1º Congresso de Identidade e Memória Sefaradi em Portugal

No mês passado, ocorreu um congresso sem precedentes em Portugal: três dias de conferências acadêmicas, lideradas por renomados historiadores, sobre o passado judaico em Portugal.

O evento aconteceu em Bragança, uma cidade portuguesa com um grande passado judaico. O capitão Arthur Barros Bastos, conhecido como o “Dreyfus português”, foi extremamente ativo em Bragança em seus esforços para resgatar os marranos (conforme registrado nos livros de suas memórias). Barros Bastos também esteve ativo nos arredores, em lugares como Vinhaes, Macedo de Cavaleiros, Vimioso, Mirandela (lugar do nascimento das famosas Alheiras – um tipo de salsicha preparada com frango ao invés de porco, confundindo assim os antigos cristãos e a Inquisição) Torre de Moncorvo, Freixo de Espada a Cinta e uma vila de grande passado judaico: Campo de Vibora.

O congresso alcançou alguns descendentes de Conversos que conheciam seu passado judaico, mas sempre o mantiveram segredo e assim, aproveitaram a oportunidade para se conectar.

O congresso foi produzido em homenagem à inauguração do Museu Histórico dos Autos de Fe da Zona, um museu imperdível onde você pode ouvir histórias chocantes e impactantes dos “Novos Cristãos”.

SERVIÇO RELIGIOSO EM BRAGANÇA

Após muitos anos, já sem a influência judaica do capitão Barros Bastos, pela primeira vez, um serviço de Kabalat Shabat ocorreu no centro comunitário da pequena cidade.

O município inaugurou um espaço no centro da cidade, que eles chamam de “memorial”, que proporcionará serviços de informação aos turistas. Eles designaram uma pequena área para a “sinagoga” cujas paredes são lindamente decoradas e, no centro, há uma exibição dos Dez Mandamentos escritos em hebraico, mas não possuem um rolo da Torá.

A cerimônia incluiu a aposição de uma mezuzá na porta de entrada, que contou com as presenças de: Sr. Hernani Dias, presidente do município; a embaixadora israelense Tzipora Rimón, representantes da comunidade israelense de Lisboa, Bnei Anussim da área e do público em geral.

O Rabino Elisha Salas da Shavei Israel lembrou: “Quando falei, mencionei a importância da mezuzá, seu significado e seu retorno a Bragança. Lembrei a todos dos esforços do capitão Barros Bastos, por manter a Torá nesta cidade, e os aplausos espontâneos do público excitado entraram em erupção, e todos tinham lágrimas nos olhos. Assim como uma pequena parte da Torá está nesta mezuzá, esperamos que, um dia, um rolo completo da Torá volte para iluminar as almas dos Bnei Anussim que habitam nessas terras”.

Devido à falta de espaço na sinagoga e devido à presença de muitos judeus de Israel, o serviço religioso ocorreu em um corredor da Posada.

KOSHER MERCADO EM BRAGANÇA

Pela primeira vez, foi realizada uma exibição de produtos com certificados kosher em Bragança, graças aos esforços de: Luis Morao e sua família, a comunidade de Belmonte, Pedro Diogo – presidente da Comunidade de Belmonte e representante da Rede de Bairros Judeus de Portugal, da Rede de Bairros Judaicos da Espanha e de vários produtores que apresentaram seus produtos que, com a supervisão e o certificado de kashrut, estavam presentes nesse dia caloroso em Portugal, oferecendo um ambiente judaico em Bragança.

Uma cidade maravilhosa, com pessoas que apreciam seu legado. Certamente vale a pena visitar.

7 thoughts on “1º Congresso de Identidade e Memória Sefaradi em Portugal”

  1. Amei os artigos publicados pela Shavei Israel. Eu estou há 9 meses escrevendo um livro intitulado de História da Família Cambuí e pesquisando histórias e sobrenomes cheguei a encontrar sobrenomes judeus Sefarditas do lado paterno e materno de minha família. Estou esperando a chegada do resultado de meu exame de DNA Ftdna, para descortinar mais descobertas.
    Estes são os sobrenomes de minha família que começou em 1770 com Tomás de Souza Pereira: Souza Pereira, Ribeiro, Pereira Bastos, Alves, Menna Barreto, Silveira, Silva Pereira, Eduão Ferreira, Durães, Rocha Machado, Sancho Paiva, Vieira, Pereira Guimarães, Rodrigues, de Deus, Faria Chaves, Vinhal,(Cambuí/Cambuhy/ Cambuy/ Camboi) são variantes, este originou em Minas Gerais (cidade Cambuí) e se espalhou pela Bahia, e Brasil.
    Eu queria publicar meu livro em dezembro de 2017, mas houve atraso no envio do meu kit de exame DNA (foi enviado em fevereiro, só chegou nos EUA dia 07/07/2017)
    Quando meu resultado chegar, irei dar uma avalanches no livro.
    Vou mandar para vocês da Shavei Israel, meu resultado.
    Muito obrigada por cada atualizações que vocês estão me passando. Shalom!
    Um abraço, Helen de Morais Cambui.

  2. Não se mata a identidade de um povo. A história sempre resgatará a sua memória trazendo a realidade dos fatos. A perseguição veio e fez o seu estrago, mas um dia acabou. Aí estão os anussim, o remanescente do povo israelita em Sefaradi e por outras paragens para registrar o antes e o depois. ESTAMOS MAIS VIVOS DO QUE NUNCA. QUE O DIGA ERETZ ISRAEL!

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