Parashat Behaalotcha

A Menorá: símbolo de dinamismo e otimismo.

Por Rabino Eliahu Birnbaum

«E disse o Eterno a Moisés: “diz a Aarão: Quando acenderes as luzes do candelabro, fá-lo de modo a que alumiem para a frente” e Aarão assim o fez, orientando as sete luzes para a frente conforme a ordem dada a Moisés pelo Eterno. A feitura do candelabro era de ouro cinzelado martelo, tanto no seu tronco como nas suas flores, conforme o modelo que tinha mostrado o Eterno a Moiseés.» (Números, 8, 1-5)

A Menorá (candelabro) é um dos utensílios mais importantes do tabernáculo do deserto e do templo sagrado de Jerusalém. Estava construída de uma só peça de ouro puro e enfeitada com gravuras e flores que lhe davam um aspeto belo e imponente.

A Menorá do tabernáculo tinha sete braços. O braço central era a parte fundamental da Menorá e dele saíam três braços de cada lado. Cada braço estava decorado com cálices em forma de flores de amendoeira e, quando a Menorá estava acesa, as três velas dos lados eram dirigidas na direção da vela central. A vela central simbolizava o princípio fundamental, a luz central.

O óleo para a Menorá era de uma grande pureza e era destilado especialmente para servir este propósito.

É necessário assinalar que enquanto a Menorá do tabernáculo tinha sete braços, a Menorá de Chanucá à que nós estamos habituados nos nossos dias tem oito braços, em recordação do milagre de Chanucá, quando a Menorá se manteve acesa durante oito dias com um recipiente de óleo que era suficiente apenas para um só dia.

A Menorá era o único utensílio do tabernáculo do Templo construído totalmente em ouro. O ouro, o metal precioso, não reage perante as condições ambientais, o tempo e o clima; não se oxida nem se deteriora. O material do qual a Menorá está construída simboliza o princípio estável que não se modifica nem está sujeito a nenhuma influência.

Aarão, o Cohen, e depois os seus filhos, os Cohanim Hagdolim (Grandes Sacerdotes), acendiam todas as manhãs as velas a óleo da Menorá. No momento do acendimento arrumavam e limpavam as velas, preparavam as mechas e tiravam as mechas queimadas do dia anterior. A Menorá devia permanecer acesa durante todas as horas do dia e da noite, todos os dias do ano.

Na época do Segundo Templo, a Menorá era feita de estanho. Quando a situação económica melhorou, banhou-se em prata. Depois de algum tempo fez-se um banho do corpo central em ouro, de forma similar à Menorá do Primeiro Templo.

Durante a destruição do Templo, a Menorá foi saqueada juntamente com os outros objetos sagrados, desconhecendo-se o seu paradeiro. Com base na gravura do Arco do Triunfo em Roma, no qual aparece claramente a Menorá, há quem defenda que a Menorá foi levada para Roma. Outros, pelo contrário, defendem que os romanos não conseguiram levar a Menorá, já que esta foi escondida pelos judeus nas catacumbas por baixo do Templo, para evitar que os conquistadores a levassem.

Podemos considerar que a Menorá de sete braços do templo que aparece na nossa parashá e noutras parashot era um instrumento ritual que tinha o único objetivo de cumprir uma função religiosa; no entanto, podemos contemplá-la de forma alegórica, simbólica. No nosso caso, este parece ser o significado profundo da Menorá e dos demais utensílios do templo. A Menorá não era apenas um ornamento do templo. A Menorá e a sua luz tinham um valor simbólico que a Torá comunica ao povo. A função da Menorá é a de dar luz através das suas velas. Na Torá e no judaísmo, a luz simboliza a sabedoria e a inteligencia. O poder da vela é a sua influência sobre o Homem. A luz da vela penetra no Homem através dos olhos, mas exerce a sua influência também sobre a sua mente e sobre a sua alma.

A luz da vela, com a chama que sobe e desce, não é estática, mas sim dinâmica. Muda constantemente de cor e de forma; está em perpétuo movimento. Por isso o Homem se deleita na contemplação da chama, que lhe recorda o seu próprio movimento interior, o seu desejo de avançar e de mudar, de conseguir os seus objetivos, de ascender constantemente.

