Shavei Israel manda livros para o Brasil!

O Museu Judaico do Rio de Janeiro é conhecido por sua coleção de 69 Menorot e objetos rituais judaicos desenhados pelo artista, nascido na Rússia e residente do Rio Janeiro, Joseph Feldman. O pequeno museu – o único no Brasil até o novo museu em São Paulo ter sido inaugurado este ano – tem sido uma parada obrigatória para turistas judeus e moradores locais (o Rio tem uma população judaica de 30.000 residentes, de um total de 95.000 em todo o país).

Mas a equipe do museu não soube como reagir quando perguntamos sobre a comunidade de Bnei Anussim do Brasil.

Os Bnei Anousim (ou marranos) chegaram ao Brasil provenientes de Portugal há cerca de 500 anos atrás, fugindo do longo braço da Inquisição. Eles se estabeleceram na cidade do Recife, participando do Kahal Zur, a sinagoga mais antiga das Américas, em 1636.

Hoje existem pelo menos 30 diferentes comunidades Bnei Anussim espalhadas por todo o Brasil, umas com apenas algumas dezenas de membros, outras com várias centenas. Existem sinagogas improvisadas ​​e Mikvês (banhos rituais). O número de brasileiros com raízes judaicas escondidas poderia chegar a cerca de 40 por cento da população brasileira.

Mas o Museu Judaico no Rio documenta, principalmente, a história judaica mais recente, a partir do início do século 20. Os visitantes que querem saber mais sobre o passado dos Bnei Anussim do Brasil – ou mesmo Bnei Anussim brasileiros que questionam sua própria herança judaica – deixavam o museu sem uma resposta satisfatória.

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“Você tem raízes judaicas?” – em português

Os funcionários do museu contataram a Shavei Israel no início deste ano. Haviam escutado sobre o livro da Shavei Israel “Você tem raízes judaicas?”, agora disponível em Português, assim como o original em espanhol. Pediram então algumas cópias para o museu.

Enviamos 6 livros para que tenham em mão e possam compartilhar com os visitantes.

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Sidur de Shabat em Português

“Você tem raízes judaicas?” não foi o único material impresso que viajou de Israel para o Brasil este ano. Os membros da comunidade Bnei Anussim Beit Shorashim em Natal, a capital litorânea do estado brasileiro Rio Grande do Norte, no nordeste do país, pediram algumas cópias do Sidur (livro de orações) em português da Shavei Israel.

Verificamos e descobrimos que estávamos quase sem estoque –
possuíamos somente dois dos nossos Sidurim de Shabat, dos quais devidamente despachamos. Mas isso não é suficiente para os 150 Bnei Anussim de Natal.

Gostaríamos de enviar mais Sidurim para Natal e outras comunidades de Bnei Anussim no Brasil. Por favor, ajude-nos a produzir uma nova leva de Sidurim. Caso tenha interesse em ajudar, mande um e-mail para spanish@shavei.org.

Uma versão eBook do livro Você tem raízes judaicas?” pode ser baixada gratuitamente neste link.

Em breve: uma nova livraria interativa no site da Shavei Israel, onde será possível encontrar todas as nossas publicações.

O D’us dos Espíritos

Comentário sobre a Porção Semanal de Pinchás

 

42 “estações”

O fim da viagem se aproxima. Após a saída do Egito, o povo se ‘entretém’ no deserto por quarenta anos pagando a dívida por haverem recusado entrar na Terra Prometida, quando estavam por fazê-lo.

São quase quarenta anos muito difíceis. Quase quarenta anos de raiva, nos quais parece não haver nenhuma profecia dirigida a Moshe. Vimos que entre os capítulos 19 e 20 passaram-se 38 anos de punição, sem qualquer referência, sem qualquer detalhe.

Parece que, inclusive, não avançaram muito. Das quarenta e duas “estações” que pararam na viagem, vinte e duas foram antes da punição ou no último ano, quando já entravam na Terra Prometida. São, então, vinte “estações” que passaram em trinta e oito anos. E, de acordo com nossos Sábios, mencionados por Rashi em Devarim 1:46, dezenove anos permaneceram no mesmo lugar, em Cadesh. Nos outros dezenove anos, realizaram uma viagem por ano.

