Guarda e Coimbra

GUARDA

Na Espanha, os judeus já viviam desde eras remotas. Nos antigos pergaminhos encontrados em Qumran já se fala da presença judaica na Espanha.

Contudo, em Portugal, a região da Beira recebeu a primeira imigração judaica no final do séc. XIII, sendo Guarda o primeiro município que os recebeu.


Trancoso, Covilhã, Castelo Branco os recebeu no século 14 em razão do clima antijudaico que reinava na Espanha, naquela época. A imigração aumentou ainda mais após o decreto da expulsão em 1492.

Alguns dos sobrenomes adotados pelos judeus foram baseados nas cidades que habitavam, deste modo, cabe observar que alguns dos nomes destes judeus eram de cidades espanholas como: Cáceres, Valladolid, Calahorra, Estela, Navarra. Além de nomes de cidades de Portugal: Estela, Querido, Amado, Adida, Rodrigo, Franco, Caro, Justo, Barzelai, Vizinho, entre outros.

O acesso para o centro histórico da Guarda é através de ruas estreitas com arcos redondos. Nas casas antigas podíamos ver as marcas feitas pela inquisição, indicando casas nas quais habitavam novos cristãos – judeus que tinham sido forçados a adotar a fé cristã. No que era a juderia, tivemos a oportunidade de ver casas muito antigas combinadas com outras casas um pouco mais modernas, construídas ao lado e testemunhando, assim, a história de todas as modificações que o bairro passou e as construções que foram feitas uma sob as outras. O centro do bairro judeu era a sinagoga, a escola e o tribunal. Nos indicaram uma casa onde o tribunal rabínico (Beit Din) costumava operar.

Do que era a antiga juderia, restam apenas as ruas estreitas, as casas muito antigas que datam daqueles tempos, algumas que ainda preservam sinais daquilo que chegaram a ser e as marcas da inquisição garantindo de maneira absoluta, o passado judeu de Guarda.

 

 

COIMBRA

Dos judeus de Coimbra quase não há vestígios. Apenas encontramos um sinal que indicava a Praça da Inquisição. Seguimos as direções e chegamos em um local que preserva restos do que foram as salas que um dia receberam os tribunais inquisitórios. Além disso, na própria praça funcionavam os Autos de Fé, transmitidos publicamente para todos seus expectadores.

Chamou nossa atenção algumas ruelas estreitas que nasciam nesta mesma praça e remontavam a tempos muito antigos.

Percebemos também uma rua chamada Rua Nova e lembrei do detalhe de que muitas das ruas onde os judeus costumavam viver foram posteriormente renomeadas de “Rua Nova”. Mas apesar desta informação, não nenhum outro indício de famílias judias viveram lá.

Então nos dirigimos ao Bairro de Santa Cruz – curioso que a judería de Sevilja estava localzada em um bairro de mesmo nome. Atualmente o Bairo de Santa Cruz em Coimbra é uma ampla rua pedestre com muitos negócios e muito pitoresca. É desta rua que nasce a Rua de Corto de Deus aonde é nesta que, de acordo com o que descobrimos, os judeus de Coimbra costumavam morar – mas, novamente, não encontramos nenhuma outra identificação neste sentido. Somente no começo desta rua rua está localizada, hoje, uma igreja que, pela forma de seus portões, arcadas e sua localização, faz-nos supor que se tratava de uma sinagoga.

 

 

Por Nora Goldfinger

Criadora da ONG Heme Aqui, que trabalha com pessoas com necessidades especiais através do Golf.

Nora está percorrendo algumas juderías de Espanha e Portugal e concordou em compartilhar conosco algumas de suas experiências.

2 thoughts on “Guarda e Coimbra”

  1. Muito interessante! Da próxima vez que fôr a Coimbra procurarei ver esses sitios. Obrigada por partilhar estes textos Nora!
    Shabbat Shalom

  2. Wow, thank you sooo much. I know my family comes from Ovar, Portugal and that they converted into Christianity but apparently they do not want to talk about that!

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