Fé, valor e descobrimento: de El Salvador à Jerusalem

Tudo começou em 1982, quando Yael e a mãe de Elisheva Franco ajudaram a abrir uma nova escola em El Salvador. A chamaram de, “Jerusalém”. A mãe das irmãs Franco não sabia nada sobre a tradição judaica e a escola era, somente, “uma escola secular normal”, conta Yael Franco.

Dez anos mais tarde, Yael e mãe de Elisheva chegaram a Israel com uma bolsa da Embaixada de Israel para estudar Educação em Haifa. Uma vez mais, não houve uma relação aberta com o judaísmo. “Ela sentia uma conexão com Israel, mas não sabia o por quê”, continua Yael.

Hoje em dia, toda a família Franco pratica um judaísmo tradicional. O irmão mais velho, Eliyahu, fundou a sinagoga Beit Israel, em San Salvador, a capital do país, e toda a família Franco passaram a ser seus membros fundadores.

Yael e Elisheva agora tomaram o passo seguinte: após a conversão formal ao judaísmo, no ano passado, ambos fizeram Aliyá para Israel.

Quando perguntamos a Yael, a que ela atribui tais mudanças impressionantes na sua vida e nas vidas de seus familiares, ela simplesmente diz: “Sinto como se D’us estivesse guiando nossa família, sem que percebamos. Pouco a pouco começamos a fazer as coisas. Primeiro foi o nome da escola, e então nossa mãe veio visitar Israel. Temos cumprido o Shabat, mesmo antes de termos qualquer conexão judaica”.

Histórias assim, geralmente, acontecem com Bnei Anussim de Espanha, Portugal e América Latina, quando uma herança judaica escondida surge dos lugares mais inesperados – como uma premonição espontânea de chamar uma escola de “Jerusalém”, no coração da América Central, há mais de 12 mil quilómetros da capital histórica do povo judeu.

Os Bnei Anussim são descendentes de judeus que foram forçados a se esconder ou forçados a se converter ao catolicismo há 500 anos. Muitos escaparam da Europa para o Novo Mundo em navios dos grandes exploradores, e estabeleceram-se em El Salvador, Colômbia e Chile. Mas a Inquisição seguiu estes judeus que, assim como seus irmãos que permanecerem nos países de origem, passaram à clandestinidade.

A Shavei Israel reuniu-se recentemente com quatro jovens de El Salvador, que estão agora em Israel nos vários estágios de conversão e Aliyá, estudando em paralelo, em Midrashot (seminários) e Ulpanim de hebraico na área de Jerusalém (uma quinta jovem, Aliza, não estava disponível para uma entrevista).

Rachel, 27, estudou comunicação em El Salvador e espera continuar nesse campo em Israel – talvez até mesmo tornar-se uma jornalista. “Eu sei Inglês e Espanhol, o que me abre muitas oportunidades”, diz ela. “Agora estou estudando o hebraico”.

O lado materno de Rachel chegou a El Salvador da Espanha e seu pai emigrou da Turquia. “Não sei se eram judeus, mas realmente não importa”, diz ela. “Logo no início, o que eu mais queria saber era sobre o judaísmo. Eu era “estranha” – a única entre meus amigos cristãos que não acreditava em Jesus”.

Enquanto estava na faculdade, Rachel fez amizade com alguns estudantes judeus. “Um dia eu estava caminhando para casa, e suspirei dizendo: ‘D’us, quero Lhe encontrar!’. Uma semana depois, um dos meus amigos judeus me convidou para visitar sua comunidade no Shabat. Eu não sabia nada sobre judaísmo ou sobre o Shabat. Mas fui. Cantamos os salmos e chorei: ‘D’us, eu Lhe encontrei!’. A partir daquele dia, nunca perdi um Shabat.”

Sonia, 28, encontrou seu caminho para a comunidade judaica de San Salvador através da única livraria judaica na cidade. Ela também não havia crescido como judia. “Mas eu sempre gostei de ler e minha família costumava dizer que os judeus eram o povo escolhido. Fui, então, para a livraria buscar mais informações. A mulher que trabalha lá me colocou em contato com a comunidade judaica”, conta.