O povo já está cansado, como vimos no capítulo 21 do livro de Bamidbar, e não têm muita paciência. Já querem chegar à Terra Prometida.

 

Sinais para as viagens

Acontece que esta viagem é muito mais complicada do que parece à primeira vista. Nossos sábios aprendem destas quarenta e duas “estações” – ou acampamentos do Povo, como sinais para as viagens que cada um de nós realiza durante toda sua vida em direção à uma determinada meta. Cada um com seu objetivo particular, com seus problemas, suas complicações, sua crise e suas pequenas vitórias. Alguns se complicam mais em uma certa “estação” e outros podem passar por ela rapidamente.

Se lermos corretamente as vicissitudes de cada um destes acampamentos, podemos extrair alguns dados importantes para nossa vida particular. Cada um com sua própria perspectiva particular, familiar, de acordo com as circunstâncias de cada geração, sociedade ou ambiente. Quase impossível transferir de um a outro o significado, a menos que haja estudado a fundo, com seus comentaristas clássicos do Talmud e do Midrash, que proporcionam visões por vezes extravagantes para aqueles que não têm a nitidez daqueles que dedicam intermináveis horas de estudo para decifrar os mistérios da Torá.

A Torá, como sabemos, não é um livro de história, mas um livro de profecias. Os dados históricos que aparecem nela estão lá para nos ensinar algo, hoje, três mil e trezentos anos depois. E não só aos indivíduos, mas principalmente para o povo de maneira geral.

Deste modo, estas quarenta e duas “estações” são também a jornada nacional através das diásporas. Emigrações e expulsões de um lugar ao outro, de um país para o outro. Existe um antes e um depois em cada uma destas estações. Uma causa e uma consequência. E, de acordo com a maneira com a qual lidamos com cada estação, os resultados serão mais fáceis ou mais duros.

Ao longo desta longa viagem, está o líder de Israel, chamando a atenção de cada membro do povo, ditando o ritmo e apontando o objetivo.

 

Ra’ya Mehemna

Moshe é o Ra’ya Mehemna, o Pastor Fiel, como o Zohar o chama. Um líder que considera cada indivíduo de seu rebanho, importante. Não poupa ninguém, todos merecem sua atenção e dedicação.

Se este líder houvesse nos acompanhado na entrada da Terra da Profecia, tudo teria sido muito diferente. As batalhas teriam tido outro aspecto, um outro resultado. Não houvéssemos esperado quatrocentos e oitenta anos para construir o Templo Sagrado. Tudo teria sido mais rápido.

Contudo não nos entusiasmamos com a velocidade das coisas se esta não for acompanhada pelo processo espiritual de cada parte do processo. Quando alguém avança muito rapidamente pode estar, assim, saltando etapas importantes do desenvolvimento, que serão necessárias nos momentos mais inusitados. E a queda, então, pode ser desastrosa.

Se este líder tivesse conduzido o Povo na entrada da Terra da Vida, poderíamos ter acreditado que já havíamos passado algumas fases do processo. Na verdade, foi quando este líder nos deixou que percebemos que somente estávamos deslumbrados com o brilho que emanava a figura de Moshe, um “Super-homem” que, inclusive, passou alguns dias com a Presença Divina. E, que nós não havíamos feito a lição de casa corretamente e ainda nos faltavam pontos essenciais para corrigir.

Se Moshe tivesse construído o Templo, este seria eterno e indestrutível, e a punição pelos pecados recairia diretamente sobre os membros do povo, com um grave perigo de passarmos por um extermínio imperdoável. O desaparecimento do líder neste estágio, teria causado uma grave crise no Povo. E assim, Moshe não poderia entrar na Terra da Profecia.

Moshe teria saltado etapas, inspirado as pessoas com coragem para tomarem medidas decisivas. Teria encontrado no coração de cada um e um as fontes necessárias para avançar em direção ao objetivo. Com o grave perigo de que as pessoas não tivessem feito seu dever de casa e descobrissem isso tarde demais.

 

Calma e paciência

Nos acostumamos, desde a época de nossos Patriarcas, que as coisas não são feitas desta maneira. Aprendemos a ter paciência para poder realizar nossos objetivos, calmamente, de maneira completa.

O que não voltu a acontecer é termos presenciado uma liderança como a de Moshe. O profeta Yechezkel (Ezequiel), entre outros, se queixava de que os líderes do povo não cumpriam com seus deveres de colocar os interesses nacionais à frente dos interesses pessoais. Mesmo David e Shlomo não se comparavam a Moshe.

“D’us dos Espíritos” – exclama Moshe (Bamidbar 27:16). “Este povo precisa de um líder que possa sair a frentes deles e chegar frente a eles…” Um líder que seja um exemplo para todos e cada um deles.

“D’us dos Espíritos” é uma expressão especial. Os “espíritos” são cada um dos filhos de Israel. Não há duas pessoas que pensam da mesma forma, que reajam da mesma maneira a um estímulo idêntico. Todos são independentes, têm sua própria personalidade e não querem se tornar parte de um ‘rebanho’. E assim, quem os lidere deve ter qualidades extraordinárias, já que o pastor terá muitas dificuldades quando estes não queiram ser parte do ‘rebanho’.

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Pastor dos espíritos

Na verdade, quando Moshe apela ao “D’us dos Espíritos” está implicando, ou afirmando, que o líder deve ser um “Pastor dos Espíritos”; alguém que possa entender as necessidades de todos, que possa se identificar com eles e lhes permita também, identificarem-se com ele. Pouca coisa, hein?

O Criador de fato responde que Yehoshua será aquele que guiará o Povo nesta nova fase. “Um homem que tem ‘espírito’ nele” (27:18 id.); “que pode ir com o espírito de cada um”, diz Rashi. Com uma grande diferença: Yehoshua não deslumbrava a ninguém. Não se tratava de um sol radiante, mas sim de uma lua cheia.

A lua, mesmo quando está cheia e brilhante, nos permite ver a luz de cada uma das estrelas, mesmo que pequenas. Permite que todos possam desenvolver sua própria personalidade, no seu ritmo. Isto atrasa um pouco o processo: não poderemos ir tão rápido como íamos com Moshe e levará séculos para construir o templo, havendo muitos tropeços no caminho. Contudo, será um processo mais seguro.

Cada líder tem suas vantagens e desvantagens. A grande vantagem de Moshe é que, conhecendo o potencial de cada um, pode ajudar a dissipar suas dúvidas, incentivar cada um a superar suas hesitações. A vantagem de Yehoshua é permitir, com o tempo, que todos possam descobrir sua própria estrada, que lute desde zero para atingir sua auto realização.

 

Psicologia sagrada

As quarenta e duas “estações” devem ser superadas, com qualquer líder que seja, nos ajudando e incentivando-nos a obter o melhor dos melhores. Nossas capacidades e nosso potencial é enorme, e por isso, facilmente nos perdemos. O líder que sabe penetrar os “espíritos” de cada indivíduo, deve saber guiar tanto o particular quanto a nação. Mas como penetrar o espírito dos outros? Que tipo de psicologia nos pode ajudar neste sentido?

O rabino-chefe de Israel, o Rabino Avraham Yitschak Hacohen Kook, explicava que na sabedoria da santidade do Judaísmo, na chamada “mística” ou “ciência oculta”, estão os ingredientes necessários para o grande líder ou para o pequeno psicólogo serem capazes conhecer os espíritos e orientar as pessoas. Não somente a aqueles que desviaram do caminho correto, mas também aqueles que conhecem o caminho e mesmo assim precisam de apoio, de uma respiração, um empurrão.

O D’us dos Espíritos continua nos guiando através de seus alunos fiéis, até que (falta pouco) o rei pelo qual esperamos, o Ungido pelo Criador, o verdadeiro e definitivo Mashiach (Messias), oriente não só aos filhos de seu povo, mas também ao resto das nações.

Fé, valor e descobrimento: de El Salvador à Jerusalem

Tudo começou em 1982, quando Yael e a mãe de Elisheva Franco ajudaram a abrir uma nova escola em El Salvador. A chamaram de, “Jerusalém”. A mãe das irmãs Franco não sabia nada sobre a tradição judaica e a escola era, somente, “uma escola secular normal”, conta Yael Franco.

Dez anos mais tarde, Yael e mãe de Elisheva chegaram a Israel com uma bolsa da Embaixada de Israel para estudar Educação em Haifa. Uma vez mais, não houve uma relação aberta com o judaísmo. “Ela sentia uma conexão com Israel, mas não sabia o por quê”, continua Yael.

Hoje em dia, toda a família Franco pratica um judaísmo tradicional. O irmão mais velho, Eliyahu, fundou a sinagoga Beit Israel, em San Salvador, a capital do país, e toda a família Franco passaram a ser seus membros fundadores.

Yael e Elisheva agora tomaram o passo seguinte: após a conversão formal ao judaísmo, no ano passado, ambos fizeram Aliyá para Israel.

Quando perguntamos a Yael, a que ela atribui tais mudanças impressionantes na sua vida e nas vidas de seus familiares, ela simplesmente diz: “Sinto como se D’us estivesse guiando nossa família, sem que percebamos. Pouco a pouco começamos a fazer as coisas. Primeiro foi o nome da escola, e então nossa mãe veio visitar Israel. Temos cumprido o Shabat, mesmo antes de termos qualquer conexão judaica”.

Histórias assim, geralmente, acontecem com Bnei Anussim de Espanha, Portugal e América Latina, quando uma herança judaica escondida surge dos lugares mais inesperados – como uma premonição espontânea de chamar uma escola de “Jerusalém”, no coração da América Central, há mais de 12 mil quilómetros da capital histórica do povo judeu.

Os Bnei Anussim são descendentes de judeus que foram forçados a se esconder ou forçados a se converter ao catolicismo há 500 anos. Muitos escaparam da Europa para o Novo Mundo em navios dos grandes exploradores, e estabeleceram-se em El Salvador, Colômbia e Chile. Mas a Inquisição seguiu estes judeus que, assim como seus irmãos que permanecerem nos países de origem, passaram à clandestinidade.

A Shavei Israel reuniu-se recentemente com quatro jovens de El Salvador, que estão agora em Israel nos vários estágios de conversão e Aliyá, estudando em paralelo, em Midrashot (seminários) e Ulpanim de hebraico na área de Jerusalém (uma quinta jovem, Aliza, não estava disponível para uma entrevista).

Rachel, 27, estudou comunicação em El Salvador e espera continuar nesse campo em Israel – talvez até mesmo tornar-se uma jornalista. “Eu sei Inglês e Espanhol, o que me abre muitas oportunidades”, diz ela. “Agora estou estudando o hebraico”.

O lado materno de Rachel chegou a El Salvador da Espanha e seu pai emigrou da Turquia. “Não sei se eram judeus, mas realmente não importa”, diz ela. “Logo no início, o que eu mais queria saber era sobre o judaísmo. Eu era “estranha” – a única entre meus amigos cristãos que não acreditava em Jesus”.

Enquanto estava na faculdade, Rachel fez amizade com alguns estudantes judeus. “Um dia eu estava caminhando para casa, e suspirei dizendo: ‘D’us, quero Lhe encontrar!’. Uma semana depois, um dos meus amigos judeus me convidou para visitar sua comunidade no Shabat. Eu não sabia nada sobre judaísmo ou sobre o Shabat. Mas fui. Cantamos os salmos e chorei: ‘D’us, eu Lhe encontrei!’. A partir daquele dia, nunca perdi um Shabat.”

Sonia, 28, encontrou seu caminho para a comunidade judaica de San Salvador através da única livraria judaica na cidade. Ela também não havia crescido como judia. “Mas eu sempre gostei de ler e minha família costumava dizer que os judeus eram o povo escolhido. Fui, então, para a livraria buscar mais informações. A mulher que trabalha lá me colocou em contato com a comunidade judaica”, conta.

Sonia estudou o trabalho social na universidade por um ano mas, “tive que deixar [os estudos] para trabalhar.” Trabalhava numa fábrica, na área de controle de qualidade. Agora em Israel, ela diz que gostaria de voltar aos seus estudos de trabalho social. “Acredito que existe um grande potencial aqui para ajudar outros com necessidade, especialmente em espanhol”, diz ela.

As irmãs Franco, são dez anos maiores do que Rachel e Sonia, e Yael Franco tem um filho de 13 anos, Joshua (Yehoshua), que chegou a Israel com ela. “Tudo veio do céu no momento certo”, diz Yael. “O pai de Yehoshua concordou em deixá-lo sair de El Salvador”.

Yehoshua fez o Brit Milá, quando era um bebê, mas o que é surpreendente é que seu tio, Eliyahu, não judeu e futuro líder da comunidade Beit Israel, assim como outros parentes do sexo masculino, também foram circuncidados quando eram jovens – “algo muito incomum em El Salvador”, conta Yael, “mas foi o que aconteceu na família Franco”. “Nunca comemos carne de porco, o que também é muito estranho para a América Central”, diz Yael. “E as mulheres sempre usavam saias. Nossos pais disseram que era uma coisa moral, mas nunca explicaram o por quê. Eu não acho que eles sabiam. Essa era a tradição.”

Os Franco eram ativos na igreja evangélica – seu pai era um líder religioso da comunidade, quando começou a ter dúvidas sobre o cristianismo. “Começamos a fazer muitas perguntas e, finalmente, decidimos que a igreja não era a verdade”, diz Elisheva. A medida que os discursos de seu pai começaram a divergir daquilo que os paroquianos esperavam “ele e toda a família foram expulsos”, conta Elisheva.

Somente quando deixaram a igreja, que chegaram a conhecer o judaísmo. Elisheva acrescenta: “Quando meu irmão fundou o Beit Israel, nossos velhos amigos ficaram muito irritados. Foram chamados de hereges e cortaram todo o contato. Foi a única vez que experimentamos qualquer espécie de anti-semitismo”.

Na verdade, El Salvador tem sido extraordinariamente gentil com os judeus. Quando falamos com Eliyahu Franco em 2013, ele disse que não era incomum ver uma Maguen David (estrela de David) ou uma Menorá usada como um elemento de design em um cartaz, um ônibus ou em frente a uma loja. Além do mais, Franco contou que usava seu Kipá (solidéu) abertamente na rua e, “as pessoas se aproximam de mim para dizer ue ‘amam os judeus'”.

Shabbat em Beit Israel é uma experiência incrível, explica Rachel. “Todo mundo vem para a sinagoga antes do Shabat e dorme lá. Todos trazemos e compartilhamos comida. Não há nem mesmo tempo para uma pausa na tarde de Shabat com tantas atividades e aulas! Assim é todos os sábados.”

Por Rachel quer abandonar uma comunidade tão inclusiva como esta?

“Não há nenhum outro lugar como Israel”, responde rapidamente. “Há algo especial aqui do qual eu faço parte. Já não posso mais pensar em viver em um lugar diferente. Sinto que tenho uma ‘conexão de alma’ aqui”.

Elisheva e Yael ambos trabalharam no “Jerusalem”, a escola de sua mãe, que finalmente começou a incluir aulas de história e tradição judaica. Depois de nove anos na comunidade Beit Yisrael, sabiam que era hora de seguir em frente. Viajaram primeiro para os EUA, onde as conversões ortodoxas foram feitas, e depois para Israel.

Elisheva diz que gostaria de escrever um livro sobre suas experiências. “Eu o chamaria de ‘A vida é um presente'”, diz. “Toda vez que temos um teste na vida, há, também, um propósito. Cada respiração que tomamos, cada olhar, cada fala, é um presente de D’us. Nem sempre é evidente.”

Elisheva espera que depois de aprender o suficiente, possa tornar-se uma professora de estudos judaicos para outros imigrantes de língua hispânica.

Elisheva, Yael, Sonia e Rachel chegaram em Israel – e em Jerusalém, em particular – em um momento difícil, durante a luta do país contra o terrorismo. Perguntamos-lhes se sentem medo.

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“Você está brincando?” perguntou Elisheva quase rindo. “Você não sabe o que se sente em El Salvador. Setenta pessoas são mortas a cada semana. É terrível. Me sinto muito mais segura em Israel.”

Sonia concorda. “Sinto-me segura aqui, porque estou perto de D’us.”

“É como uma grande família aqui e você nunca está sozinho”, acrescenta Elisheva. “Embora às vezes sejamos muito diferentes, as pessoas estão juntas, unidas.”

Yael e Elisheva tem uma mensagem para a comunidade em El Salvador: “Não nos esquecemos. Podemos ter sido as pioneiras, mas vamos ajudá-los a vir também.”

Yael enfatiza que ela é “grata pela atenção que a Shavei Israel nos deu, através do envio do [emissários da Shavei Israel] Rabino Daniel Tuito e o Rabino Yitzhak Aboud, que nos ajudaram a realizar o sonho de voltar a Eretz Israel [a terra de Israel] e recitar em nossa própria terra, o ‘Shema Israel Hashem Elokeinu, Hashem Echad‘”.

A Shavei Israel apoiou Yael, Elisheva, Rachel, Sonia e Aliza desde o início e continuará apoiando em suas novas vidas em Israel. Caso deseje ajudar a Shavei Israel com a comunidade de El Salvador e outras comunidades de Bnei Anussim na América Central e do Sul, por favor visite nossa página de doações.

“O processo que passamos é complicado e nem sempre é fácil”, conclui Rachel. “Mas D’us está sempre conosco. Ele escuta nossas orações. A minha alma está sempre procurando a verdade, para encontrar a D’us. Quero transmitir emuná – fé – da minha vida, e que possamos lutar pelo que é certo. Sei que D’us me ajudou.”

Bat Mitzvá na Nigéria!

Como as jovens se vestem para um Bat Mitzvá na Nigéria? Não muito diferente do que em Israel – com um vestido rosa e uma coroa!

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Gadi Bentley, o primeiro emissário da Shavei Israel para a comunidade judaica Igbo, na Nigéria, África (confira aqui o artigo sobre os Igbo), nos enviou esta foto desta linda jovem, Tuvia Bat Pennyel, no dia de seu Bat Mitzvá. Na foto, Tuvia, que vive na pequena cidade de Ogidi, está cercada pelos seus pais e irmãos mais velhos.

Estima-se que 3.000 Igbos se identificam como o Povo de Israel e praticam uma forma moderna do Judaísmo, com sinagogas (existem 26 no país), rolos de Torá, Kashrut, Tefilin (filactérios) e Talit (xales de oração) além de também praticarem o “Brit” – a circuncisão.

Os judeus Igbo roubaram, pela primeira vez, à atenção do mundo ocidental há mais de 500 anos atrás, quando missionários portugueses que navegavam pela África Ocidental, os encontraram. Os portugueses então, enviaram relatórios para Portugal contando sobre uma tribo de africanos que praticavam o sábado judaico e as leis kosher. Embora os missionários tenham tentado converter a maioria dos Igbo ao cristianismo, os judeus Igbo não esqueceram suas raízes e nas últimas décadas começaram a se reconectar com sua herança.

Este “reconectar” não é apenas em semachot (celebrações, como um Bat Mitzvá). A cada dois meses, os jovens, das várias comunidades judaicas Igbo, se reúnem para um fim de semana de atividades e diversão. Abaixo uma foto de um destes eventos. (o único não nigeriano da foto é o nosso emissário, Gadi).

