FUNDAMENTALMENTE FREUND: CONSTRUAM UM MUSEU DA ALIÁ

MICHAEL FREUND

De fato, se olharmos para os últimos 70 anos, fica evidente que alguns dos momentos mais emocionantes de nossa nação foram aqueles que envolveram o resgate das comunidades judaicas da diáspora.

Nos anais da história judaica moderna, poucas histórias são tão épicas ou tão inspiradoras como a da reunião dos exilados dos quatro cantos da terra.

Desde o renascimento do Estado de Israel em 1948, mais de 3,2 milhões de imigrantes chegaram às praias da Terra Santa, de mais de 100 países de todo o mundo. Alguns vieram para cá fugindo da perseguição. Outros vieram motivados pelo sonho sionista ou convicção religiosa, ou animados pela esperança de criar uma vida melhor para si e suas famílias.

E, no entanto, embora Israel tenha sido construído através de aliá e continue a ser construído por ela, estamos a falhar na preservação adequada da notável história do retorno contínuo à nossa terra ancestral.

E é por isso que acredito que chegou a hora de o Estado Judaico erigir um museu da Aliá, que encapsulará o drama e o heroísmo, o cumprimento e o orgulho que acompanharam o retorno histórico a Sião.

De fato, se olharmos para os últimos 70 anos, fica evidente que alguns dos momentos mais emocionantes de nossa nação foram aqueles que envolveram o resgate das comunidades judaicas da diáspora. No entanto, em que medida a geração mais jovem conhece ou aprecia plenamente essas histórias extraordinárias?

Tomemos, por exemplo, a Operação Tapete Mágico, quando a maior parte dos judeus iemenitas, quase 50 mil pessoas, foi levada para Israel entre junho de 1949 e setembro de 1950.

Essa aliá em massa de uma antiga comunidade judaica começou antes mesmo da assinatura do primeiro acordo de armistício na conclusão da Guerra da Independência. Mas, apesar do conflito e da ameaça existencial que o Estado judeu enfrentou de seus vizinhos, Israel salvou esse precioso remanescente de nosso povo e o trouxe.

E depois houve a Operação Esdras e Neemias, quando mais de 120.000 judeus iraquianos imigraram para Israel. de 1951 a 1952, deixando para trás a Babilônia, onde os judeus foram primeiro exilados há mais de 2.500 anos pelo ímpio Nabucodonosor.

Cada uma dessas jornadas incorpora elementos poderosos da história e do anseio judaico, empreendidas em momentos de perigo a partir de um sentimento inquebrantável de solidariedade judaica e responsabilidade mútua. Esses valores não merecem ser promovidos?

O mesmo vale para o resgate do judaísmo etíope nas operações de Moisés e Salomão em 1984 e 1991, respetivamente. Quem pode esquecer a tensão que encheu o ar em 24 de maio de 1991, quando os rebeldes etíopes estavam prontos para atacar Addis Ababa com o objetivo de derrubar o brutal ditador Mengistu Haile Mariam, e o medo aumentou para os milhares de judeus etíopes presos na cidade?

Cerca de 36 horas depois, o mundo ficou surpreso ao saber que Israel havia conseguido resgatar os judeus, transportando mais de 14.000 para o estado judeu usando aviões de transporte militar C-130 e Boeing 747. Foi a primeira vez na memória recente que um país ocidental trouxe milhares de africanos, não com cadeias de escravidão, mas com laços de irmandade.

Houve outras valentes operações, que foram quase esquecidas, como a Operação Goshen, na qual 10.000 judeus egípcios foram contrabandeados do Egito de 1948 para 1953, e a Operação Yachin, quando o Mossad trouxe quase 100.000 judeus marroquinos em aliá de 1961 a 1964.

E houve também a Operação Cigar, na década de 1990, quando centenas de judeus cubanos foram para Israel. E a Operação Menashe, na qual a Shavei Israel, a organização que presido, trouxe em aliá cerca de 4.000 membros da tribo perdida de Bnei Menashe da Índia nos últimos 15 anos.

Essas histórias e outras como elas, como os prisioneiros de Sião, que resistiram à União Soviética e exigiram liberdade, merecem mais do que apenas serem comemoradas em livros, selos ou artigos de jornais. Um museu nacional de aliá, rico em vídeos, histórias pessoais e artefactos, poderia servir como uma ferramenta inestimável para fortalecer o compromisso da nação de encorajar e absorver futuros imigrantes.

Serviria como um portal para o passado, abrindo os olhos de muitos israelenses e lembrando-os dos sacrifícios e determinação daqueles que vieram para estabelecer a Terra.

Afinal, os museus não são apenas um repositório da memória coletiva de uma nação, mas um veículo para moldar seu futuro. Precisamos continuar celebrando a aliá, mas devemos também educar a respeito de sua importância vital para a sobrevivência de Israel e do povo judeu.

Fazer isso não só fortalecerá o compromisso sionista dos jovens israelenses, mas também enviará uma mensagem convincente aos muitos judeus do exterior que nos visitam todos os anos: recebemos você como turista, mas no final queremos que você volte para casa.

O escritor é fundador e presidente da Shavei Israel (www.shavei.org), que ajuda as tribos perdidas e as comunidades judaicas ocultas a retornarem a Israel e ao povo judeu.

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