Sonia estudou o trabalho social na universidade por um ano mas, “tive que deixar [os estudos] para trabalhar.” Trabalhava numa fábrica, na área de controle de qualidade. Agora em Israel, ela diz que gostaria de voltar aos seus estudos de trabalho social. “Acredito que existe um grande potencial aqui para ajudar outros com necessidade, especialmente em espanhol”, diz ela.

As irmãs Franco, são dez anos maiores do que Rachel e Sonia, e Yael Franco tem um filho de 13 anos, Joshua (Yehoshua), que chegou a Israel com ela. “Tudo veio do céu no momento certo”, diz Yael. “O pai de Yehoshua concordou em deixá-lo sair de El Salvador”.

Yehoshua fez o Brit Milá, quando era um bebê, mas o que é surpreendente é que seu tio, Eliyahu, não judeu e futuro líder da comunidade Beit Israel, assim como outros parentes do sexo masculino, também foram circuncidados quando eram jovens – “algo muito incomum em El Salvador”, conta Yael, “mas foi o que aconteceu na família Franco”. “Nunca comemos carne de porco, o que também é muito estranho para a América Central”, diz Yael. “E as mulheres sempre usavam saias. Nossos pais disseram que era uma coisa moral, mas nunca explicaram o por quê. Eu não acho que eles sabiam. Essa era a tradição.”

Os Franco eram ativos na igreja evangélica – seu pai era um líder religioso da comunidade, quando começou a ter dúvidas sobre o cristianismo. “Começamos a fazer muitas perguntas e, finalmente, decidimos que a igreja não era a verdade”, diz Elisheva. A medida que os discursos de seu pai começaram a divergir daquilo que os paroquianos esperavam “ele e toda a família foram expulsos”, conta Elisheva.

Somente quando deixaram a igreja, que chegaram a conhecer o judaísmo. Elisheva acrescenta: “Quando meu irmão fundou o Beit Israel, nossos velhos amigos ficaram muito irritados. Foram chamados de hereges e cortaram todo o contato. Foi a única vez que experimentamos qualquer espécie de anti-semitismo”.

Na verdade, El Salvador tem sido extraordinariamente gentil com os judeus. Quando falamos com Eliyahu Franco em 2013, ele disse que não era incomum ver uma Maguen David (estrela de David) ou uma Menorá usada como um elemento de design em um cartaz, um ônibus ou em frente a uma loja. Além do mais, Franco contou que usava seu Kipá (solidéu) abertamente na rua e, “as pessoas se aproximam de mim para dizer ue ‘amam os judeus'”.

Shabbat em Beit Israel é uma experiência incrível, explica Rachel. “Todo mundo vem para a sinagoga antes do Shabat e dorme lá. Todos trazemos e compartilhamos comida. Não há nem mesmo tempo para uma pausa na tarde de Shabat com tantas atividades e aulas! Assim é todos os sábados.”

Por Rachel quer abandonar uma comunidade tão inclusiva como esta?

“Não há nenhum outro lugar como Israel”, responde rapidamente. “Há algo especial aqui do qual eu faço parte. Já não posso mais pensar em viver em um lugar diferente. Sinto que tenho uma ‘conexão de alma’ aqui”.

Elisheva e Yael ambos trabalharam no “Jerusalem”, a escola de sua mãe, que finalmente começou a incluir aulas de história e tradição judaica. Depois de nove anos na comunidade Beit Yisrael, sabiam que era hora de seguir em frente. Viajaram primeiro para os EUA, onde as conversões ortodoxas foram feitas, e depois para Israel.

Elisheva diz que gostaria de escrever um livro sobre suas experiências. “Eu o chamaria de ‘A vida é um presente'”, diz. “Toda vez que temos um teste na vida, há, também, um propósito. Cada respiração que tomamos, cada olhar, cada fala, é um presente de D’us. Nem sempre é evidente.”

Elisheva espera que depois de aprender o suficiente, possa tornar-se uma professora de estudos judaicos para outros imigrantes de língua hispânica.

Elisheva, Yael, Sonia e Rachel chegaram em Israel – e em Jerusalém, em particular – em um momento difícil, durante a luta do país contra o terrorismo. Perguntamos-lhes se sentem medo.

Yael-Elisheva-and-Rachel-prepare-for-Shabbat
“Você está brincando?” perguntou Elisheva quase rindo. “Você não sabe o que se sente em El Salvador. Setenta pessoas são mortas a cada semana. É terrível. Me sinto muito mais segura em Israel.”