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A idéia dos encontros, que acontecem cada vez em um local diferente, é “juntos estudar a Torá e aprender uns com os outros”, diz Gadi Bentley.

Há sempre um jogo de perguntas e respostas que abranja a lei judaica, sionismo e o idioma hebraico. São sempre dois participantes representando cada estado e um troféu é dado ao vencedor. A comunidade de Port Harcot foi a vencedora do concurso mais recente que aconteceu há duas semanas no estado nigeriano de Imo. As duas primeiras fotos abaixo foram tiradas durante o Shabaton em Eboni.

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Comentário sobre a Porção Semanal de Chukat

 

 

“Déja Vu”

Na porção da Torá de Chukat, nos deparamos com dois eventos que apontam a mesma direção. A “pedra” e a “cobra de cobre”.

Ao ler sobre o evento da pedra, quando Moshe a golpeia para que saia água pura, e assim saciar a sede do povo, sentimos um lampejo de “déjà vu” (sensação de já haver passado por esta situação).

Na verdade, já no capítulo 17 de Êxodo, na porção da Torá de Beshalach, o povo protesta contra a falta de água e Moshe recebe a ordem divina de golpear uma pedra com seu cajado, para assim, fazer sair água. Este manacial os acompanhou durante toda a longa jornada de quarenta anos no deserto.

Este pedido de água foi acompanhado por uma questão séria: “Está o Senhor conosco, ou não” (Id. 17: 7). O povo havia pensado que o Criador poderia haver-los abandonado, por não fornecer a água necessária para seus sustentos. É como a continuação do protesto do qual lemos no capítulo que antecede este pedido, (Êxodo 16: 3). “Nos trouxeram a este deserto para matar a toda esta congregação, de fome”. Trata-se de uma falta de confiança que nasce e nutre-se, obviamente, da falta de familiaridade, ou da experiência, com os caminhos do Criador. A única solução é deixá-los experimentar esses caminhos divinos.
Aprendizagem a Longo-Prazo

Durante os quarenta anos que permanecerão no deserto, passrão por uma longa experiência no deserto, e uma difícil aprendizagem. O Criador onipresente e onisciente os acompanha. Observa seus atos e pensamentos, reagindo imediatamente, como reagiu a profanação dos filhos de Aharon, do recém-inaugurado Tabernáculo.

Mas não quer ensinar-lhes com portentosos milagres súbitos, e sim através de um milagre que se repete uma e outra vez, todos os dias, exceto no Shabat. No qual, experimentavam cada um, pessoalmente, confiando em que “amanhã vamos ter o nosso Maná, assim como tivemos hoje”.

Quarenta anos se passaram quando chegamos na Parashá de Chukat. E, novamente, o episódio com a pedra, se repete.

Nossos sábios nos dizem que o manancial surgiu há quarenta anos, e suportou todos os anos de exílio pelo grande mérito de Miryam. O mérito das mulheres que enviam seus maridos para estudar até tarde da noite, esperando por eles com amor, entendendo que a bênção da casa depende do estudo da Torá. E o estudo da Torá depende deles, como seus alunos. Como disse o grande Rabi Akiva, “tudo o que tenho e que vocês podem ter, é mérito da minha esposa Rachel (que lhe permitiu estudar por muitos anos).” É a água que sacia a sede de sabedoria. Quando Miryam morre, o manancial seca, e o povo deve voltar a trabalhar para conseguir sua água.

 
Parecido, mas não idêntico

O povo protesta, como havia feito quarenta anos antes, e Moshe recebe uma resposta muito semelhante a aquela que recebeu pela primeira vez. Parecida, mas não idêntica. “Agarre seu cajado, reuna o povo, você e seu irmão Aharon, e falai à pedra perante seus olhos, e assim, lhes darão suas águas; e da água que retirarais da pedra, darais de beber à congregação e aos seus animais” (Bamidbar 20: 8).

Moshe se equivoca e, ao invés de “falar” com a pedra, ele a golpeia, assim como havia feito, com sucesso, na última vez. ‘Se pede para agarrar meu cajado, deve ser para golpear’ e não leva em consideração que se passaram quarenta anos. Supõe-se que neste momento tiveram tempo para amadurecer, já haviam se tornado “adultos”.

