Parashat Ree

A bênção no monte Guerizim e a maldição no monte Eval – Retirado do livro Ideas de Debarim, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Os nossos sábios comparam o pecado do bezerro de ouro com uma noiva que é infiel ao seu marido logo após sair da chupá (pálio nupcial).

O povo de Israel acabava de ouvir os Dez Mandamentos da boca de De’s e aceitou transformar-se no povo de De’s. Quarenta dias depois, perante o atraso de Moisés, o povo decide fazer um ídolo pagão e prostrar-se perante ele.

Se foi assim quando Moisés se ausentou apenas quarenta dias, o que acontecerá quando se ausentar para sempre?

Em Devarim 4: 22-23. Moisés adverte o povo sobre isso claramente: Eis que eu morrerei nesta terra sem poder atravessar o rio Jordão, enquanto vós atravessareis e herdareis toda essa boa terra. Cuidai de não esquecerdes o pacto que o Eterno vosso De’s estabeleceu convosco! E de não fazerdes para vós imagens esculpidas, tal como foi ordenado pelo Eterno, vosso De’s.

E volta a sublinhar isto mesmo no começo da nossa parashá: Vede, ponho perante vós a bênção e a maldição. A bênção será efetiva se cumprirdes os mandamentos do Eterno vosso De’s que eu hoje ponho perante vós; e a maldição virá se não cumprirdes os mandamentos do Eterno vosso De’s e vos afastardes do Seu caminho para irdes atrás de outros deuses que não conhecestes.

É por isso que Moisés volta a ler todo o pacto nas montanhas de Moav antes de morrer, mas o povo ainda não responde.

Depois Moisés ordena-lhes (Devarim, 27:4-8) que, ao atravessarem o Jordão, quando estiverem no monte Guerizim, deverão escrever todas as palavras da Torá em pedra e fazer ali um altar e oferendas ao Eterno.

Como já foi dito antes, no monte Guerizim deveriam colocar-se seis tribos, e no monte Eval as outras seis restantes. No Vale dos Levitas serão lidas as bênçãos, olhando na direção do monte Guerizim (que tem uma vegetação frondosa), e as maldições, olhando na direção do monte Eval (que é árido e rochoso). Ao ouvir todas e cada uma das bênçãos para quem respeita os mandamentos e o pacto com De’s, e cada uma das maldições para quem transgredir, todo o povo deverá deverá responder: Ámen. Desta forma, o povo estará a dar o seu consentimento e a renovar o pacto com De’s.

Se prestarmos atenção, está a ser recriada a mesma situação do monte Sinai, onde Moisés desceu com as duas tábuas de pedra onde estavam escritos os mandamentos de De’s e De’s faz o pacto com o povo. O povo aceita e, a continuação, é construído um altar para fazer oferendas a De’s.

Mas, diferentemente do que ocorreu no monte Sinai, desta vez, nos montes Guerizim e Eval, apesar de os mandamentos de De’s serem gravados sobre pedra, de haver um pacto, de o povo dar o seu consentimento e de depois ser construído um altar para fazer oferendas a De’s, tudo tal como aconteceu no Sinai, aqui haverá uma pequena grande ausência: Moisés.

O objetivo é que o povo reafirme o pacto com De’s, mas que Moisés não seja indispensável, para que não se corra o risco de que, estando ele ausente, o povo cometa idolatria.

Ao contrário do que aconteceu no monte Sinai, onde todo o povo fez o pacto com De’s e quando Moisés se ausentou o povo violou o pacto, agora, nos montes Guerizim e Eval, o povo estabelecerá o pacto com De’s só depois de Moisés já não estar com eles.

Este é o desafio que o povo de Israel tem perante si. A renovação do pacto deverá ser efetuada apenas depois de já terem entrado na terra de Israel, e deverá ser feita sem Moisés. Desta forma não se correrá o risco de voltarmos a cometer idolatria na ausência do nosso mestre Moisés.

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