Há quem defenda que a Menorá representa o Homem. As velas viradas para o centro ensinam o homem a olhar para dentro, a rever as suas próprias ações. O judeu que contempla a Menorá de ouro aprende sobre o significado da vida saudável. A Menorá ensina que o segredo da felicidade humana depende da possibilidade de o Homem colocar o espírito e o corpo ao serviço de um objetivo superior e elevado, um objetivo não egoísta, que traga à sua alma a união e a paz.

No contexto de uma interpretação alegórica do Templo como representação simbólica de todo o universo, Fílon de Alexandria defende que a Menorá representa o céu, que, tal como ela, irradia luz. As sete velas representam os sete satélites que existem no céu, segundo a astronomia da antiguidade.

As velas da Menorá deram origem a variados costumes e leis, como as velas de shabat, a vela de recordação (yzcor) e a luz eterna (ner tamid).

As velas do shabat foram escolhidas como símbolo deste dia e servem para diferenciar entre os seis dias da semana e o Shabat. A luz assinala o limite do tempo entre o dia e a noite, e também entre os seis dias da semana e o Shabat. A luz marca uma divisão na passagem do tempo e no decorrer dos dias.

Os textos dos nossos sábios fazem especial referência às velas sabáticas mais além da função prática de iluminar a mesa ao redor da qual se vão sentar as pessoas em Shabat. Os sábios consideraram que as velas simbolizam os valores que transcendem a percepção sensorial e simbolizam o mundo dos conceitos metafísicos nas esferas do espírito e do pensamento.

A luz simboliza também a presença da luz divina no lar e no mundo, e, através do seu acendimento, simbolizamos a sua existência.

Assim como as velas sabáticas representam a entrada do Shabat e a santificação do dia, também acendemos a vela de Havdalá à saída do Sábado. Ela diferencia entre o santo e o profano, entre a luz e a escuridão, entre Israel e os outros povos (segundo a benção).

Depois do falecimento de uma pessoa, há quem costume acender duas velas e colocá-las junto à cabeça do morto. Há quem deixe uma vela acesa durante todo o primeiro ano de luto, e outros fazem-no apenas durante os sete dias que se seguem ao falecimento. Todos acendem uma vela no dia do aniversário da morte. A luz de recordação simboliza a relação que existe entre a pessoa que faleceu e os seus parentes. A luz recorda-nos que o morto não é esquecido e que a sua recordação permanece no nosso coração e nos acompanha.
Em recordação da Menorá que estava constantemente acesa no Templo, costuma deixar-se uma luz acesa permanentemente ao pé da arca no Beit Haknesset.

A Menorá, símbolo religioso mais importante na história do povo judeu, constitui hoje o símbolo nacional do povo que voltou para a sua terra. Uma das razões pelas quais a Menorá é o símbolo do Estado de Israel, foi criar uma antítese da Menorá que aparece no arco de Tito. No arco, a Menorá simboliza a derrota e a humilhação dos judeus perante outros povos. Pelo contrário, a Menorá como símbolo do Estado de Israel representa a libertação, a independência, o orgulho judeu.

Podemos aprender um pouco mais acerca do significado da Menorá e da luz da vela através de uma história chassídica que descreve a ação da vela: Um rabino pediu a um aluno que fosse à cave para lhe trazer um livro. O aluno desceu à cave, mas a escuridão que reinava impediu-o de cumprir com o pedido do seu mestre. Voltou então para junto do rabino e disse-lhe “Está tudo escuro e não consegui encontrar o livro“. O rabino respondeu-lhe: “Qual é o problema? Toma uma bengala e vai lá novamente. Bate na escuridão e então poderás afugentá-la e encontrarás o que procuras.“

Desceu novamente o aluno e fez o que o seu mestre lhe tinha mandado, mas desta vez também não conseguiu cumprir o seu objetivo.

Voltou para junto do seu mestre e disse: “Foi impossível afugentar a escuridão.“

Então disse-lhe o rabino: “Toma esta pequena vela, acende-a, e a pequena luz conseguirá afugentar a escuridão. Não é possível afugentar a escuridão, o mal, a negação, mas se acendermos uma pequena luz poderemos afugentar a escuridão e iluminar um grande salão.“

O povo de Israel compreende que a Menorá não constitui apenas um objeto de culto; ela é também um meio de recordação. O homem contempla e acende as suas velas para acender a menorá da sua vida e então esta dar-lhe-á a luz do seu sustento.

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