Parashat Toldot

Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaak Sakkal e Natan Menashe.

Conhecendo Rivka

Rivka, mãe de Yaacov e Esav

A primeira vez que a Torá nos fala de Rivka é no fim da parashá Chayei Sarah, 24: 16, onde nos é dito que Rivka era linda, virgem e recatada.

Rivka sai sozinha para pastorear o gado. Tem uma personalidade dominante e sabe o que fazer, o que se torna evidente quando o servo de Abraão lhe pede água e ela oferece-se para dar de beber aos camelos também. Não é preciso que se lhe diga o que fazer; Rivka tem iniciativa própria. Isto não contradiz as leis do recato.

Rivka é rápida e ágil. Para além disso, ao pensar nos camelos, demonstra também a qualidade de ser bondosa e de ter piedade com os animais. Vemos que não se trata de uma bondade simples, mas sim de algo fora do normal. Rivka dá de beber sozinha a dez camelos, o que é uma tarefa árdua. Não se assusta com o trabalho pesado e com o esforço por aquilo que considera correto.

Depois perguntam-lhe se ela quer ir com o servo de Abraão ou não, o que nos demonstra que já em sua casa Rivka era conhecida como alguém que tem poder de decisão, que sabe o que quer e que tem opiniões próprias; não vai atrás dos outros. Talvez isso seja o que a vai ajudar a sair do mundo de idolatria e a abandonar tudo para ir atrás daquilo em que acredita, tal como fez Abraão.

Qualidades em comum com Abraão: Rivka fala pouco e faz muito. Pratica Chessed — bondade. Acolhe os convidados, deixa toda a sua família e a sua terra e vai para a terra de Canaã.

Em resumo: Personalidade forte, decide o que é importante, tem iniciativa e sabedoria prática, sabe desenvencilhar-se sozinha, tem segurança em si própria e autoestima. Quando lhe perguntam se quer ir ou não, responde de forma direta e concisa: “Sim, irei.”

Posteriormente encontra-se com Isaac. Desce do camelo e cobre o rosto. Isto não é mero recato; a torá não obriga a mulher a cobrir o rosto. Para além disso, se o tivesse feito por recato, teria coberto o rosto durante todo o caminho que fez com o servo de Abraão que a foi buscar. Rivka cobriu o rosto para começar uma relação de respeito e romantismo com Isaac.

Com Rivka, a Torá alonga-se para nos mostrar uma relação mais romântica e carinhosa com o seu marido, até ao ponto de nos contar que Isaac estava a brincar com Rivka, coisa que a Torá não faz com o resto das matriarcas.

É a única que viveu à sombra dos três patriarcas: Abraão, Isaac e Yaacov.

Quando a sua gravidez se complica, Rivka recorre a De’s. Alguns comentaristas dizem que rezou, e outros dizem que foi consultar De’s através dos profetas (Abraão ou os filhos de Noé). Mas em ambos casos Rivka recorre a Ele. Tem emuná — fé em De’s.

No que diz respeito à sua relação com os filhos, o amor de Rivka por Yaacov supera o seu amor por Esav, o que talvez se deva ao facto de Rikva ver que Yaacov era fiel ao legado de Abraão e Isaac, enquanto que Esav era um homem comum, que corria atrás do mundo material.

Se prestarmos atenção, notaremos que Rivka não tolera esta maneira de Esav se comportar. Nunca o chama “filho meu” ou “meu filho”, enquanto que chama sempre Yaacov “filho meu”, pois é ele quem segue os ideais com os quais ela se identifica, enquanto que Esav lhe recorda mais a casa de Labão e Betuel, de onde partiu.

No entanto, Rivka não é insensível a Esav, pois sofre muito quando tem conhecimento de que ele tomou esposas canaanitas.

Mas o seu amor por Yaacov faz com que Rivka perca a sua objetividade e leva-a a impelir o seu filho a enganar o seu pai para receber a bênção paterna.

Rivka provém de uma casa de engano e idolatria, o que se verá mais claramente quando Yaacov se hospedar em casa de Labão, irmão de Rivka. Mas apesar de tudo, Rivka sobrepõe-se e consegue mudar todos esses valores. Deixa a casa de Betuel e Labão para ser uma digna mulher da casa de Abraão e Isaac e ser a mãe de Yaacov.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *