Parashat Beshalaj-Lições para aprender

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Lições para aprender

De’s fê-los voltar para que assim o faraó saísse em sua perseguição. Dessa maneira, depois de De’s lutar contra o faraó e o derrotar, o povo de Israel estaria totalmente libertado do Egito, pois já não teria que regressar ao fim de três dias como Moisés tinha dito ao faraó.

As súplicas do mar vermelho

Quando estão na margem do mar vermelho, não é que De’s não tenha ouvido as suas súplicas, mas sim que por vezes De’s considera que a melhor solução não é a solução fácil e momentânea, ou seja, que o faraó se afaste e os deixe em paz, mas sim que será melhor para eles que se enfrentem, e, dessa maneira, a solução será definitiva e/ou melhor.

Neste caso, o facto de que todo o exército do Egito se tenha destruído tornou possível que a salvação de De’s fosse melhor e mais duradoura, pois se De’s tivesse acedido ao seu pedido de afastar o exército egípcio, o medo perante a possibilidade de o Egito os poder perseguir a qualquer momento continuaria latente.

Ki Ani Hashem Rofecha

Os preceitos que De’s nos ordena não são como os decretos de um rei, que geralmente ordena para seu próprio proveito; os preceitos de De’s parecem-se mais às receitas médicas, nas quais o médico ordena ou prescreve algo, não para seu próprio proveito, mas sim para o bem do paciente. Dessa mesma maneira, De’s dá-nos a Torá para o nosso próprio benefício, para curar a nossa alma, e, assim como há coisas que o médico ou o farmacêutico nos dizem e nós não entendemos (mas fazemo-las na mesma), do mesmo modo, há preceitos divinos que não entendemos à primeira vista, ou não entendemos como esse preceito nos beneficia, mas, apesar de não o entendermos, ele beneficia-nos na mesma, tal como no caso do remédio, em que apesar de não entendermos a sua composição ou como funciona, não por isso deixa de fazer efeito.

Se agudizarmos mais a mente, notaremos que no versículo não diz que não vamos ter Makot — golpes, pragas —; diz que as Makot que De’s lançou no Egito não as vai lançar sobre nós. Porque as pragas do Egito tinham como objetivo a destruição. O que nos está a dizer é que não vai trazer sobre nós esse tipo de pragas e doenças, porque as Makot que vai trazer sobre Israel serão como os tratamentos médicos, que, apesar de poderem doer um pouco, servem para nos curar, como quando recebemos uma injeção ou temos que tomar um remédio amargo. Assim, os “golpes” que De’s nos envia são para refletirmos e para nos darmos conta de que estamos a ir por um caminho errado, para voltarmos ao caminho correto.

Haim Iesh Hashem Vekirvenu

Pode ser que a intenção quando disseram Haim iesh Hashem vekirvenu im ain — “Por acaso De’s está connosco ou não?” — se refira a que o povo suspeitava que quem estava a fazer e a dirigir tudo era Moisés e que, de cada vez que se enganava ou que não calculava bem e se deparava com problemas, então Moisés dirigia-se a De’s para que o ajude enviando-lhe algum milagre. Então o povo quer saber se De’s está com eles ou não, pois De’s tem que saber e predizer o que acontecerá e assim evitar os problemas e a necessidade de que aconteça um milagre.

Não necessariamente temos que dizer que Amalek vem como resposta a isto, pois podemos dizer que este versículo é o resumo do que aconteceu no parágrafo anterior, que é o que se vê da literalidade do texto.

Aparentemente, o facto de Moisés ir até ao Sinai e tirar ali água, não vai solucionar a dúvida do povo sobre se é De’s ou Moisés quem os conduz. A resposta a este assunto tê-la-ão em Maamad Har Sinai, e, por isso, Moisés desloca-se até ali para tirar água, como querendo dizer que aí, no Sinai, vão ter resposta a este assunto.

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