O golpe que pode, ou não, ser dado a criança, deve ser acompanhado de explicações, em nome de sua educação. Deve ser suave, sem raiva ou vingança, sempre mostrando o amor que está por trás disso. Deve ser realizado com a mão esquerda, a mais fraca. Acontece quando não há mais outras opções e não existe mais remédio. Ocorre em porções mínimas e, raramente. E em uma certa idade, já está proibido golpear, e a única coisa que conta é o ensinamento oral, as explicações.

Sim, o cajado deve estar presentes, para fazer lembrar o quão sério é o problema. Mas não para bater. Somos adultos.

 

 

Olhar em seus olhos

Sobre a questão da serpente, o ensinamento aqui é muito mais profundo.

Se aventuraram no grande deserto da Síria, local inóspito e cruel. Têm sede e temem as feras do deserto. E então, protestam.

Aparecem as cobras venenosos ou ‘ardentes’ (“serafim” – no hebraico), como chama a Torá. O que, ou quem, são essas cobras? Sabemos: cobra é igual a ‘Yetzer HaRá’, a inclinação má. Cobras aparecem e mordem as pessoas, e as pessoas morrem dessas mordidas.

Como sempre, vêm de encontro a Moshe para que interceda com o Criador e assim, possa salvá-los.

Mas desta vez, a reação de D’us é muito diferente. Ele diz a Moshe para preparar uma cobra de cobre e posicioná-la no topo do mastro, de modo que as pessoas a vejam e assim, se curem.

Que tipo de mágica é essa? Acrescentemos que, antes de dar a nossa explicação, deste episódio que os farmacêuticos retiraram a idéia do famoso símbolo da enfermagem: uma cobra enrolada em uma vara ou em um copo. É verdade que a versão grega explica dizendo que, do veneno de cobra são extraídos os concentrados que são a base das drogas farmacêuticas, mas nós apresentamos uma versão diferente.

Responde o Criador para o povo: “Basta de pedir magia, ajuda milagrosa para resolver seus problemas”. Agora são adultos.

Levante a cobra e a encare nos olhos. Reconheça o problema, onde nasceu, como se alimenta, como cresce. Olhe-a nos olhos e lute com ela. Agora vocês são adultos. Têm força. Não tenham medo: não é nada mais do que uma cobra. Assim como a serpente que Moshe agarrou pela cauda e esta transformou-se em vara na sua mão.

 

 

 
De Mal à Bom

A ‘inclinação para o mal’ é ruim porque a usamos mal. Deixamos nos levar por instintos mal-educados. Se aprendemos a usar essa mesma inclinação no caminho certo, esta, torna-se, automaticamente, uma “boa inclinação”. Se aprender a educar seus instintos, eles irão parar de incomodar e tornar-se-ão seu melhor aliado, sua maior ajuda, uma vez que o Criador lhe presenteou com este, para que os use, mas para usá-lo corretamente, é claro.

Vícios tornam-se virtudes. As virtudes são polidas e refinadas. O trabalho é difícil, sem dúvida. Talvez seja uma das principais tarefas que temos em nossa vida, ou talvez apenas a preparação necessária para levar a cabo uma missão muito mais importante. Ou talvez, ambos ao mesmo tempo.

Somos adultos, e exigimos dos adultos que trabalhem sobre si próprios para resolverem seus problemas. Podemos aconselhar, podemos fornecer os meios e as condições, mas o trabalho são os próprios adultos que devem fazer.

Somos adultos e aprendemos a confiar no Criador. Aprendemos a melhorar nossas habilidades e usá-las corretamente. Há falhas, sempre existem, “um homem justo cai sete vezes, e se levanta” (Provérbios 24:16). Os ímpios caem e se desesperam, enquanto que o justo se levanta, limpa a poeira da queda e retorna ao trabalho, sem nunca, nunca, perder a esperança.