representa nossa ligação indiscutível com a Terra da Profecia que herdamos de nossos antepassados.
Em menor escala, a cada sete anos e em um ciclo fixo, que começou, de acordo com Maimônides (com base em textos rabínicos), no ano 2510 da criação (3.265 anos atrás), se contava sete shmitot para chegar ao Jubileu, e assim (no ano 51), recomeçava o próximo ciclo. Tudo isso quando o povo estava habitando Israel, cada um na sua terra de herança. Quando as pessoas foram exiladas por Senaqueribe de suas terras, e o resto, mais tarde, por Nabucodonosor para a Babilônia, deixaram de vigorar os mandamentos de Shmitá e o Jubileu.

Esta é, portanto, uma condição básica: o povo deve estar habitando a Terra de Israel e cada tribo e cada família em sua herança. Desta maneira, hoje, quando cumprimos o mandamento de Shmita não estamos cumprindo o preceito bíblico, mas sim o preceito rabínico que nos ordena a continuar praticando ambos mandamentos, para, assim, quando cada estiver de volta ao seu lugar, estivermos preparados.

Mesmo assim, adequar o cumprimento dos preceitos da Shmita para as condições atuais, é muito difícil. Os agricultores se envolvem em convenções internacionais para fornecer produtos agrícolas a cada ano, e os clientes nem sempre estão dispostos a aceitar que, durante o ano sabático não receberão o produto. Muitos agricultores dependem de cada dia de trabalho duro no campo para sobreviver, e se são forçados a abandonar esta fonte de renda por um ano inteiro, deixam a agricultura para buscar outros meios de subsistência.

Desta maneira, e uma vez que este comando não possui atualmente seu verdadeiro valor bíblico, se permite haláchicamente (ou seja, de acordo com a lei rabínica) muitas atividades, para que, assim, os agricultores possam cumprir as suas obrigações internacionais e também com o preceito de Shmitá. Também existe como solução haláchica, embora algo que nem todas as opiniões aceitam, as vendas dos campos para um não-judeu, para que estes trabalhem durante o ano sabático. Ainda assim, é feito em condições muito especiais de trabalho, supervisionadas pelo tribunal.

Nos mercados de Israel podem ser vistos, ao longo deste ano e do ano que se segue, as indicações de que os produtos foram produzidos sob a supervisão dos tribunais rabínicos.

Existem diferentes pontos de vista sobre quais as prioridades nas orientações que se deve seguir em relação aos alimentos este ano, e eu transmito a vocês aquela que recebi de meus professores, e a qual, uso na minha casa.

Primeiro estão os alimentos cultivados sob a supervisão dos tribunais, que possuem as virtudes espirituais que mencionamos acima.

Em segundo lugar, aquelas que cresceram em estufas ou plataformas desconectadas diretamente da terra.

Em terceiro lugar, as frutas cultivadas no sul de Israel, lugares que não estavam nos territórios de Israel na conquista de Josué e, portanto, não possuem o mesmo nível que os outros que sempre estiveram sob o domínio de Israel.

Em quarto lugar, os produtos importados, quando o produto não existe em Israel.

Em quinto lugar, os produtos de campos vendidos a não-judeus.

E, finalmente, como última opção, os produtos importados, apesar de ser possível encontrar os mesmos produzidos localmente.

Benefícios espirituais

É claro que o mandamento se aplica somente ao Ano Sabático em Israel, na Terra da Profecia. Nenhum outro país no mundo tem esse privilégio. Como já dissemos, é a Terra da Aliança, que possue suas condições especiais e seus comandos especiais. O cumprimento do mandamento de Shmitá, sendo cumprido da melhor maneira possível, traz a todo o país uma bênção especial, aumentando a produção agrícola, como nos promete a Torá no mesmo capítulo 25 de Levítico, e como vêm experimentando um número cada vez maior de agricultores em Israel.

Devidamente cuidando da nossa herança e cumprindo nossos deveres para com ela, aproximamos cada vez mais o momento que poderemos desfrutar de todas as suas vantagens, tornando a Santidade não mais uma palavra rara, exótica ou mesmo negativa, como pode significar a muitos de nossos vizinhos, mas sim algo palpável, agradável e maravilhoso.

Habituar-se ao uso correto dos frutos neste ano de Shmitá, torna os benefícios espirituais mais acessíveis. Não podemos desperdiçar esta oportunidade!!

Shana Tova! Feliz Ano Novo!

