O compromisso do homem com D’s

Comentário sobre a porção semanal da Torá – Terumá

Retirado do livro “La tora no esta en el cielo” do Rabino Eliahu Birnbaum

 

Esta Parashá nos fornece ensinamentos sobre os fundamentos imprescindiveis para construir uma identidade coletiva. “Fala aos filhos de Israel, que me tragam uma oferta alçada; de todo o homem cujo coração se mover voluntariamente, dele tomareis a minha oferta alçada”, ordena D’s a Moshe. “E esta é a oferta alçada que recebereis deles: ouro, e prata, e cobre… E faça para mim um santuário…”

Basta um minímo de suspeita para se questionar: “Será que D’s, sobre qualquer perspectiva, necessita que o povo contribua para a construção do santuário?”.

Outra vez, assim como acontece normalmente quando buscamos respostas simplistas, esta pergunta evoca o sujeito da questão. Não é D’s que necessita colaborações e nem santuários, e sim, o povo, cada indivíduo do Povo de Israel são aqueles que necessitam, realmente, de elementos materiais que sinifiquem um compromisso real, ações que reforcem uma coesão que os identifique como grupo consistente.

A colaboração econômica de cada indivíduo tem sido, sempre e contínua, um meio eficaz para avaliar, e eventualmente consolidar, o nível de compromisso das pessoas com a identidade coletiva a qual pertencem. Este é o compromisso que deve ser reafirmado a cada momento “cada um de acordo com sua possibilidade”, para que tenha sentido pensar em uma comunicação grupal com o Criador, para que seja acreditável a alternativa de um diálogo entre um grupo humano unânime com seu Redentor. Não é suficiente o “Naasê VeNishmá” – “Faremos e Ouviremos”, pronunciado aos pés do Monte Sinai. É necessário que o esforço coletivo se torne perceptível através de patentizar particularmente o sacríficio de cada indivíduo da congregação.

Até o momento relatado na Parashá, o Povo de Israel é atua como sujeito receptor: foi libertado do jugo egípcio pelo deserto adentro através de milagres e de modo não menos milagroso, recebeu seu sustento. Este é o momento em que o receptor de favores deve corresponder a generosidade divina tornando-se o transmissor. O sujeito passivo de D’s deve tornar-se um ator da sua própria história e realizar para sua divindade um monumento que sintetize sua singularidade frente aos outros povos.

A construção do santuário não está restringida a um setor especial do Povo de Israel. Pela própria essência do significado, e respeitando as possibilidades de cada um, trata-se de uma missão na qual qualquer omissão individual pode invalidá-la. Ninguém pode ficar de fora. Trata-se de um esforço conjunto, comum a todos os beneficiários das graças de D’s y do qual o valor quantitativo é relativo as possibilidades coletivas e individuais.

Mesmo hoje, este esquema permanece íntegro. A entrega individual, sem excessões, segue sendo uma condição necessária para a consistência de toda a identidade coletiva. A colaboração econômica em um projeto conjunto é representada hoje pela soliedariedade com os necessitados de cada comunidade assim como com as necessidade do Estado de Israel que não deixa de ser uma aposta coletiva ao bem-estar de toda a comunidade.

2 thoughts on “O compromisso do homem com D’s”

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *