A solidão de um homem de fé

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Comentário sobre a porção semana da Torá – Balak

 

Nesta porção da Torá nos deparamos com Balak Ben Tzipor, rei de Moav, que teme o avanço dos filhos de Israel à sua terra, sabendo que este povo é ajudado por uma força transcendental que emana da vontade de D’us. Uma força da qual ele não pode lutar contra e, assim, tenta buscar ajuda através de feitiços mágicos.

Manda chamar, então, Bilam filho de Beor, que o Midrash compara com Moshe “o maior profeta”, e pede a ele para amaldiçoar Israel, quebrando as “defesas mágicas” que D’us providenciou para o povo vencer suas guerras. Bilam, que é um verdadeiro profeta, mesmo amarrado ao mundo a idolatria, sabe que sua magia não terá força se não receber a aprovação de D’us. Se consulta com D’s e Ele coloca na boca do profeta as palavras que irá pronunciar.

Assim, muitas vezes, Bilam abençoa o povo de Israel, diante da perplexidade e impotência de Balak. Bilam observa o acampamento de Israel de uma montanha e tem uma vista espacial e temporal das pessoas que deve amaldiçoar, contudo sai de sua boca uma bênção: “”Quão formosas são as tuas tendas, ó Jacó, as tuas moradas, ó Israel!”, exclama. Vistas a partir da terra de Moav, as casas, as famílias de Israel, eram de unidade e harmonia, Bilam então expressa sua admiração.

Nota: É com esta exclamação pronunciada por um não-judeu que os judeus abrem suas orações da manhã.

Bilam observa a solidariedade e o senso de responsabilidade mútua que reina nas famílias de Israel. Características estas que sempre estiveram presentes dentro do povo e, ainda hoje, todas as nações as reconhecem dentro do povo judeu, um objeto de admiração especial.

Mais tarde, em outra de suas bênçãos Bilam se relaciona a Israel dizendo: “eis que este povo habitará só, e entre as nações não será contado.” Essa solidão da qual se refere Bilam, foi constante na história do povo hebraico e muitas questões pairm sobre ela. Será este desejo uma benção ou uma maldição? Será algo escolhido pelo povo de Israel ou causado pelo resto das nações? É uma opção ideológica ou uma realidade que tem causas históricas e sociais? Provavelmente a resposta judaica a essas perguntas está numa síntese entre as duas opções.

O prof. Shmuel Etinguer explica que a solidão judaica e a própria existência do povo de Israel são o resultado de um sistema de forças opostas que, vistas em perspectiva, constantemente se movem em direção ao equilíbrio. Por um lado estão as forças centrífugas, das quais tentam quebrar a solidão do povo de Israel e integrá-lo nas sociedades a volta. Por outro lado, são forças centrípetas e o peso da tradição que os empurram de volta e os forçam a confiar em si mesmos.

A solidão judaica, então, surge de uma dupla identidade ocasionadas do relacionamento do judeu com a sociedade. Na época atual, em que o judeu parece integrar-se progressivamente nas sociedades das quais vive, é necessário que a solidão seja feita através da implementação de uma “solidariedade judaica”, uma que projeta a relação indivíduo-sociedade numa dimensão individual de alto valor e responsabilidade mútua.

5 pensamentos em “A solidão de um homem de fé”

  1. Moisés representa a obediência depender de Deus e fazer a vontade de Deus homem escolhido por Deus para liberta o povo da escravidão do Egito

  2. Certamente que é muito Bonita a mensagem falada.
    Eu amo essa leitura na bíblia sagrada que fala a respeito de Bilam ,que em nossa tradução é Balaão,já li muito a bíblia e já estou finalizando a minha leitura.Sou apaixonada por Israel,e tenho muitos costumes do povo.
    Obrigada pela mensagem transmitida de Fé Rabino Eliahu que Jeovah o abençõe.

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