Fundalmentamente Freund: Rock & Roll Sionismo

Por Michael Freund, Presidente e Fundador da Shavei Israel

 

De todos os lugares do mundo para se viver uma experiência sionista, o Rock & Roll Hall of Fame em Cleveland (EUA) parece ser o local mais improvável.

Andando pelos salões adornados com históricas lembranças como a jaqueta de ouro de Elvis Presley, o terno Ziggy Stardust de David Bowie e a motocicleta de John Cougar Mellencamp, é incrivelmente fácil ser puxado para um vórtice de nostalgia americana inspirado em alguns dos mais emocionantes sucessos musicais da última metade do século.

download-1Como alguém cujos gostos da música pop se limitam aos sucessos da década de 80, de repente eu me encontrei levado no tempo, de maneira melancólica por melodias familiares, para um mundo de antigamente.

Mas como Albert Einstein observou: “A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente”, e antes pudesse aproveitar todas minhas lustrosas reminiscências, o som familiar que acompanhou a chegada de uma mensagem de texto, despertou meu estupor.

Era o telefone do meu filho que soou, significando que a mensagem que ansiosamente esperava, finalmente havia chegado.

Com precisão militar, exatamente às 11:00 (EST), as Forças de Defesa de Israel lhe informaram, muito para seu alívio, de estava sendo recrutado para a unidade de combate que sonhara alistar-se.

O sorriso em seu rosto combinava apenas com o sentimento de orgulho que surgiu dentro de mim enquanto me lia o texto, em um hebraico impecável.

A mensagem foi escrita em um estilo burocrático típico, com atilhagem, mas mesmo a secura das palavras não conseguiu esconder a importância do marco que representava.

Como seus irmãos mais velhos antes dele, meu filho logo entraria nas fileiras do exército judeu, passando quase três anos de sua vida em defesa da Terra e do povo de Israel.

Depois de desejar-lhe um caloroso “Mazel Tov”, abraçamos, enquanto uma série de fãs de rock and roll observavam a cena com uma estranha curiosidade, indubitavelmente se perguntando a razão de dois judeus estarem comemorando em um local turístico de Cleveland o conteúdo de uma mensagem do iPhone – o que para muitos pareceria escrito em grego ou mesmo em Klingon.

Emerso neste momento, ocorreu-me o quão diferente é o caminho dos meus filhos do meu.

Nascido e criado nos Estados Unidos, eu também esperei com muita impaciência, como um adolescente, pelas notícias. Mas eram outros tipos de novidades. Todos os dias, eu chamaria minha mãe em um telefone público (lembram-se destes?), pedindo-lhe para verificar a caixa postal, esperando uma resposta de Princeton – a universidade para a qual havia aplicado – torcendo para que tivessem sido suficientemente sensíveis para me aceitar.

As escolhas que enfrentei, como qual faculdade aplicar ou qual carreira estudar, pareciam ser tão fatídicas e cheias de consequências, o que certamente eram.

Mas como poderiam se comparar com o peso das opções das quais meu filho, nascido em Israel, tinha que escolher? Afinal, decidir entre estudar a teoria política do século 18 ou assuntos internacionais, dificilmente podem ser de igual peso à ter que escolher entre uma unidade de combate ou um trabalho por trás de uma mesa.

A leitura de Locke, Hobbes e Rousseau, assim como os debates sobre os pontos mais finos da lei natural e da liberdade humana ajudaram a moldar meu pensamento e visão de mundo, contribuindo para o meu próprio desenvolvimento moral e intelectual.

Mas absorver este conhecimento, por mais profundo que seja, parece um luxo quando comparado ao rolamento na lama e aprender a lidar com uma arma para defender o direito de absorver este mesmo conhecimento.

E isso, talvez, seja uma das maiores linhas divisórias entre os judeus americanos e israelenses, que nenhum dos dois lados pode compreender.

Após o ensino médio, jovens judeus americanos fazem uma escolha que decidirá seu próprio futuro. Seus homólogos israelenses devem fazer o mesmo, mas sua determinação individual também ajudará a decidir nosso futuro coletivo.

Eu digo isso não para denigrar nossos irmãos do outro lado do oceano, D’us me livre, mas sim ressaltar o significado inerente e o senso de dever que jovens israelenses devem abraçar em uma idade tão jovem e vulnerável.

É tentador assistir tudo isso através de uma lente agridoce, questionar se realmente não é melhor para nossos filhos estarem protegidos nestes anos entre os muros da academia, ao invés de penetrar nas realidades do mundo que vivem aos 18 anos.

Mas servir a nação em um propósito mais elevado é um dos maiores de todos os valores judaicos, e, para que os valores tenham significado, não devemos realmente tentar viver por eles? Então, o quanto tenha gostado de ouvir Phil Collins ou Bruce Springsteen enquanto frequentava a faculdade nos EUA, fico feliz que meus filhos e as gerações que os seguem passem seus anos formativos em uma busca muito mais significativa.

Eles também irão, um dia, olhar para trás e se lembrar da música de sua juventude. Mas esta será acompanhada por uma melodia de serviço em prol de nosso povo que ressoará até o fim dos tempos.

3 pensamentos em “Fundalmentamente Freund: Rock & Roll Sionismo”

  1. wow. Muito emocionante esse relato de fé,coragem e amor a pátria e nossos eternos irmãos judeus.
    Haja o que houver Israel sempre vai vencer,pois Jeovah é quem vai com eles até o fim.
    Presidente Freund ,amei descobri uma história tão cativante quanto de sua família.Parabéns.

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