Parasha da Semana – Bamidbar

Fé, ações e esperança são os valores que nossos jovens devem receber.

A família e a escola se preparam para receber a Torá

Gostaria de compartilhar convosco a visão do Prof. Shalom Rosenberg, diretor do Departamento de Filosofia Judaica da Universidade Hebraica de Jerusalém, sobre o que é o judaísmo no século XXI. Este filósofo considera que o judaísmo hoje é constituído por um triângulo em cujas pontas há três palavras em hebraico: uma delas é a palavra Emuná, fé, a segunda é Mitzva, que é uma palavra intraduzível, semelhante ao conceito de boa ação, e o terceiro é Tikva, esperança.

Essas três palavras descrevem todo o modelo de educação e a razão da vida, baseada no fato de sermos criaturas tridimensionais.

Em cada geração, descobrimos que o triângulo está em oposição a outros três conceitos:
A fé está em luta com a dúvida.
A mitzva está em luta com a tentação.
A esperança está em luta com o desespero.

Toda vida humana é uma luta nessas três frentes. Inicialmente, dizemos à criança que lute contra a tentação: não aceite doces de estranhos, é uma primeira luta da criança. e todos sabemos que é uma luta até a velhice, quando não podemos comer o pedaço de bolo que queremos comer. É uma luta entre o que devemos fazer, o dever, e a tentação.

O tempo passa, o jovem chega à universidade e é aí que a luta entre fé e dúvida aparece, a luta entre o que faz sentido no mundo e o que não faz sentido; nessa luta o povo judeu perde muitos dos melhores membros.

Por fim, a mais importante das lutas é uma luta que sempre nos acompanha, entre esperança e desespero. Quando nos deparamos com o fato de uma pessoa que aparentemente tinha tudo, cometer suicídio, percebemos o que significa essa luta.

Toda a educação se baseia no fato de dar poder à pessoa: poder de resistir a ataques, inimigos externos, e também de combater a tristeza, contra os problemas internos que ela possa ter em si mesma.

Acreditamos que fé, ações e esperança são os valores que nossos jovens devem receber.

A linguagem dos arquétipos não tem idioma. Na escola, pode ensinar-se uma língua como o hebraico, o que não se pode dar são aquelas imagens que a criança judia vê em casa, por exemplo, quando sua mãe acende as velas na véspera de Shabat, quando o pai faz kidush, ou quando se comemora um chag. Essa é uma linguagem que é muito mais importante do que as línguas articuladas que temos, são arquétipos, algo que afeta muito profundamente dentro do nosso inconsciente. Não podemos sequer pensar, ter a audácia de acreditar que é possível que a escola substitua a família. Erich Fromm disse que a missão mais importante da mãe é levar a criança a Eretz Israel, à terra que mana leite e mel. Quer dizer, dar-lhe o gosto pela vida, o amor pela vida, e é algo que não pode ser feito de forma alguma através de outra pessoa. Essa possibilidade de arquétipos faz parte da educação que só pode ser ensinada em casa. Há problemas na família e precisamos aprender que talvez a escola precise tentar resolver alguns desses problemas.

A Torá nos diz: E não somente convosco faço esta aliança […], mas com quem está aqui connosco hoje diante do Senhor nosso De’s, e também com quem não está aqui hoje (Deuteronômio 29: 13 e 14). Estávamos todos no Sinai. A entrega da Torá foi direcionada aos ouvidos de cada um de nós. Cada um de nós deve considerar-se como um destinatário direto da dádiva constituída pelas histórias, leis e experiências da Torá. Imaginem-se lá no Sinai. São jovens, carregam um bebê ao colo ou são uma anciã no final de seus dias? Foram diretos do trabalho, com a calça manchada de tinta, ou com o terno que usam no escritório?

Queremos que as crianças sintam que também estavam no Sinai, para que possam se apropriar da Torá, das histórias e das leis.

A experiência teatral de Moisés descendo a montanha até alcançar as crianças que estão em baixo, esperando por ele, é maravilhosa, sempre que a compreensão duradoura do que exatamente Moisés está trazendo da montanha esteja inserida na experiência geral dos pequenos. A crença fundamental de que cada um de nós esteve no Sinai é um dos pilares da identidade judaica. Toda vez que uma história da Torá é compartilhada, ou uma mitzva é cumprida, ou um valor judaico é identificado e tecido na estrutura geral da vida, estamos cumprindo a missão.

Mais uma vez, tudo pode ser expresso na frase «isto é o que Moisés trouxe da montanha para você». Todos sabemos o modo básico de pensar de uma criança pequena: o meu é meu e o seu também é meu… Podemos aplicar esta teoria à Torá. Esta história é sua. De’s deu-a a você no Monte Sinai. Para você, para você e para você.

Se, como pais, conversarmos com nossos filhos sobre as mitzvot, mesmo que seja para as questionar, os nossos filhos se apropriarão da Torá e começarão a sentir que estavam no Sinai. Então, quando Shavuot vier e recriarmos o facto de estarmos no Sinai, as crianças poderão dizer: «É claro que eu estava no Sinai. Todas essas histórias já são minhas»

Edith Blaustein

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