Sonia concorda. “Sinto-me segura aqui, porque estou perto de D’us.”

“É como uma grande família aqui e você nunca está sozinho”, acrescenta Elisheva. “Embora às vezes sejamos muito diferentes, as pessoas estão juntas, unidas.”

Yael e Elisheva tem uma mensagem para a comunidade em El Salvador: “Não nos esquecemos. Podemos ter sido as pioneiras, mas vamos ajudá-los a vir também.”

Yael enfatiza que ela é “grata pela atenção que a Shavei Israel nos deu, através do envio do [emissários da Shavei Israel] Rabino Daniel Tuito e o Rabino Yitzhak Aboud, que nos ajudaram a realizar o sonho de voltar a Eretz Israel [a terra de Israel] e recitar em nossa própria terra, o ‘Shema Israel Hashem Elokeinu, Hashem Echad‘”.

A Shavei Israel apoiou Yael, Elisheva, Rachel, Sonia e Aliza desde o início e continuará apoiando em suas novas vidas em Israel. Caso deseje ajudar a Shavei Israel com a comunidade de El Salvador e outras comunidades de Bnei Anussim na América Central e do Sul, por favor visite nossa página de doações.

“O processo que passamos é complicado e nem sempre é fácil”, conclui Rachel. “Mas D’us está sempre conosco. Ele escuta nossas orações. A minha alma está sempre procurando a verdade, para encontrar a D’us. Quero transmitir emuná – fé – da minha vida, e que possamos lutar pelo que é certo. Sei que D’us me ajudou.”

Bat Mitzvá na Nigéria!

Como as jovens se vestem para um Bat Mitzvá na Nigéria? Não muito diferente do que em Israel – com um vestido rosa e uma coroa!

bat-mitzvah

Gadi Bentley, o primeiro emissário da Shavei Israel para a comunidade judaica Igbo, na Nigéria, África (confira aqui o artigo sobre os Igbo), nos enviou esta foto desta linda jovem, Tuvia Bat Pennyel, no dia de seu Bat Mitzvá. Na foto, Tuvia, que vive na pequena cidade de Ogidi, está cercada pelos seus pais e irmãos mais velhos.

Estima-se que 3.000 Igbos se identificam como o Povo de Israel e praticam uma forma moderna do Judaísmo, com sinagogas (existem 26 no país), rolos de Torá, Kashrut, Tefilin (filactérios) e Talit (xales de oração) além de também praticarem o “Brit” – a circuncisão.

Os judeus Igbo roubaram, pela primeira vez, à atenção do mundo ocidental há mais de 500 anos atrás, quando missionários portugueses que navegavam pela África Ocidental, os encontraram. Os portugueses então, enviaram relatórios para Portugal contando sobre uma tribo de africanos que praticavam o sábado judaico e as leis kosher. Embora os missionários tenham tentado converter a maioria dos Igbo ao cristianismo, os judeus Igbo não esqueceram suas raízes e nas últimas décadas começaram a se reconectar com sua herança.

Este “reconectar” não é apenas em semachot (celebrações, como um Bat Mitzvá). A cada dois meses, os jovens, das várias comunidades judaicas Igbo, se reúnem para um fim de semana de atividades e diversão. Abaixo uma foto de um destes eventos. (o único não nigeriano da foto é o nosso emissário, Gadi).

20160221_115739

A idéia dos encontros, que acontecem cada vez em um local diferente, é “juntos estudar a Torá e aprender uns com os outros”, diz Gadi Bentley.

Há sempre um jogo de perguntas e respostas que abranja a lei judaica, sionismo e o idioma hebraico. São sempre dois participantes representando cada estado e um troféu é dado ao vencedor. A comunidade de Port Harcot foi a vencedora do concurso mais recente que aconteceu há duas semanas no estado nigeriano de Imo. As duas primeiras fotos abaixo foram tiradas durante o Shabaton em Eboni.

781a84f6-fad3-45ce-83af-0503399a622d-141507104-8504-418d-b445-3c1cd12b1f52-120160221_074551-2

Adultos

Comentário sobre a Porção Semanal de Chukat

 

 

“Déja Vu”

Na porção da Torá de Chukat, nos deparamos com dois eventos que apontam a mesma direção. A “pedra” e a “cobra de cobre”.