Iom Kipur

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E falou o Senhor a Moisés, dizendo: “Mas aos dez dias desse sétimo mês será o dia da expiação, tereis santa convocação, e afligireis as vossas almas; e oferecereis oferta queimada ao Senhor.E naquele mesmo dia nenhum trabalho fareis, porque é o dia da expiação, para fazer expiação por vós perante o Senhor vosso D’us. Porque toda a alma, que naquele mesmo dia não se afligir, será extirpada do seu povo. Também toda a alma, que naquele mesmo dia fizer algum trabalho, eu a destruirei do meio do seu povo. Nenhum trabalho fareis, estatuto perpétuo é pelas vossas gerações em todas as vossas habitações. Sábado de descanso para vos será, então afligireis as vossas almas, ao nono dia do mês à tarde, de uma tarde a outra tarde, celebrareis o vosso sábado”. (Levítico 23:26-32)

O dia anterior ao Yom Kipur é um dia de preparação para o jejum:

• deve-se separar o dinheiro para a caridade e levá-lo para a sinagoga aonde distribuirão entre várias instituições, seja de caráter religioso ou social.
• Uma vez que o Yom Kipur não expia os pecados cometidos uns contra os outros, a menos que a parte lesada tenha concordado em perdoar o autor do delito, este dia deve ser considerado “a data limite” para a reconciliação entre duas pessoas e para expressar arrependimento e pedir perdão. Não há diferença se o ato foi cometido através de coisas materiais ou por um insulto verbal. D’us não perdoa a não ser que a parte prejudicada tenha perdoado. De qualquer maneira, a pessoa que foi prejudicada deve sentir que é a sua obrigação conceder o perdão de todo o coração. Se teimosamente persistir na recusa, este é considerado cruel, por não ter se comportado como um filho digno do povo de Israel.
• A comida à noite, antes do jejum deve ser festiva. No entanto, não deve-se comer demais ou comer qualquer coisa que possa causar sede, pois isso tornaria o jejum ainda mais difícil.
• Antes de sair de casa para ir à sinagoga é costume que os pais abençoem seus filhos.

§ A Torá especifica que o jejum deve começar no nono dia do mês, ou seja que o Yom Kippur, na verdade, começa antes do pôr do sol, quando ainda há luz. E somente termina no anoitecer do dia seguinte. Esta “noite” não é o pôr do sol, e sim um pouco mais tarde, quando aparecem estrelas no céu. O tempo de espera depende da latitude geográfica (na parte sul da América do Sul estrelas geralmente aparecem no céu, em torno de 40 minutos após o pôr do sol).

§ O preceito bíblico “afligireis as vossas almas” é observado com um jejum total e completo, abstendo-se de toda a comida e bebida durante todo o período (aproximadamente 25 horas).

§ No que diz respeito a trabalhar, o Dia da Expiação segue as mesmas regras que o Shabat de todas as semanas, com as mesmas exceções do Shabat para caso a vida de uma pessoa esteja em perigo. O que é proibido no Shabat é proibido no Yom Kipur! Como está proibido jejuar no Shabat, uma vez que diminui a alegria deste dia especial, todos os outros jejuns que coincidirem com o Shabat são adiados ou antecipados para o domingo, ou para a quinta-feira; mas se o Yom Kippur coincide com o Shabat, deve-se jejuar neste dia e “afligir a alma”. Alguns explicam que jejuar com o próposito de expiação não contradiz as exigências do Shabat. Outros simplesmente acreditam que o Yom Kipur tem prioridade e baseam a sua opinião no fato de que Yom Kipur é chamado de “Shabat Shabaton”, o Shabat dos Shabat!

§ A Lei Oral nos ensina que, além da proibição de comer e beber, o preceito de “afligireis as vossas almas” significa também, sanções menos severas, como se lavar e banhar, ungir o corpo, usar sapatos (aplica-se apenas a sapato de couro) e ter relações sexuais.

§ Usar o vaso sanitário é proibido se o faz por prazer (shel ta’anug). Se for para limpar o corpo ou ao se levantar pela manhã, é permitido (kedarcó).

§ Uma pessoa que está doente ou cujos pés lhe doem, pode usar sapatos normalmente.

§ Crianças menores de nove anos de idade não têm permissão para jejuar, pois pode lhes ser prejudicial à saúde. A partir dos nove anos devem ser gradualmente acostumados a jejuar, cada vez mais por mais tempo, até conseguirem jejuar completamente. Meninas maiores de doze anos de idade e garotos maiores de treze, jejuam normalmente, como qualquer adulto.

§ O Yom Kipur pode ser profanado apenas por algum motivo de doença grave. O desejo expresso pela pessoa doente ou a opinião do médico devem ser os fatores determinantes para a concessão de tal dispensa. Em tais casos, a decisão deve ser tomada uma rabino.

§ Uma mulher que está dando à luz (desde o momento que começa a sentir as dores do parto) e durante os três primeiros días depois do nascimento, não está permitida jejuar, mesmo se insiste em fazê-lo. Do terceiro ao sétimo dia após o nascimento pode jejuar se quiser, mas pode, também, quebrar o jejum, caso sinta necessidade.

§ A reza que abre o Yom Kipur, é chamada de Kol Nidrei (todas as promessas) e possui um grande significado histórico e emocional. Assim como a reza que encerra o jejum, que é chamada de Neilá, que significa “fechamento”. Fora quando a pessoa volta para casa para descansar ou dormir, todo o período é dedicado a orações e preces.

§ O uso de roupa branca em Yom Kippur – roupas, vestido branco (kittel), chapéu branco – é para lembrar as mortalhas brancas (tachrichim) com as quais são enterrados os mortos, de acordo com o costume judaico, e assim despertar o coração do povo. O branco representa também a pureza e simboliza a promessa profética: “ainda que os vossos pecados sejam como a escarlata, eles se clarearão como a neve” (Isaías 1:18).

§ A conclusão do Yom Kipur é marcada por um toque único e prolongado do Shofar, que simboliza a “Quando soar prolongadamente o som do shofar…” (Êxodo 19:13), que marca a conclusão da Revelação no Sinai. Também para recordar a comemoração que se fazia com o shofar em Yom Kipur no início do ano Jubileo.

§ Depois de Yom Kipur, deve-se começar a se preparar para a festa de Sucot, quatro dias depois, construindo uma sucá e adquirindo as quatro espécies: lulav, etrog, hadas e arava.

Texto extraído do livro “El Ser Judío” por David Hayim Halevi Donin

Não Perder a Cabeça em Purim

file_0Os conselheiros, e a mulher, de Haman, lhe disseram: “Se Mordechai é a semente dos Yehudim… você vai cair diante dele” (Ester 6:13). Este verso é, superficialmente, incompreensível: os conselheiros dizem “caso ele seja da semente dos Yehudim…”, parece que existe uma dúvida se Mordechai é mesmo um Yehudi, embora conheçamos a história de que o decreto para matar todos os judeus, se materializou, precisamente, pois este próprio Mordechai recusou-se a se curvar perante Haman (ibid. 3: 6). Sendo assim, como se explica que tanto sua esposa quanto seus conselheiros, falavam com Haman, como se não tivessem certeza da linhagem de Mordechai?

Para responder esta questão, devemos voltar para a história do primeiro pai desta nação, Avraham Avinu. D´us ordena a Avraham a circuncidar-se, mas ao invés de fazê-lo imediatamente, Avraham foi se aconselhar com três de seus amigos mais próximos. Dois deles sugeriram que ele não o fizesse e, apenas o terceiro disse-lhe para não se preocupar e cumprir com a ordem do Criador, sem medo (Bereshit Rabá 42:8). Isso é muito intrigante! Em primeiro lugar, por que Avraham resolve se aconselhar quando recebe esta ordem, algo que não o faz em nenhuma dos demais comandos que recebe de Dús?! E uma vez já pedido o conselho, por que Avraham não escuta a maioria de seus amigos e não circuncida-se?

Consideremos, antes, a situação que precede a este Comando Divino: o Criador havia realizado um pacto com Avraham, o famoso, “Brit Ben HaBetarim”. Este mesmo criador de todo o Universo o “convidou” a uma aliança, aonde Deu Sua palavra, lhe prometeu proteção, e lhe garantiu uma porção no Mundo Vindouro (Rashi, Bereishis 15: 1). O sentimento mais natural naquele momento seria de orgulho e presunção! Ele havia acabado de assinar um acordo com, nada mais e nada menos, que o Todo-Poderoso! Lhe foi garantido tudo o que é mais importante, tanto no âmbito físico como no espiritual. O que mais ele poderia querer? Como podia sair desta embriaguez que, certamente, lhe abateu após sentir tamanho êxito? Avraham não “perdeu a cabeça”, manteve a cabeça baixa e foi pedir um conselho, como dizendo: “Eu não sou importante”, pois o menor necessita conselhos. Ou seja, a Avraham não foi permitido se tornar arrogante. A prova é que Avraham não foi se aconselhar, por necessidade, e sim para humilhar-se, uma vez que ignorou a opinião da maioria. Isto mostra, que seu único interesse era diminuir-se em seus próprios olhos e não sentir-se importante. Portanto, o “conselho” de seus amigos é completamente irrelevante (pois de qualquer maneira ele tinha a intenção de realizar a vontade do Todo-Poderoso, como o fez toda a sua vida), o importante para ele, era, na verdade, o ato de pedir um conselho.

Voltando a Haman, assim lhe disseram, sua esposa e seus conselheiros: “Caso Mordechai seja um verdadeiro descendente de Avraham, que se rebaixou, de modo a não ficar convencido, então você não poderá ir contra ele… no entanto, se ele é como qualquer outro homem, que depois de ser exaltado e elevado, por ter usado o cavalo e as roupas do rei, se enche de orgulho, com certeza você poderá ir contra ele, que, você prevalecerá”. A realidade era que Mordechai sabia que o segredo era não deixar o sucesso subir à cabeça, assim como nossos Sábios que, após desfilar pela cidade como um herói, ele voltou a vestir seu saco (uma roupa que desperta a Teshuva – despertar espiritual) e voltou a jejuar (16a – Tratado de Megilá). Em outras palavras, Mordechai não se vangloriou de sua nova posição.

Uma boa semana e um Feliz Purim!!

Extraído da Drashá do Rabino Michael Perets