O “Broquel” dos Judeus

Pelo Rabino Nissan Ben Avraham
A Discriminação1

Com a destruição do Segundo Templo, o povo de Israel início o período do duro o exílio que durou até a independência do Estado de Israel. Por estar longe de casa, em uma posição claramente inferior, foram muito frequentemente perseguidos e discriminados. Claramente que nem em todos os lugares e nem em todos os momentos a mesma discriminação ocorreu. Houve épocas mais duras, assim como lugares piores que outros.

Na luta pela discriminação contra os judeus, tanto as diferentes populações quanto as instituições têm inventado ao longo do tempo, diferentes sistemas de alcançar seus objetivos. Veja aqui dois exemplos deles.
Os Bairros Judeus

Um dos métodos mais conhecidos foi obrigar os judeus a viverem em condomínios fechados. Nos países árabes estes “bairros” foram chamados de ‘alchama’ ou ‘melach’, que significa “reunião” e “sal”, respectivamente. O segundo nome é em razão do fato de os árabes terem semeado o terreno com sal antes de entrega-los aos judeus para impedir que estes não possam ter sucesso plantando na terra. Em Castela estes bairros foram chamados de ‘juderías’, ou ‘o local onde judeus vivem’. Nos países catalães eram chamados de ‘call’, a palavra com origem do hebraico ‘cahal’, que significa ‘comunidade’. E, em Veneza, os chamaram de ‘gueto’, palavra Veneziana que significa ‘fundição’, uma vez que o bairro judeu daquela cidade – no século XIV – era localizado perto de um forno siderúrgico.

A verdade é que os próprios judeus estavam interessados em viver juntos, em um local fechado por paredes ou muralhas, com portões na entrada, e isso, não somente por razões de segurança. Viver nestes bairros fechados facilitava a mobilidade no Shabat, o sábado judaico, no qual os sábios proíbem transportar objetos na rua, a não ser que tenha sido estabelecido previamente um acordo entre os vizinhos, chamado “eruv”. A condição para fazer o “eruv” deveria ser que todos os moradores fossem judeus ou que ‘alugassem’ a propriedade daqueles que não são judeus para poder realizar o “eruv”.

Ainda assim, o fato de que o bairro judeu deveria fechar suas portas à noite, ou que não poderia ter janelas abertas para as ruas “normais”, não tinha relação com as leis judaicas, era, simplesmente, resultado de discriminação contra os judeus. Era uma maneira de tê-los “sob controle” e facilitava a possibilidade, explorada muitas vezes, de obter o censo preciso das pessoas para poder, assim, impor vários impostos. Além de tê-los todos reunidos para os casos “eventuais” de um ataque violento.

As crônicas da Idade Média em Castela e Aragão estão cheias de “eventos” nos quais a multidão atacou as ‘alchamas’ judaicas, causando várias vítimas na população. São notórios os ataques russos contra os bairros judeus, denominados ‘pogroms’ – palavra russa que significa “destruição”, “abate” – que ocasionaram em uma grande emigração judaica, principalmente para o Norte e o Sul das américas, e alguns poucos, para a Terra de Israel, no final dos séculos XIX e início do século XX. Estando todos reunidos em algumas poucas ruas, sem dúvida, facilitava a tarefa dos atacantes.

Os nazistas encheram em alguns poucos guetos toda a população judaica da Polônia – assim como o fizeram em outros países ocupados – antes da deportação dos judeus para campos de concentração e, em seguida, para a etapa de extermínio. No Gueto de Varsóvia foram obrigados a conviver quase meio milhões de judeus, no início dos anos 1940.
O Maguen David2

Os criminosos nazistas na Europa do Terceiro Reich, obrigaram os judeus a costurar em suas roupas uma estrela de seis pontas amarela com a palavra “judeu”. Em cada país ocupado, em seu próprio idioma: ‘Jude’ na Alemanha, “Juif” em França, “Jood ‘na Holanda, e etc …

Mas, na realidade, não foram estes que inventaram essa sinalização para os judeus. A “Estrela de Davi” ou o “Maguen David” – “Escudo de David”, como é chamado em hebraico – é um distintivo muito mais antigo, que já era parte da bandeira proposta pelos Congressos Sionistas e se tornou a bandeira do moderno estado de Israel.

Outras versões foram anteriormente impostas:
Chapéus e casacos

3Nas terras de Ashkenaz, para os judeus serem reconhecidos mais facilmente, estes eram obrigados a vestir um chapéu especial, em forma de sino, registrado em diferentes gravuras da Idade Média.

Também na Catalunha, os judeus eram obrigados a cobrir suas cabeças com um chapéu em forma de cone, cuja imagem pode ser vista em um retábulo da igreja de Mallorca do século XV, que representa um grupo judaico, vestidos de acordo com o costume naquela época. O retábulo representa o chamado “Paixão de Beirute”, na qual os judeus da cidade foram convertidos ao cristianismo.

Em Perpignan, capital do reino de Mallorca, foi publicado no ano de 1302 um decreto que exigia que os judeus usassem uma ‘Capa Judaica’, que também pode ser visto em alguns gráficos da época.
O Broquel4

Finalmente, algumas décadas mais tarde está registrado que se decretava em Mallorca, que os judeus eram obrigados a costurar a roupa um “broquel”, um escudo redondo, também chamado de “Rodella”, metade amarelo e metade vermelho.

Cerca de trinta anos atrás, apareceu em Mallorca uma coleção de livros relacionados com os judeus de Mallorca e seus descendentes que se converteram ao cristianismo, na Editorial Miquel Font, chamado, precisamente de ‘La Rodella’, ajudando, afinal, a ampliar o conhecimento do contexto cultural judaico – a melhor maneira de lidar definitivamente com o preconceito e a complexidade antijudaica.

Infelizmente a discriminação ainda não parou. Nossos inimigos ainda estão à procura de desculpas para continuar perseguindo e segregando, sem serem capazes de aceitar a nossa cultura, nossa religião, nossas idiossincrasias – distintas e separadas. Deve-se parar completamente a era da discriminação, seja ela de qualquer tipo.

10 thoughts on “O “Broquel” dos Judeus”

  1. Acompanho tudo que acontece com o povo Judeu, com as injustiças praticadas contra esta nação . Em nenhum jornal se mostra os benefícios que os judeus trazem para o mundo em todas as áreas, pois deveriam ao invés de perseguir, deveriam mostrar a bondade deste povo , que mesmo sendo perseguidos nunca perderão sua essência.
    Dou aulas de Teologia , e procuro sempre mostrar a importância de Israel para o mundo , em despertar o amor dos membros para com os Judeus, em minha casa tenho a bandeira de Israel em lugar de honra, e o povo judeu em meu coração.
    De Israel vira a Salcação

    1. Eu também acompanho e estou sempre atenta a tudo que acontece ao país tão abençoado e da qual me sinto parte como irmã.O povo de Israel são a benção escolhida de Jeovah de toda nação,essa é onde repousa seus pés e seu reino e nome glorioso reside para Sempre.

  2. Shalom,
    Sempre me interessei pela cultura judaica!Admiro muito a coragem desse povo que sobreviveu a tantas intempéries da vida, teve parte de seu contigente massacrado em diversos países e resurge, hoje, das cinzas como uma grande fênix, formando uma nação poderosa.Vemos que a união é fundamental para a preservação de uma raça!!!Vemos aí que Deus não mente, o que Ele prometeu ao povo de Israel Ele tem cumprido!!!A cada promessa cumprida, acredito mais e mais que os judeus são o povo escolhido por Deus. Não é demagogia, é fato, é só observar as Escrituras Sagradas!!!

    Shalom

  3. Realmente a perseguição ainda não acabou contra o povo Judeu, hoje os tempos são outros mas
    o ódio ainda prevalece, sou neto de Judeus tudo indica após pesquisas que sou judeu,.Na sociedade que participo ainda se percebe que não e interessante falar sobre judaísmo, mesmo
    com pessoas com sobrenomes judeus e que não sabem sua origem. moro em Goiania Brasil,
    Observo com cautela, e na primeira oportunidade tento explicar para as pessoas suas origens, mas
    somente quando a receptividade, então prossigo, por aqui existem milhares de novos judeus
    totalmente sem informação sobre seu passado suas origens. o Brasil realmente e um pais de Judeus.
    Shalom.

    1. Realmente o eteno não mentiu,quando disse que os descendentes de abraão seriam tão numerosos como a areia do mar

    2. Kaiser, gratidão imensa, por seu comentário, e esta totalmente correto, pois, quantos, neste pais, que são descendentes de judeus, trazem em seus nomes, a raiz em Israel, e quando questionados, pelo próprio sobrenome e explicamos a sua origem, não tinham a minima ideia!! e é dessa forma que a falta de conhecimento, faz com que o racismo ganhe força; muitos desses indivíduos, que ai estão a perseguir, criticar, matar, humilhar os judeus, tem em seu DNA, a Estrela de David, e por ignorância, trilham a rota contraria, ao respeito e dignidade humana! O racismo, qualquer que seja, por qual motivação- e em qualquer tempo, é ignorância, falta de conhecimento, falta de respeito, creio, que somente quando, nas ESCOLAS PUBLICAS, esse assunto fizer parte, sem sectarismos, mas com clareza, de matéria CURRICULAR normal, explicando a cada aluno desde os seus 05 anos até a Universidade, que podemos ser netos, bisnetos, tataranetos, de honrados judeus, que foram espoliados, assassinados, de seus maiores valores – sua fé e sua cultura, e então cada um teria o livre arbítrio de escolher o seu caminho, baseado em suas origens!! É assim que me sinto, fora de minha historia!!!

  4. Realmente é uma história e um povo que eu diria ser o mais perseguido de todas as nações,mas Jeovah é o Deus de Israel e cuidará sempre de todos nós.A história de a “lista de schindler” mostra um pouco claramente essa discriminação quanto aos judeus uma das forma de perseguição que emociona no final do filme quando mostra que nessa lista 1000 judeus apenas conseguiram ser salvos da guerra ajudados por schindler a escaparem vivos dos seus opressores.Uma história linda e que merece ser lembrada com relação a dura perseguição,concorda querido Rabino Nissan?

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