Ao ler sobre o evento da pedra, quando Moshe a golpeia para que saia água pura, e assim saciar a sede do povo, sentimos um lampejo de “déjà vu” (sensação de já haver passado por esta situação).

Na verdade, já no capítulo 17 de Êxodo, na porção da Torá de Beshalach, o povo protesta contra a falta de água e Moshe recebe a ordem divina de golpear uma pedra com seu cajado, para assim, fazer sair água. Este manacial os acompanhou durante toda a longa jornada de quarenta anos no deserto.

Este pedido de água foi acompanhado por uma questão séria: “Está o Senhor conosco, ou não” (Id. 17: 7). O povo havia pensado que o Criador poderia haver-los abandonado, por não fornecer a água necessária para seus sustentos. É como a continuação do protesto do qual lemos no capítulo que antecede este pedido, (Êxodo 16: 3). “Nos trouxeram a este deserto para matar a toda esta congregação, de fome”. Trata-se de uma falta de confiança que nasce e nutre-se, obviamente, da falta de familiaridade, ou da experiência, com os caminhos do Criador. A única solução é deixá-los experimentar esses caminhos divinos.
Aprendizagem a Longo-Prazo

Durante os quarenta anos que permanecerão no deserto, passrão por uma longa experiência no deserto, e uma difícil aprendizagem. O Criador onipresente e onisciente os acompanha. Observa seus atos e pensamentos, reagindo imediatamente, como reagiu a profanação dos filhos de Aharon, do recém-inaugurado Tabernáculo.

Mas não quer ensinar-lhes com portentosos milagres súbitos, e sim através de um milagre que se repete uma e outra vez, todos os dias, exceto no Shabat. No qual, experimentavam cada um, pessoalmente, confiando em que “amanhã vamos ter o nosso Maná, assim como tivemos hoje”.

Quarenta anos se passaram quando chegamos na Parashá de Chukat. E, novamente, o episódio com a pedra, se repete.

Nossos sábios nos dizem que o manancial surgiu há quarenta anos, e suportou todos os anos de exílio pelo grande mérito de Miryam. O mérito das mulheres que enviam seus maridos para estudar até tarde da noite, esperando por eles com amor, entendendo que a bênção da casa depende do estudo da Torá. E o estudo da Torá depende deles, como seus alunos. Como disse o grande Rabi Akiva, “tudo o que tenho e que vocês podem ter, é mérito da minha esposa Rachel (que lhe permitiu estudar por muitos anos).” É a água que sacia a sede de sabedoria. Quando Miryam morre, o manancial seca, e o povo deve voltar a trabalhar para conseguir sua água.

 
Parecido, mas não idêntico

O povo protesta, como havia feito quarenta anos antes, e Moshe recebe uma resposta muito semelhante a aquela que recebeu pela primeira vez. Parecida, mas não idêntica. “Agarre seu cajado, reuna o povo, você e seu irmão Aharon, e falai à pedra perante seus olhos, e assim, lhes darão suas águas; e da água que retirarais da pedra, darais de beber à congregação e aos seus animais” (Bamidbar 20: 8).

Moshe se equivoca e, ao invés de “falar” com a pedra, ele a golpeia, assim como havia feito, com sucesso, na última vez. ‘Se pede para agarrar meu cajado, deve ser para golpear’ e não leva em consideração que se passaram quarenta anos. Supõe-se que neste momento tiveram tempo para amadurecer, já haviam se tornado “adultos”.

O golpe que pode, ou não, ser dado a criança, deve ser acompanhado de explicações, em nome de sua educação. Deve ser suave, sem raiva ou vingança, sempre mostrando o amor que está por trás disso. Deve ser realizado com a mão esquerda, a mais fraca. Acontece quando não há mais outras opções e não existe mais remédio. Ocorre em porções mínimas e, raramente. E em uma certa idade, já está proibido golpear, e a única coisa que conta é o ensinamento oral, as explicações.

Sim, o cajado deve estar presentes, para fazer lembrar o quão sério é o problema. Mas não para bater. Somos adultos.

 

 

Olhar em seus olhos

Sobre a questão da serpente, o ensinamento aqui é muito mais profundo.

