O Gaon de Vilna e a identidade judaica

333Foi ha quase 215 anos atrás, em 19 de Tishrei, durante os dias de Sucot, que o rabino Eliahu, o Gaon (gênio, em hebraico) de Vilna devolveu sua alma ao Criador.

A maioria dos judeus contemporâneos já deve ter ouvido falar deste prodigo estudioso, seu vasto conhecimento e seu compromisso profundo em explorar todos os aspectos do conhecimento e da educação judaica.

Mas poucos estão familiarizados com a forma pela qual o mesmo contribuiu para o renascimento intelectual, espiritual e físico do Estado judaico moderno um século antes de Tehodor Herzl levantar a bandeira do sionismo político.

E à luz de alguns dos desafios enfrentados atualmente por Israel na arena internacional, vale a pena analisar a revolução do Gaon e algumas lições relevantes para hoje.

Na verdade, muito foi escrito sobre o desempenho escolar do Gaon de Vilna. Como o professor Jay M. Harris, de Harvard, disse uma vez, o Gaon de Vilna “estabeleceu uma forma revolucionária de estudo no mundo rabínico”.

O mesmo, reavivou o estudo do Talmud hierosolimitana e outros textos antigos, tentou criar harmonia entre as diferentes passagens que confundiam estudiosos em outras gerações e meticulosamente traçou as fontes dos pareceres do Shulchan Aruch (Código da Lei Judaica). Ele atravessou o vasto mar de tradições judaicas, corrigindo as inconsistências e fazendo as emendas necessárias, impulsionado por um desejo de verdade e exatidão.

Um homem profundamente humilde, o Gaon de Vilna, nunca tinha tido qualquer posição pública ou comunitária, completamente devotando-se aos textos de nosso povo. Mas a sua influência se estendeu muito além dos livros, em parte graças a uma ideia simples, mesmo que de muito peso mas que defendeu apaixonadamente: o povo judeu não deve ser passivo em trazer a sua própria redenção.

Embora essa crença foi contra o que a maioria dos judeus europeus pensavam naquele momento, de qualquer maneira, o Gaon incentivou seus alunos a fazer aliá, o que muitos fizeram em três grandes ondas que começaram em 1808.

Eventualmente, milhares de discípulos e suas famílias se mudaram para a terra de Israel. Como resultado, em meados do século XIX, a maioria da população de Jerusalém era judaica, pela primeira vez desde a invasão romana, e assim permanece desde então.

Tudo graças à visão de um único estudioso em uma sala de estudos na Lituânia.

A forte convicção do Gaon de Vilna sobre a necessidade de o povo judeu realizar coisas práticas sobre suas queixas sobre a sua antiga casa, foram excelentemente expressas no volume chamado de Kol Hathor, que foi escrito por seu aluno Rabino Hillel de Shklov.

O livro cita as palavras do profeta Isaías (54:2-3), que disse: ” Expanda (Archivi em hebraico) o lugar de sua tenda e estenda a sombra de seus quartos sem poupar-las … porque você vai espalhar-se para a direita e para a esquerda e seus descendentes herdarão as nações, e fara habitáveis as cidades assoladas.”

Kol Hathor diz em nome do Gaon de Vilna que estes versos são a chave para a redenção judaica, porque o que o profeta Isaías chamou de “Archivi” é um mandamento – uma chamada para ação em todo o mundo judeu se mudar para Israel e se estabelecer em todos os lugares da Terra.

Ele, assustadoramente, nota que a única alternativa para “Archivi” o crescimento judaico e a expansão, é “Achrivi” (hebraico para destruição). Em outras palavras, não há nenhuma possibilidade de recuo.

Finalmente, o Gaon diz, “sabemos de antemão que todos os tesouros preciosos incluídos na bênção de Archava (Expansão) só virão se o povo de Israel primeiro realizar as ações em um despertar da terra.”

Com estas palavras, o Gaon de Vilna estabeleceu um claro desafio para cada um dos judeus no mundo, delineando a nossa tarefa de não sentar-se passivamente e esperar a redenção no exílio, mas agir e trazê-la para nós.

Através desta nova abordagem, o Gaon tornou-se o precursor do sionismo moderno, um forte defensor do ativismo judaico e um restaurador da auto-confiança e da auto-estima dos judeus.

Viu e superou o impossível. Impulsionado por uma crença na justiça da causa e uma profunda fé no Criador, ele deixou para trás um legado de reivindicação judaica e restauração.

Depois de séculos de exílio e perseguição, o Gaon de Vilna nos ensinou uma lição muito importante, uma muito especial para estes dias: o povo judeu não é um prisioneiro do destino, mas sim um sócio de D’s na formação deste!

Uma lição que todos devem aprender.

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