FAZENDO CHALÁ EM CALI, COLÔMBIA

Esta semana, mulheres e meninas da comunidade Bnei Anussim de Cali, na Colômbia, prepararam-se para o Shabat participando de um evento especial da Shavei Israel de elaboração de Chalá.

Sob a supervisão e orientação do rabino Shimon Yehoshua, emissário da Shavei Israel na região, o grupo aproveitou a oportunidade para mergulhar na significativa experiência da confeção da chalá. As mulheres e as meninas aprenderam sobre o significado espiritual de cada ingrediente, cumpriram o mandamento de hafrashat chalá (separação de uma porção de massa antes de assar) e rezaram por si e pelos seus entes queridos.

Maguen Abraham, a nossa comunidade em Cali, é apenas uma das 12 comunidades judaicas colombianas que pertencem à ACIC – Asociación de Comunidades Israelitas de Colombia. Hoje em dia, tem mais de 100 membros e três rolos de Torá.

Parashat Vaierá

As mulheres como vítimas numa sociedade perversa

Autora: Edith Blaustein

Extraído do texto de Loji Brandes na antologia Korot meBereshit, de Ruth Ravitzky.

No episódio de Sodoma estão presentes todos os elementos necessários para um filme de ação de sucesso, daqueles feitos em Hollywood. Uma multidão maligna e sedenta de sangue, suspense, perigo, «super-homens» fortes e empreendedores que afinal são anjos, um final feliz e, é claro, um protagonista heroico que, no último momento, consegue escapar da explosão para se salvar, deixando os maus para trás, a uma distância considerável. Música. Fim.

A história desta parashá começa com uns homens que ameaçam levar os convidados de Lot. O perigo é iminente, o suspense aumenta, mas nós, leitores, não duvidamos; sorrimos com tranquilidade e segurança, sabendo que os convidados são anjos disfarçados e que, dentro de alguns momentos, De’s cumprirá o Seu decreto e exterminará os maus.

Na Torá, Lot é apresentado sob a influência moral de Abraão. Tal como o seu famoso tio, ele também realiza «Achnasat Orchim» (hospitalidade atenciosa para com os convidados). A descrição das boas-vindas que Lot dá aos anjos é muito semelhante à dada por Abraão. Sobre Abraão, é dito: E levantou os olhos … (Génesis, 18:1 em diante). E sobre Lot está escrito: E Lot viu-os, levantou-se para os receber e inclinou o rosto por terra … (Génesis 19: 1-3).

Abraão serve bolos e carne. Lot contenta-se em dar-lhes bebidas e matzot. No entanto, existem muitas semelhanças: um recebimento cálido e comida e água para se refrescarem. Eles chegam a casa de Lot ao entardecer, por isso aí passam a noite.

O autor da história cria uma forte relação entre Lot e Abraão, usando as mesmas palavras para aumentar a semelhança entre eles e justificar que Lot seja salvo, por ser inocente numa cidade malvada.

Nós, leitores, estamos destinados a ter sentimentos de afeto e carinho por Lot e a aplaudir no final da história. Mas há um elemento na história que mostra Lot com menos luz pastoral: O oferecimento que ele faz das suas filhas à multidão selvagem que está à espera em frente à sua casa. As suas filhas em troca de não acontecer nada aos convidados (Gén., 19-8).

Porque não se oferece a ele próprio? Qual é a natureza moral de um homem que prefere a paz dos seus convidados, estranhos, aos corpos, à honra e à vida das suas filhas?

Além disso, ficamos curiosos para saber que sentimento pretendia provocar em nós o autor bíblico em relação a Lot.

Felizmente, a Bíblia está longe de ser Hollywood. O final feliz não o é tanto, e aparecem outros elementos que nos levam a uma profunda reflexão. A história culmina com a vida familiar de Lot, as filhas, a mulher transformada em estátua de sal, como castigo exemplar, porque quis observar, com prazer, a morte de uma grande quantidade de seres humanos. Transformada numa estátua de sal, será observada por centenas de pessoas ao longo das gerações, talvez com prazer.

Não sabemos como se recuperaram as filhas de Lot do terrível trauma que o pai lhes provocou ao oferecê-las, mas sabemos que as jovens estupram o pai. Na primeira noite, a sua filha mais velha teve relações com ele e, na segunda noite, foi a vez da sua filha mais nova. A razão dada pelo próprio texto leva-nos a questionarmo-nos se devemos considerá-las heroínas que desejam salvar a humanidade. (Nota: isto de acordo com a interpretação segundo a qual elas pensavam que era o fim do mundo e que não havia mais homens). No entanto, o motivo é falso. Sujaram-se em vão, a elas mesmas e ao pai.

