Trancoso-Covilhã

Trancoso-Covilhã, Portugal

As cidades de Trancoso, Covilhã e Castelo Branco receberam uma expressiva imigração judaica no final do século XIII que permaneceu presente pelos próximos dois séculos.

Em Trancoso e Covilhã, haviam grandes bairros judeus que chegavam a ocupar metade do município.

Os judeus em Trancoso viviam dentro das muralhas da cidade, enquanto que os de Covilha viviam fora das muralhas. Estes judeus eram artesãos, sapateiros, alfaiates, médicos, astrônomos e cobradores de impostos. Eles tinham permissão para estudar, entrar e sair das muralhas, tinham seu próprio tribunal que era regido por suas próprias leis e rabinos que eram os conselheiros da comunidade.

Eles ocuparam lugares proeminentes tornando-se conselheiros do rei e médicos da coroa além de altos dignitários. Suas descobertas em astronomia ajudaram navegadores portugueses em suas viagens pelos mares.


Em Trancoso, houve 500 juízos da Inquisição e hoje há 300 marcas nas portas dos judeus que foram forçados a se converter. Você pode ver as ruas com os antigos paralelepípedos e os becos dão testemunho de um passado distante.

Existe um Centro de Interpretação Judaica Isaac Cardoso, concluído em 2012, que contém uma nova sinagoga. Este centro foi construído em uma parte da casa deste proeminente médico, Isaac Cardoso, mantendo parte da casa original. Há marcas feitas por a inquisição na casa, sinalizando a importância do seu morador. A construção foi feita com a contribuição de 70% da comunidade e 30% com a contribuição da cidade.

Em frente a este Centro, está o Museu que testemunha a história dos judeus e da Inquisição. Oferece um vídeo muito interessante que conta a história da chegada dos judeus à Espanha e a Portugal.

Também nesse museu é contada a história de um sapateiro Bandarra – também poeta e também profeta, que morava em Trancoso em um momento de grande tensão na época da Inquisição. A Inquisição o prendeu em Lisboa, em contra de suas profecias, e Bandarra só voltou a ser liberado anos depois. O padre Antonio Vieira (1608-1697) escreveu: “…Bandarra era um verdadeiro profeta. Profetizou e escreveu muitas coisas exatas muitos anos antes de acontecerem e vimos todas elas se tornarem realidade…”

Covilhã foi construída por judeus que inclusive acrescenteram no emblema da cidade e na bandeira o Maguen David. Hoje, esses símbolos são preservados como emblemas da cidade, embora a maioria dos habitantes não conheça seu significado.

 

Por Nora Goldfinger

Criadora da ONG Heme Aqui, que trabalha com pessoas com necessidades especiais através do Golf.

Nora está percorrendo algumas juderías de Espanha e Portugal e concordou em compartilhar conosco algumas de suas experiências.

3 thoughts on “Trancoso-Covilhã”

  1. Yitzchak Kaduri, também escrito e Kadouri Kadourie (falecido em 28 de janeiro de 2006), foi um renomado sefardita ortodoxo rabino ortodoxo e cabalista que dedicou sua vida ao estudo da Torá e da oração em nome do povo judeu.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *