Os novos rechaçados da Russia

sobotnikim-english-fixed-301013_fAgora vou contar-lhes uma história tão absurda e incoerente que deve fazer o sangue ferver. Durante os últimos quatro anos, milhares de judeus russos foram impossibilitados de fazer aliá e se encontrarem com seus parentes no Estado judeu.

Pais e filhos são forçados a viverem separados devido a manobras burocráticas e irmãos são divididos por uma loucura do governo.

Estas pessoas inocentes, homens e mulheres, se encontram na perplexidade, temem o início de uma nova onda de anti-semitismo ao seu redor e não têm possibilidade de chegar ao país de seus sonhos.

Diferentemente do sucedido nos anos 70, hoje em dia não é oficial quem bloqueia a aliá, porém o mesmo governo israelense interfere em seu caminho, fechando inexplicavelmente a porta na cara de 20000 judeus subotniks que anseiam e suplicam por retornar a Sion.

Os judeus subbotniks são os novos rechaçados de nossa época. Chegou a hora de nossos dirigentes deixarem de colocar obstáculos no caminho e ajudarem a trazê-los pra casa o mais rápido possível.

Os ancestrais dos subbotniks foram camponeses russos que se converteram ao judaísmo de forma heróica há mais de dois séculos, apesar das perseguições do czar. Eles se auto-denominaram “os guerim”, utilizando a palavra hebraica para convertidos, porém os historiadores os denominam “subotniks” devido a observância do “subot”, o shabat judaico.

Os judeus subotniks observam o shabat e respeitam cashrut, rezam três vezes por dia e colocam tefilin (filacterios). Eles celebram todas as festividades judaicas, desde o Iom Kipur até o Lag Baomer, preparam sua própria matzá para Pessach, e inclusive, em alguns casos, conseguiram mandar seus filhos a Lituânia para estudar em Yeshivot, durante o século XIX.

Os judeus subbotniks se misturaram e se casaram com judeus ashkenazim das cidades próximas como Voronezh, Borkharan e da região dos Cáucasos.

Ao longo dos anos, os judeus subotniks se enraizaram em sua fé com tenacidade tal que superou a opressão czarista, a tirania soviética e a crueldade nazista. Inclusive, depois de muitos terem sido exilados as longínquas terras da Sibéria, eles continuaram praticando o judaísmo da melhor forma possível.

Durante os últimos quatro anos, uma leva de cruéis empregados pertencentes a burocracia israelense começou a questionar seu judaísmo, apesar dos judeus subotniks já fazerem aliah livremente, há quase um século. Não parecia importar que homens como o antigo chefe das forças armadas Rafael Eitan, o anterior comandante da polícia Alec Ron, o legendário Trumpeldor e possivelmente Ariel Sharon, se encontrassem entre os descendentes dos judeus subotniks. Quando a cortina de ferra caiu, milhares de judeus subotniks fizeram aliah e se assentaram em nosso país.

Não parece preocupar nem um pouquinho aos nossos servidores públicos, que faz três meses apenas que o Rabino Chefe, Shelomo Amar, empreendeu esforços para trazer os subbotniks para Israel. Com arrogância, os burocratas israelenses acreditam que sabem mais do que todos os grandes historiadores, proeminentes rabinos e etnógrafos acadêmicos juntos, resultando na obstrução de milhares de judeus no caminho de volta para casa.

Tomemos por exemplo a Lubov Gonchareva, mãe de três filos, de 47 anos, do povoado de Vysoki no sul da Russia. Há alguns anos, os pais de Lubov fizeram aliah e receberam cidadania israelense de forma automática baseados na lei do retorno. Ambos foram registrados como judeus no Registro de População do Ministério do Interior, e inclusive o rabinato israelense expediu uma declaração confirmando que a mãe de Lubov era judia.

Apesar de tudo isso, quando Lubov emitiu um pedido para realizar aliah há três anos, seu pedido foi negado pelo governo israelense, com a desculpa de que seu esposo não era judeu.

Lubov, como muitos de sua geração, foi alvo da política de assimilação do governo soviético, com o objetivo de apagar sua identidade judaica. No entanto, apesar de seu casamento com um não judeu, Lubov continua praticando o judaísmo e criando todos seus filhos dentro dele.

No início do ano, quando visitava seus parentes com o visto de turista, Lubov tentou novamente receber o status de olá chadashá no Ministério do Interior. Há seis meses, recebeu uma carta de rechaço na qual reconheciam os subotniks como incluídos na lei do retorno, única e somente, “quando estejam casados dentro do marco de sua comunidade”.

“Por não estar casado com um membro da comunidade subbotnik”, o ministério repreendeu Lubov: “e por não ter preservado o marco da comunidade, seu pedido foi negado e perdeste teu direito de fazer aliah”.

Falando a través de um tradutor, Lubov chorava de uma forma incontrolável enquanto que me mostrava a carta e me expressava sua incredibilidade acerca do tratamento que o governo de Israel está brindando a ela e sua família. “Nasci como judia, vivo como judia e assim vive minha filha”, disse. “O Estado reconheceu meus pais como judeus, e apesar de tudo não permitirá nem a mim e nem a minha filha fazer aliah, apesar de sermos judias. Como podem fazer isso”?

Bem, Lubov, tenho medo do que podem fazer os burocratas. E o fazem, com indiferença do que pode acontecer aos teus filhos e a ti também.

Temos, também, o caso de Ludmila Ignatenko. Sua mãe fez aliah há vários anos e foi registrada como judia no Ministério do Interior.

Em março de 2005, Ludmila e sua filha, ambas judias, foram ao consulado israelense em Moscou e formularam uma petição para realizar aliah. Seu pedido foi rechaçado porque, disseram a Ludmila: “teu ex-esposo não é judeu”.

Sim, entenderam corretamente: seu “ex-esposo”, o homem com quem ela esteve casada não é judeu. E por isso, o governo israelense não lhes permite fazer aliah.

Tentativas constantes de mudança na política do governo não tem dado resultado algum. Assim sendo, em junho deste ano, Shavei Israel, a organização que presido, preencheu uma petição junto a Corte Suprema a favor de Ludmila Luboc e milhares de judeus subotniks, por estarem lhes bloqueando a aliah. A corte aceitou ouvir o caso, e não tenho nenhuma dúvida de que eventualmente triunfaremos, mesmo por que a justiça está do nosso lado. A política do Ministério do Interior e da Junta de Liaison, um braço da Oficina do Primeiro Ministro, também conhecido como Nativ, que supervisionam a aliah da União Soviética, é simplesmente impensável e insustentável.

No momento em que Israel se encontra com a necessidade de receber novos imigrantes, que sentido faz deixar de lado 20000 subbotniks que vivem como judeus e que desejam criar seus filhos como tal?

A política do governo com respeito aos subotniks é ilegal, imoral e anti-sionista e deve ser mudada. Devemos pressionar para que o Primeiro Ministro Ehud Olmert deixe os judeus regressarem para casa.

Há cerca de três décadas atrás, judeus no mundo todo saíram às ruas para protestar a favor dos judeus russos: “deixem sair ao meu povo”.

Agora, devemos novamente ser os porta-vozes a favor de nossos irmãos russos. Desta vez, apontemos nossos gritos ao governo israelense e insistamos: “deixem entrar ao meu povo”.