Se aventuraram no grande deserto da Síria, local inóspito e cruel. Têm sede e temem as feras do deserto. E então, protestam.

Aparecem as cobras venenosos ou ‘ardentes’ (“serafim” – no hebraico), como chama a Torá. O que, ou quem, são essas cobras? Sabemos: cobra é igual a ‘Yetzer HaRá’, a inclinação má. Cobras aparecem e mordem as pessoas, e as pessoas morrem dessas mordidas.

Como sempre, vêm de encontro a Moshe para que interceda com o Criador e assim, possa salvá-los.

Mas desta vez, a reação de D’us é muito diferente. Ele diz a Moshe para preparar uma cobra de cobre e posicioná-la no topo do mastro, de modo que as pessoas a vejam e assim, se curem.

Que tipo de mágica é essa? Acrescentemos que, antes de dar a nossa explicação, deste episódio que os farmacêuticos retiraram a idéia do famoso símbolo da enfermagem: uma cobra enrolada em uma vara ou em um copo. É verdade que a versão grega explica dizendo que, do veneno de cobra são extraídos os concentrados que são a base das drogas farmacêuticas, mas nós apresentamos uma versão diferente.

Responde o Criador para o povo: “Basta de pedir magia, ajuda milagrosa para resolver seus problemas”. Agora são adultos.

Levante a cobra e a encare nos olhos. Reconheça o problema, onde nasceu, como se alimenta, como cresce. Olhe-a nos olhos e lute com ela. Agora vocês são adultos. Têm força. Não tenham medo: não é nada mais do que uma cobra. Assim como a serpente que Moshe agarrou pela cauda e esta transformou-se em vara na sua mão.

 

 

 
De Mal à Bom

A ‘inclinação para o mal’ é ruim porque a usamos mal. Deixamos nos levar por instintos mal-educados. Se aprendemos a usar essa mesma inclinação no caminho certo, esta, torna-se, automaticamente, uma “boa inclinação”. Se aprender a educar seus instintos, eles irão parar de incomodar e tornar-se-ão seu melhor aliado, sua maior ajuda, uma vez que o Criador lhe presenteou com este, para que os use, mas para usá-lo corretamente, é claro.

Vícios tornam-se virtudes. As virtudes são polidas e refinadas. O trabalho é difícil, sem dúvida. Talvez seja uma das principais tarefas que temos em nossa vida, ou talvez apenas a preparação necessária para levar a cabo uma missão muito mais importante. Ou talvez, ambos ao mesmo tempo.

Somos adultos, e exigimos dos adultos que trabalhem sobre si próprios para resolverem seus problemas. Podemos aconselhar, podemos fornecer os meios e as condições, mas o trabalho são os próprios adultos que devem fazer.

Somos adultos e aprendemos a confiar no Criador. Aprendemos a melhorar nossas habilidades e usá-las corretamente. Há falhas, sempre existem, “um homem justo cai sete vezes, e se levanta” (Provérbios 24:16). Os ímpios caem e se desesperam, enquanto que o justo se levanta, limpa a poeira da queda e retorna ao trabalho, sem nunca, nunca, perder a esperança.

A comunidade de Suriname

Suriname está localizado na costa nordeste da América do Sul, fazendo fronteira com ambas as Guianas e com o Brasil. Holandês é a língua oficial do país. Com pouco menos de 163.821 km², Suriname é o menor estado soberano da América do Sul. Possui uma população estimada em cerca de 490.000 de habitantes, dos quais, a maioria, vivem na costa norte do país, onde a capital Paramaribo está localizada. Cerca de 80% de Suriname é coberta com florestas densas.

Ao contrário das outras comunidades judaicas do Caribe cujos primeiros habitantes judeus chegaram com Colombo e as expedições da Espanha, a comunidade judaica de Suriname chegou um pouco mais tarde, em 1629, provenientes da Holanda e do Brasil. Jacob Steinberg descreve a história da comunidade: “a maioria dos judeus eram de ascendência portuguesa e se instalaram na antiga capital de Suriname, Torarica (“Torá rica” em português). A sinagoga foi construída após 1652, o ano em que os britânicos estabeleceram uma colônia em Suriname (eles também estabeleceram plantações de açúcar e tabaco).”

