Parasha Da Semana – Behar – Bechucotai

Roguemos para que a paz também chegue a Jerusalém!

Ierushalaim, a porta dos Céus

Encontramo-nos novamente perante uma parasha dupla. Na primeira parte, De’s diz a Moisés que, quando alcançarem a terra prometida, esta deve observar um Shabat a cada sete anos. Durante esse sétimo ano, não se plantará nem se farão colheitas nem podas, e somente o que crescer por si só poderá ser consumido. A cada cinquenta anos haverá um ano de jubileu durante o qual, além de se proceder do mesmo modo que no sétimo ano, as pessoas poderão voltar para as suas terras. Behar termina dizendo que não devemos fazer ídolos e devemos respeitar o Shabat.

Em Bechucotai, a Torá fala-nos sobre as bênçãos que receberemos se guardarmos as mitzvot, e as coisas ruins que nos acontecerão se não as obedecermos.

A parashá Bechucotai começa dizendo: Se nas minhas leis andardes e os meus preceitos guardardes e os fizerdes (…) darei paz à terra, e vos deitareis, e não tereis medo (…) e espada não passará pela vossa terra.

Se o povo de Israel cumprir os preceitos divinos, o Altíssimo dará bem-estar físico, mas também espiritual, na terra de Israel que, diferentemente de qualquer outro lugar no mundo em que os judeus vivam, tem um caráter tridimensional.

Na diáspora vivemos em duas dimensões, as coisas importantes acontecem lá, ao longe, não onde nós estamos.

Diz Simão, O Justo, em Pirkei Avot: Sobre três elementos está o mundo alicerçado: a Torá, a Avodá e o Guemilut Chassadim. A Torá é simbolizada pelo estudo, podemos considerá-la um vetor que parte do céu em direção à terra. A Avodá, que é interpretada como o trabalho da alma, isto é, a oração, é um vetor que parte dos homens para De’s. A terceira dimensão, em que as setas olham uma para a outra, está relacionada com a Guemilut Hassadim, o amor do homem pelo seu próximo.

A vida na terra de Israel e, especialmente, em Ierushalaim, tem uma terceira dimensão. Jerusalém é a porta do céu. Diz-se que Jerusalém é uma cidade she chuvera la iachdav, que faz com que todos sejam chaverim, amigos. (Chaguigá 21a). A amizade de uma vida cheia de valores e boas ações.

Ao celebrar Iom Ierushalaim, celebramos o lugar onde se vive nas três dimensões, no aqui e agora e na esfera espiritual, os três vetores estão totalmente presentes.

Roguemos para que a paz também chegue a Jerusalém, já que esta é a porta do céu. Não apenas para o povo judeu, mas para toda a humanidade, como nos é prometido nesta parasha e como diz o Profeta Isaías (2: 3 e 4): Porque os povos andarão, e dirão: – Vinde e subamos ao monte de De’s para que Ele nos ensine os Seus caminhos (…) então a Lei de Sião e a palavra de De’s virão de Ierushalaim (…) e eles quebrarão suas espadas, para fazer delas arados (…) não levantará a espada nação contra nação, nem aprenderão mais a guerra.

Para os mais pequenos

Geralmente, a palavra paz expressa a esperança de relações estáveis ​​entre países, nações e exércitos. A paz é a esperança da humanidade. O rabino Abraham Ibn Ezra, no seu comentário, acrescenta apenas duas palavras: «entre vós». Duas palavras com muito significado e profundidade. A aspiração pela paz é correta, humana e verdadeira. Mas a primeira etapa para a atingir é que a paz esteja entre nós. Não pode haver paz com todos se não houver paz entre nós, em nossos lares.

A paz começa cá dentro, na família, nos amigos, e e a partir daí estende-se e vai abrangendo círculos externos, até atingir o mundo inteiro.

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