A complexidade é semelhante ao comportamento de Lot para com as suas filhas. Nos dois casos, cometeram atos em desacordo com a moral, mas não por razões instintivas, e sim por um elevado raciocínio moral. A ação das filhas poderia muito bem ser um castigo pelas intenções passadas de Lot para com elas, o que é percetível devido à semelhança das palavras usadas nos dois casos. Quando Lot sugere entregar as suas filhas diz: Aqui estão as minhas duas filhas, que não conheceram homem (Gén. 19-7), e quando as filhas planejam o estupro: … e não há homem na terra para se chegar a nós (Gén., 19-31). Depois do estupro, elas dizem sobre Lot: … e ele não soube do seu deitar nem do seu levantar (Génesis, 19:33 e 35).

A punição a Lot é exposta da maneira mais amada pelos autores bíblicos: «midá kenegued midá», justiça retributiva: Lot tentou levar as suas filhas para serem estupradas, e as suas filhas o estupraram. Lot planejava empurrar as suas filhas desde dentro da sua casa fechada para o exterior, e as suas filhas cometeram o estupro no lugar mais fechado que se possa imaginar: uma caverna. Lot tentou aliciar a multidão a aceitar o sacrifício descrevendo as suas filhas como virgens que não conheceram homem, e as suas filhas usaram esse mesmo conceito para justificar o estupro. Lot não pôde realizar o que estava disposto a fazer com as suas filhas, mas elas sim fizeram-no, noite após noite.

Despedimo-nos do herói de Sodoma, embriagado numa caverna, incapaz de diferenciar a direita da esquerda, sofrendo a humilhação de ter sido usado sexualmente pelas suas filhas.

Assim, o autor dá-nos a sua opinião sobre a proposta de Lot aos sodomitas.

Dentro de uma sociedade perversa, não há boas escolhas. Não dá para escolher entre bom e mau, mas apenas entre mau e pior ainda.

Não é por acaso que os nossos sábios escolheram, para demonstrar a maldade de Sodoma, exemplificá-la através da cama de Sodoma. Todos os visitantes que viessem a Sodoma tinham que se deitar naquela cama; se o comprimento da pessoa fosse maior do que o comprimento da cama, sofria a mutilação das pernas, e se fosse menor, os seus membros seriam esticados. Este exemplo não é apenas uma história; fala-nos sobre o caráter de uma sociedade perversa, onde todos devem ter as mesmas qualidades, sem haver lugar para as diferenças. É proibido ter nuances, a equivalência domina tudo.

Aos olhos dos homens maus, não há nada pior do que ser forasteiro. A crueldade sádica dos membros desta sociedade é dirigida aos estrangeiros, aos diferentes, àqueles que não são «como nós».

Sodoma é uma sociedade maligna, onde todos são considerados como um só homem para defender tudo o que é considerado «nosso», onde o outro, o diferente, é odiado por isso mesmo. O indivíduo é anulado dentro da maioria, no consenso. Não há nem uma criança que grite: «O rei vai nu!», e, se houvesse, levantar-se-iam contra ele imediatamente dizendo-lhe: – Cala a boca, traidor, o rei é dos nossos, não espetes um punhal pelas costas a esta nação!..

Mas o mais triste que surge das histórias de Sodoma é a falta de esperança que esta sociedade tem. Este turbilhão de maldade que se estende sem deixar ninguém de fora não pode ser detido. Não se consegue apagar o fogo do mal. O Molech da unidade queima e extermina até o fim. E toda a terra é engolida pelas nuvens de fumaça e enxofre e afoga-se em rios de sangue, terror e lágrimas.

A antologia Korot meBereshit, mulheres israelenses escrevem sobre o livro Bereshit, compilado por Ruth Ravitzky, foi publicada por Iediot Ajronot, Tel Aviv, 1999.

Tradução livre de Edith Blaustein.

A DETERMINAÇÃO DE UM PEQUENO GRUPO JUDEU NA GUATEMALA

A comunidade Shaar Hashamaim, da Guatemala, criada como resultado de uma iniciativa local, uniu pessoas de diferentes idades e origens, empenhadas em manter as tradições judaicas, mas que não pertenciam aos grupos ou comunidades maiores representados no país.

Hoje em dia é composta por cerca de 15 famílias e oferece aos seus membros uma ampla variedade de aulas e atividades, tais como estudos judaicos, eventos comunitários, atividades ao ar livre e serviços religiosos semanais e festivos. Também fornece comida kosher, livros judaicos e serviço religioso básico. Mas havia um grande problema: todos os membros da comunidade moram demasiado longe para ir aos serviços de Shabat e das festividades sem quebrar a restrição de dirigir no Shabat.

A fim de melhorar a qualidade da vida judaica e garantir o nível de prática religiosa desejado pela comunidade, decidiu-se construir um complexo que incluirá uma sinagoga, um centro de estudos judaicos, um restaurante, quartos para dormir, um apartamento para o rabino e, é claro, uma micvê.

– Todos investimos muito tempo e recursos para permitir que as famílias cheguem ao centro na sexta-feira e guardem o Shabat com a comunidade – explica Fernando Flores Castañeda, representante da Shavei Israel na Guatemala. – Para mim, para a minha esposa, para os meus filhos e para todos os membros desta comunidade, Shaar Hashamaim, foi, é e será a porta que nos permitiu reunir-nos como povo de Israel e viver o judaísmo em todas as facetas das nossas vidas. É a porta que nos permitiu a ligação com a Torá e com o próprio D’us. –

Outros membros da comunidade também partilham o entusiasmo de Fernando. – Shaar Hashamaim é a realização de um sonho, que há alguns anos era impossível de imaginar – diz Juan Alfredo Gutierrez. – O desejo de regressar à tribo, ao povo do qual nossos antepassados se afastaram por razões muito fortes, devido às circunstâncias, foi cumprido hoje. A comunidade é nossa família. Estudamos Torá e Halachá juntos, preparamo-nos para celebrar todos os Shabat e festas. É uma grande alegria conhecer outras famílias em situações semelhantes às nossas, em que buscamos o mesmo objetivo: viver uma vida judaica em toda a sua plenitude.

Como as fotos abaixo demonstram, o processo de construção já está em pleno andamento e ainda resta muito por fazer. Se você quiser fazer a diferença, junte-se a nós no apoio à comunidade Shaar Hashamaim e faça um donativo para este projeto.

Atividades de Shaar Shamaim

Parashat Lech Lecha

A importância do indivíduo

Autora: Edith Blaustein

Lech lechá marca a transição entre o relacionamento de De’s com toda a humanidade enquanto conjunto, o seu relacionamento com cada indivíduo e a luta para manter o equilíbrio entre os dois.

Lech lechá significa «vai», mas também significa «vai para ti próprio». Indo em direção a nós próprios, encontraremos o modelo de relacionamento com De’s.

Na última parashá, Rashi explicava-nos que Noach termina após o dilúvio com o nascimento de Abraão. Com isto um mundo termina e outro começa.

Na Parasha de Noach, a zanga divina domina grande parte da cena. A humanidade falhou para com De’s e encheu o mundo de maldade; somente com Abraão e os seus descendentes é que De’s estabelecerá uma nova aliança.

Vamos ver como De’s se relaciona com o mundo a partir de Abraão:

Ao criar a humanidade, De’s criou um único homem: Adão, o início de um coletivo instruído para «crescer e multiplicar-se». Quando Adão é amaldiçoado, toda a humanidade que existirá mais tarde  é amaldiçoada com ele, e será com Noé que De’s estabelecerá um vínculo com outro coletivo humano.

Com a geração da dispersão, depois da torre de Babel, podemos ver uma mudança na atitude divina em relação aos homens. De’s individualiza-os, mistura-os e cria diferentes nações com diferentes idiomas. Então Abraão, filósofo, pensador e profeta, estabelece um novo relacionamento com De’s. Abraão procura De’s tanto quanto De’s o procura a ele. É a fé de Abraão, a sua humanidade, que cria um novo modelo a imitar.

A etimologia rabínica da palavra hebraica ivri, usada em referência a Abraão, refere-se a alguém que está «do outro lado» da humanidade, separado, sozinho. Estão todos de um lado e Abraão está do outro.

Talvez aqui encontremos a explicação para o fim da ira divina. Rashi explica que aqui está a marca distintiva desta nova era. A decisão divina de se comprometer com um indivíduo, com uma pessoa, deve ser a raiz desta mudança. De’s procura Abraão, um homem, um indivíduo, e não mais um coletivo. Foi uma etapa necessária para os indivíduos encontrarem o caminho para toda a humanidade. É a promessa de Deus a «indivíduos» como Abraão, Isaac e Jacob que constituirá a nossa essência como povo e também a nossa terra.

A humanidade é composta de indivíduos. Inicialmente o relacionamento divino era com eles, depois é estabelecido um relacionamento especial com o povo hebreu e, a partir de então, podemos considerar que este é o modelo que será estendido no futuro a toda a humanidade.

Devemos inspirar-nos em Abraão, na sua generosidade. Na sua tenda, sempre aberta dos quatro lados, na sua fé inabalável em De’s, na sua palavra e na sua humildade. Ele é o exemplo que a Torá nos convida a seguir, como indivíduos e como povo.

NOVO ERUV EM BELMONTE

A vila portuguesa de Belmonte, tão significativa no mundo judaico pela presença dos Bnei Anussim, conta agora com um Eruv para a comunidade judaica.

Para quem não sabe, um Eruv é um dispositivo que permite transformar simbolicamente um determinado espaço público, como um bairro ou uma cidade, num recinto comum, de forma a que os judeus praticantes possam transportar objetos no Shabat, o dia sagrado semanal judaico,  pois, em áreas onde não existe Eruv, é proibido transportar objetos em locais públicos ou entre locais públicos e privados no Shabat. O estabelecimento de um Eruv vem permitir então esse mesmo transporte, facilitando a vivência prática do Shabat, ao possibilitar o transporte de artigos necessários, como carrinhos de bebé, livros de oração ou alimentos, por exemplo. 

O estabelecimento do Eruv em Belmonte, que contou com a colaboração e financiamento da Câmara Municipal de Belmonte, foi iniciativa do rabino Avraham Franco, atual rabino da Comunidade Judaica de Belmonte.

«Quando cheguei à comunidade, perguntei a mim mesmo o que estava faltando, e que ferramentas adicionais eu poderia dar à comunidade judaica para torná-la mais ativa e vibrante», contou o rabino Avraham Franco ao jornal israelita The Jerusalem Post, numa entrevista recente sobre o assunto. 

O rabino responsável pela elaboração do Eruv em Belmonte e pelo cumprimento das especificações da lei judaica na sua instalação foi o rabino Boaz Pash, rabino chefe do Kolel Torat Yosef em Israel, que viajou para Belmonte especialmente para o efeito.

O Eruv foi formalmente apresentado num evento oficial no passado dia 29 de Outubro, dia 30 do mês judaico de Tishrei, no auditório do Museu Judaico de Belmonte, com a presença do presidente da Câmara Municipal de Belmonte, o Dr. António Rocha.

Congratulamos a Comunidade Judaica de Belmonte e o rabino Avraham Franco, que com tanto entusiasmo têm divulgado o novo Eruv! Fazemos eco do seu entusiasmo, certos de que o Eruv será uma mais valia, não só para a comunidade judaica local como também para os inúmeros turistas judeus que visitam Belmonte.

Aqui podem ver algumas fotos e um pequeno vídeo do evento da apresentação formal do Eruv:

[Foto: Dr. António Rocha, presidente da Câmara Municipal de Belmonte, sr. Pedro Diogo, presidente da Comunidade Judaica de Belmonte, e rabino Avraham Franco, rabino da Comunidade Judaica de Belmonte]

Ver Vídeo

HOMENAGEM AO RAV NISSIM KARELITZ

O Rav Nissim Karelitz emitiu um parecer histórico sobre os Chuetas.

De Miquel Segura Aguiló

No passado dia 21 de outubro, o povo de Israel sofreu a perda do importante rabino e posek, Shmaryahu Yosef Nissim Karelitz. Apesar das notícias publicadas pela imprensa internacional, poucas pessoas em Espanha mencionaram o seu desaparecimento. Entre nós, o seu nome deveria ficar inscrito num lugar de honra, porque Karelitz decretou, em julho de 2011, que «Todos os descendentes de conversos de Maiorca (Chuetas) que possam demonstrar que a sua avó materna, antes da segunda guerra mundial, tinha como segundo sobrenome um dos 15 considerados xuetes, devem ser considerados judeus, filhos de Israel

O mencionado rav, dirigente de um dos principais tribunais rabínicos do mundo, enviou a Maiorca uma delegação que, com discrição e silêncio, levou a cabo uma profunda investigação nos âmbitos históricos e genealógicos. O cronista teve o prazer e a honra de o acompanhar nas suas diligências. Poucos meses depois, chegava-nos o seu parecer, hoje conhecido e aceite pela generalidade do mundo judaico. Que o De’s de Abraão tenha acolhido a sua alma, e que a sua memória permaneça.

Leia mais sobre os judeus chuetas:

Parashat Noach

O dilúvio – Retirado do livro Ideas de Bereshit, dos rabinos Isaac Sakkal e Natan Menashe

Perguntas:

  • Porque decide De’s destruir toda a geração do dilúvio?
  • Porquê desta maneira, com um dilúvio?
  • De’s é perfeito e não tem mudanças. Ele sabe tudo antes de que aconteça. Na nossa parashá, vemos que, depois do dilúvio, De’s diz que nunca mais vai destruir toda a humanidade. Isto quer dizer que De’s se arrependeu ou que mudou a sua maneira de pensar depois do dilúvio?
  • Porque será o arco-íris o sinal de que a humanidade nunca mais será destruída?
  • O que é o pacto com os filhos de Noé?

Respostas

Os motivos da destruição de toda aquela geração são: Araiot (relações incestuosas) e Chamas (roubo).

Para esta afirmação, baseamo-nos no versículo de Génesis 6:2, que diz: VaIru bnei Elokim et benot adam ki tovot hena, vaIkechu lahem nashim mikol asher bacharu. – E viram os homens mais importantes (mais sábios) as mulheres, que eram bonitas, e tomaram para si mulheres, das que mais lhes apeteciam. Entende-se do versículo que eles as tomaram pela força, apesar de elas serem casadas. Quem comete adultério, além do seu ato desonesto, está a roubar, já que essa mulher é de outro ‏homem; era do seu próximo e ele tira-lha. Para além disso, eram cometidos outros tipos de maldades e violência, tal como diz o versículo: Era grande a maldade do Homem sobre a terra.

O motivo pelo qual De’s decide destruí-los com um dilúvio é que De’s está a fazer tudo voltar para trás, quer dizer, está a desfazer o que fez, está a fazer com que tudo regresse ao Tohu vaBohu, quando apenas existia água e escuridão. E precisamente o versículo que nos cita aí é: VeRuach Elokim merachefet al pnei haMaim – A Presença Divina estava sobre a água, tal como agora com o dilúvio, em que é tudo água.

De’s não muda a forma de julgar. Ele não tem mudanças. Por isso é errado supor que De’s se arrependeu. Então quando diz que não vai haver outro dilúvio, é porque De’s já conhece tudo e sabe que não haverá outra geração tão perversa como a do dilúvio. O dilúvio em si (onde toda a geração foi apagada devido à sua maldade) e o surgimento de Abraão, que vai transmitir ao ser humano valores elevados, é o que vai impedir que toda a humanidade caia novamente num nível tão baixo.

Devemos saber que o arco-íris está formado por dois princípios básicos para a vida: A água e a luz.

Portanto, o arco-íris sempre existiu, já que é um fenómeno físico, produto da divisão dos raios de luz através da água; não é algo novo que De’s criou naquele momento.

Então porque escolhe esse sinal? Para recordar aos homens que o mundo não existe gratuitamente e para sempre, independentemente do que façamos. Faz falta um Zechut Kium –  um mérito mínimo para existir.

Se não há luz – neste caso, um pouco de espiritualidade, captação das verdades abstratas (metafísica), conceção de De’s e temor a Ele, então essa água, que nos recorda que existiu um dilúvio no qual a humanidade foi destruída, pode voltar a acontecer. 

O midrash relata-nos que, na época de Rabi Shimon bar Iochai e na geração do rei Hizkiahu, não se viu o sinal do arco-íris. Este midrash não nos vem relatar a realidade meteorológica daquelas épocas, mas sim referir-nos que, naquelas gerações de tão alto conteúdo de sabedoria, esse sinal não fazia falta. Insisto: Isto não quer necessariamente dizer que não houve arco-íris, já que se trata de um fenómeno natural, mas sim que aquela mensagem, para aquelas gerações, não fazia falta. Eles já o sabiam muito bem. Não necessitavam ver o arco-íris para terem estes princípios presentes e agirem em conformidade.

O pacto que De’s estabelece com a humanidade é que os homens se comprometem a reproduzir-se e a não assassinar, quer dizer, a construir e não a destruir, já que essa foi a vontade de De’s quando criou o mundo.