Parasha Shmini – A raiz do mal no mundo e Yom HaShoa

Fomos escolhidos para trazer o mundo a um estado de pureza. Está em nós consegui-lo.

A raiz do mal no mundo e Yom Hashoá

Nas próximas parashiot da Torá, Tazriá e Metzorá, fala-se da situação do leproso, para quem apenas o Cohen Hagadol (sumo sacerdote) poderia decretar seu estado de pureza ou impureza.

É impressionante que o homem seja declarado impuro por ter uma porção de pele com lepra, mas no momento em que o corpo do leproso estava completamente branco, sem sinal de carne saudável, nesse momento o Cohen Gadol deveria decretar o homem puro.

Num sentido simbólico, as doenças de pureza e impureza estão relacionadas com os reinos que subjugaram o povo de Israel; assim, a lepra simboliza Edom, descendentes de Esav, Amaleque e Hamã, até chegar aos nazistas.

A lepra é o símbolo do mal, da morte, da anulação do homem.

O famoso rabino Rabi Yehuda Loew ben Betzalel, conhecido como o Maharal de Praga, que viveu no século XVI, fala-nos sobre isso: «Quando o mal vem de De’s, pois não há maldade que possa vir do Altíssimo, ele apenas vem para anular a maldade no mundo, é por isso que De’s envia a maldade ao mundo. »

No nosso mundo há muito mal, mas isso não vem do Santo, Bendito Seja, diz-nos o Maharal, mas da loucura dos homens, e, se vem de De’s, o seu objetivo é anular a maldade existente no mundo.

Essa visão reflete-se na fisiologia: uma vacina é extraída da própria doença e, quando um ser humano é inoculado com ela, ele cria anticorpos que o defendem da própria doença.

Estamos na véspera de Yom Hashoá; O mal que os nazistas trouxeram ao mundo foi produto de sua insanidade e não da vontade divina. Eles perseguiram até ao último judeu, pois sua intenção era a «solução final», onde cada judeu representava a eternidade de Israel e tinha que ser eliminado. Quando o mundo inteiro se transformou em maldade, como o corpo do leproso quando ficou todo branco, naquele momento de escuridão absoluta para o mundo, a restauração estava se formando, com a criação do Estado de Israel, «princípio da nossa Redenção».

Na luta pela eternidade, com a qual o povo judeu se depara em todas as gerações e na Shoa, devemos apelar especialmente à eternidade simbolizada em Jerusalém. Que De’s nos dê forças para dar testemunho e não esquecer a Shoa, e que com essa força nos preparemos para a restauração de Yom Haatzmaut e Yom Yerushalaim, para que saibamos que «não há mal que venha do Altíssimo, e apenas vem para anular o mal no mundo».

Por nossa vontade, ou não, fomos escolhidos para tornar conhecido o Netzach Israel, a Eternidade de Israel no mundo, e trazer o mundo a um estado de pureza. Está em nós consegui-lo.

Edith Blaustein

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