O primeiro explorador europeu a pisar na costa de Suriname, no entanto, foi o lendário conquistador espanhol Alonso de Ojeda, em 1499. A Espanha não começou a explorar Suriname até 1593, mas não se estabeleceram por lá.Suriname-Map

Um segundo grupo de judeus chegaram e se estabeleceram na savana em uma área conhecida como “Jodensavanne” (“savana judaica” ou “Jerusalém no Rio”). Um terceiro grupo chegou em 1664 e, juntamente com os judeus de Torarica, se mudaram, juntando-se aos judeus de Jodensavanne. Nesta época, Suriname era totalmente controlada pelo governo colonial britânico.

Steinberg continua seu relatório da seguinte forma: “o território do Suriname foi negociado em 1667 entre os britânicos e os holandeses, que forneceram, em troca, a ilha de ‘Nova Amsterdã’ (que mais tarde seria a famosa metrópole, ‘Nova Iorque’). Os holandeses que buscavam expandir suas plantações, desenvolveram Jodensavanne rapidamente, tornando-se o pilar de toda a colônia de Suriname. Uma segunda sinagoga foi construída em 1685, chamada de “Beracha Ve Shalom” (bênção e paz). Por volta de 1694, haviam 570 judeus morando no Suriname, donos de cerca de 40 plantações de açúcar.

No início dos anos 1700, os judeus possuíam 115 das 400 plantações no país. O cemitério de Jodensavanne, com suas lápides de mármore importadas da Europa, foi considerado um dos mais bonitos da América do Sul.

Em 1712, no entanto, o francês Almirante Cassard e seus piratas invadiram Suriname. Exigiram, então, enormes quantias de impostos. Os prósperos judeus tiveram que pagar a maior parte dela em açúcar, dinheiro duro, usinas de açúcar inteiras, e muitos escravos. O país nunca se recuperou completamente deste evento, e, finalmente, os judeus deixaram Jodensavanne para habitar a recém-construída capital, Paramiribo, embora voltassem para comemorar as festas judaicas na sinagoga de Jodensavanne até 1832, quando um incêndio a destruiu (junto com o resto da cidade). Em alguns anos, a densa selva cobriu os restos que havia sobrado de Jodensavanne.

Por volta de 1719, Suriname possuia duas comunidades judaicas em Paramiribo: uma ashkenazita e outra sefardita – cada uma com sua própria sinagoga. A sinagoga sefardita foi chamada de ‘Tzedek ve Shalom’ (Justiça e Paz).

 
Tempos modernos

Nos últimos 35 anos, a maioria dos judeus que viviam no Suriname se foram do país, tendo fugido depois que o país recebeu a independência em 1975 e depois, novamente, durante a guerra civil que eclodiu no final de 1980. 35% da população geral de Suriname, abandonou o país nessa época.

Hoje, existem apenas 130 judeus no Suriname em uma única congregação com um salão da comunidade e uma mikvê. O mobiliário e a arte de uma das sinagogas originais da capital foi transportada, em sua totalidade, para Israel. Hoje é exibido no Museu de Israel em Jerusalém, juntamente com uma recriação de toda a sinagoga, incluindo um piso de areia utilizado para simbolizar a peregrinação dos israelitas no deserto por 40 anos.

A comunidade no Suriname hoje é muito pobre e não tem um rabino ou os fundos necessários para restaurar os muitos rolos da Torá que possuem, ou mesmo o mikvê, que está em extrema necessidade de reparos. Na década de 1990, o governo limpou a selva de Jodensavanne revelando cerca de 450 sepulturas e ruínas da sinagoga original.

 

Participantes da viagem
Participantes da viagem

Viagem “Birthright” de Suriname

A organização Kulanu apelou aos seus membros em 2010 para arrecadar fundos para ajudar a enviar 16 jovens judeus do Suriname para uma viagem do “Birthright” (uma viagem de duas semanas em locais religiosos e históricos de Israel). O “Birthright” concordou em conduzir o grupo e realizar uma excursão em holandês.

Aqui está um vídeo emocionante da visita dos jovens de Suriname a Israel. A narração é em hebraico, e as entrevistas com os judeus surinameses é em inglês.

 

Mais sobre Suriname

O Rabino Haim Dov Beliak, um rabino do sul da Califórnia, passou três meses no Suriname, no inverno de 2009-2010. Ele já havia servido como rabino da comunidade judaica progressiva em Varsóvia, Polônia. Suriname não teve um rabino residente nos últimos 40 anos.

