Cura para os habitantes de Belmonte

Introdução

Citarei as palavras dos nossos sábios, que são sempre corretas: “Mesmo nas brincadeiras, o coração estará dorido, e a alegria afligir-se-á.” (Provérbios, 14:13)

A tristeza não é diferente da alegria; está ao seu lado. As chuvas, que são uma bênção, também geram lama e sujidade, e, do mesmo modo, a alegria no mundo está sempre misturada com tristeza.

O Rabino Shmuel Hanagid, que viveu na Era Dourada, trouxe-nos uma metáfora do mundo animal: “O pastor leva a ovelha a pastar contra a sua vontade, mas quando se trata de a trazer de volta do campo, também é contra a sua vontade.”

Um evento incrível atravessou-se no meu caminho

Em junho e julho de 2017, a Comunidade de Belmonte (Portugal) convidou-me para ensinar hebraico através da organização Shavei Israel.

A Comunidade de Belmonte é uma comunidade de descendentes de Anussim que mantiveram o seu judaísmo secreto durante 500 anos. Casaram sempre só entre eles, e há cerca de uma década regressaram completa e oficialmente ao judaísmo.

Para além de professora, sou também diagnosticadora, o que me ajudou a identificar um impedimento visual na comunidade: Mais de 30% da comunidade sofre de dificuldades visuais!

A sua doença é genética e deve-se à endogamia que se manteve durante tantas gerações, necessária para manter zelosamente o judaísmo.

Não é de estranhar que a comunidade de Belmonte queira ver e disfrutar da beleza do mundo, mas necessita de um pastor para iluminar o seu caminho até à cura.

Felizmente para mim, caiu-me no regaço a possibilidade de os ajudar com os escassos meios que tinha à minha disposição.

Depois de regressar a Israel, escrevi cartas em nome dos líderes da comunidade a diferentes hospitais israelitas (Tel-Hashomer, Hadassah, Ijilov, Rambam) e ao Ministério da Saúde israelita. As cartas foram enviadas no sentido de consciencializar as entidades competentes para a existência da comunidade e para encontrar uma cura para a sua doença.

De facto, entendi que se a comunidade não recebesse tratamento médico, a sua doença poderia levá-los à cegueira completa.

Para minha surpresa e alegria, pouco depois do envio das cartas, o Dr. Dr. Yishai Falik, do Ministério da Saúde, comunicou-se comigo por email e escreveu-me o seguinte:

Bom dia, Shoshi:

Obrigado pela sua nobre conduta e pela iniciativa de nos pôr em contacto com a Comunidade de Belmonte, onde foi voluntária como professora de hebraico.

Veja seguidamente a resposta do Prof. Benyin:

(…) o Prof. Sharon lembrou-se de que esta comunidade tão especial foi investigada no passado pelo professor Kaplan, de França (…) É provável que a mutação genética encontrada naquele momento seja a mesma que está a causar a doença aos descendentes da atualidade. Recomendamos que esta situação seja verificada através de um exame de ADN aos membros da comunidade que estão afetados, e, se for o caso, pode proporcionar-se aconselhamento genético para evitar o futuro nascimento de crianças portadoras da doença. O professor Sharon está disposto a fazer isto de forma gratuita (…)

Convencido de que contribuiu muito para a comunidade, e de que promoveu não só a sua conversão e absorção em Israel, mas também a sua saúde, desejo-lhe que continue sempre a agir com tanta dedicação e que receba muitas bênçãos.

Ishai.

Dr. Ishai Palik MD MBA
Diretor do Departamento de Procedimentos e Normas.

Como resultado deste contacto, os membros da Comunidade de Belmonte, dos mais velhos aos mais novos, estão atualmente a receber tratamento médico, profissional e dedicado. Tratamento prestado em Israel e em Belmonte (Portugal), por parte de 31 equipas médicas.

Shosh Jovav Tzadik

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A Shavei agradece à professora Shosh Jovav pelas suas inúmeras contribuições à comunidade, pela sua dedicação durante a estadia em Belmonte e pela sua sensibilidade perante o sofrimento alheio, pois não só identificou um problema médico grave mas entregou-se totalmente à situação, tendo conseguido encontrar uma solução correta e digna.

9 thoughts on “Cura para os habitantes de Belmonte”

  1. Os judeus nunca serão assimilados por qualquer nação. São um povo à parte, sempre o foram e sempre o serão. eu amo os judeus.

    1. O mais interessante não é o facto dos judeus nunca serem assimilados por outro povo mas simultaneamente se integrarem perfeitamente nas sociedades onde vivem ao contrário de outros que criam guethos.

  2. Quando olhamos para quem se cruza no nosso percurso com olhos de amor o resultado é sempre maravilhoso. Bem hajam pelo vosso zelo e dedicação.

  3. É maravilhosa essa unidade independentemente da aparência física, porque os israelitas continuam sendo uma única nação estabelecida por Deus da descendência de Abraão, em cumprimento da sua promessa a esse servo de Deus. Uma promessa que a despeito das adversidades enfrentadas nunca pode ser rompida porque foi feita por Deus.
    Esse retorno à pátria também é um cumprimento das promessas de Deus.
    Louvo a Deus pela vida de vocês que estão sendo instrumentos de Deus para ajudar esse nobre propósito.

  4. Olá eu me chamo Eva Gomes de Araújo, o meu noivo é do Estado da Paraíba, os seus pais são primos irmãos, nasceram deste relacionamento duas moças que foram perdendo a visão no decorrer do tempo, elas têm retinise pignentar. Gostaria de saber se vcs podem abrir exceção para tratá las. Por favor eu imploro a ajuda de vcs para elas. As dificuldades delas são grande. Por favor peço Que me respondam, que vcs nos ajude. Obrigada, Eva Gomes de Araújo.

    1. Shalom Eva, el caso es muy conmovedor. Lamentablemente nosotros no podemos asistirlo, es un equípo médico que tomó el caso de la comunidad completya de Belmonte, Portugal, como caso de estudio. Espero que pronto encuentren una cura.

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