No tempo em que o rabino Beliak esteve no país, esteve bastante ocupado – ele “re-casou” ​​um casal que estava celebrando seu 50º aniversário de casamento, em uma cerimônia judaica; coordenou as celebrações de Hanukah para 80 membros da comunidade e ministrou aulas de educação para os adultos.

Há outros artigos em inglês sobre Suriname no site da Kulanu.

Shai Fierst, que escreveu um extenso artigo em 2008 na revista da Bnei Brith, sobre a história dos judeus no Suriname, visitou-os enquanto estacionava no Suriname, durante uma temporada com o “Peace Corps”. Inclui informações sobre proprietários judeus de plantações e donos de escravos, assim como semelhanças em certas palavras – como kasseri (parecido com kosher) que refere-se as regras de condutas alimenticias.

Amy Belfor escreveu sobre a comunidade judaica do Suriname para a Associated Press. Ela centrou-se na recente transformação de uma das sinagogas antigas do Suriname em um cibercafé e uma loja de informática.

A comunidade judaica de Suriname também possui seu próprio site.

Bnei Menashe no jogo do Macabi Tel Aviv!

Quando o Macabi Tel Aviv entrou no campo de sua nova casa, o Estádio Netanya, contra o Gorica na pré-qualificação para a Liga Europa, a Fundação Maccabi Tel Aviv FC recebeu um grupo de novos imigrantes Bnei Menashe, no que foi primeiro jogo de futebol destes, em Israel.

MTA_87e7813553425f89fbda364759a671bdOs Bnei Menashe (Filhos de Menashe) reivindicam ser descendentes de uma das Dez Tribos Perdidas de Israel e se estabeleceram, no que é hoje, o nordeste da Índia. Isso, enquanto no exílio continuavam a alimentar o sonho de um dia voltar para a terra de seus antepassados, a Terra de Israel. A Shavei Israel (http://shavei.org) é a organização responsável por ajudar os Bnei Menashe a tornar seu sonho uma realidade, assim como estendem a mão a todos os membros da família judaica e todos aqueles que procuram redescobrir ou renovar sua conexão com o povo de Israel.

Os novos fãs do Amarelo & Azul (como é conhecido o Macabi Tel Aviv) não podiam acreditar quando se aproximaram do estádio e se encontraram com mascote do Maccabi, Maccabinio, ao mesmo tempo que celebravam três gols de seu novo time favorito. Duas das crianças também tiveram a oportunidade de caminhar no campo com os jogadores antes do início da partida.

Michael Freund, fundador e presidente da Shavei Israel, disse: “Estamos honrados com o caloroso e generoso convite do Macabi Tel Aviv em receber 50 imigrantes Bnei Menashe da Índia em seu mais recente jogo. Isso significou muito para eles. Afinal de contas, o Macabi Tel Aviv é uma instituição israelense. Para os Bnei Menashe serem recebidos em casa, em Sião, de tal maneira, transmite uma mensagem clara e inequívoca: vocês são nossos irmãos e nós os estamos recebendo de volta para casa”.

O Presidente da Fundação Maccabi Tel Aviv FC, Josh Halickman, também comentou: “Foi uma verdadeira honra e prazer, receber este grupo de novos imigrantes Bnei Menashe da Shavei Israel e proporcionar um gostinho do futebol do Macabi a este novo conjunto de fãs. Um dos objetivos da Fundação é conectar-se com tantas pessoas quanto possível, tanto em Israel quanto no mundo, e recebê-los como parte da família Macabi Tel Aviv.”

 

Fonte: https://www.maccabi-tlv.co.il/en/2016/07/foundation-welcomes-shavei-israel/

 

Abaixo fotos do evento:

MTA_0e65bdbedb451bc1068645e9c537f243-789x460 MTA_87e7813553425f89fbda364759a671bd MTA_3233dffef5e484a68777018219829cec-613x460 MTA_45699e9dabea921adf051ee16d42c2a5-706x460 MTA_6155711111ef5c43b5ac3ed3e1fe7bd5 MTA_f6fa556f6a759f3fd573282b521e9f7b-690x460 MTA_f5149c8a825ea7da3843633fdad3158a-613x460